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Espanha a 24 horas de saber se tem governo ou se volta às urnas
Mundo 3 min. 16.09.2019

Espanha a 24 horas de saber se tem governo ou se volta às urnas

Espanha a 24 horas de saber se tem governo ou se volta às urnas

Foto: AFP
Mundo 3 min. 16.09.2019

Espanha a 24 horas de saber se tem governo ou se volta às urnas

Já passam cinco meses das eleições legislativas e ainda não há qualquer acordo entre PSOE e Unidas Podemos que possa desbloquear o impasse de um país que espera uma solução governamental. Se até amanhã não for anunciado qualquer entendimento, Espanha regressa às urnas em novembro.

Quase cinco meses depois das eleições legislativas e a 24 horas da primeira das duas reuniões decisivas com o rei - que em Espanha é o chefe de Estado - para a derradeira tentativa de investidura, não há fumo branco entre PSOE e Unidas Podemos. Para esta terça-feira, ao meio dia, está agendado um encontro entre Pablo Iglesias com Filipe VI e, se não houver qualquer entendimento com o partido liderado por Pedro Sánchez, é provável que anuncie a abstenção dos seus 42 deputados, o que tornaria impossível a eleição do candidato do PSOE para presidente do governo pela terceira vez. A confirmar-se, Pedro Sánchez descartaria, com quase toda a certeza, mais um processo de investidura e anunciaria eleições legislativas para 10 de novembro.

Perante este cenário, o mais provável é que ninguém se atreva a descartar alguma surpresa de última hora. O espanhol Público afirma que o líder do Unidas Podemos ainda acredita que Pedro Sánchez vai ceder no último momento e aceitar o governo de coligação que propôs em julho. Dentro do PSOE são muitas as vozes que verbalizam as dúvidas e os medos de quem vê com muitos receios um regresso às urnas que se antecipa complicado para os partidos à esquerda. O mesmo jornal afirma que as discrepâncias são feitas em surdina por vários dirigentes do PSOE para não debilitar a posição de Pedro Sánchez em público. Há quem defenda que se podia ter trabalhado mais e melhor um acordo com Unidas Podemos. O certo é que a maioria dos dirigentes socialistas não quer um governo de coligação com a formação de Pablo Iglesias por entenderem que pode dinamitar o executivo em pouco tempo.

De acordo com o Público, Pedro Sánchez nunca quis esta solução. O presidente do governo espanhol em funções foi sempre partidário da proposta que o PSOE apresentou em setembro. Um acordo pragmático, acompanhado de um pacto, uma solução mais parecida à portuguesa, mas com alguns dirigentes do Unidas Podemos à frente de algumas instituições estatais. Foi a posição férrea deste partido nas negociações que levou Pedro Sánchez a oferecer um governo de coligação desde que sem a presença de Pablo Iglesias. Os socialistas estavam convencidos que o líder do Unidas Podemos ia recusar a oferta. Contudo, Pablo Iglesias surpreendeu ao aceitar ficar de fora da proposta. Foram as pastas oferecidas por Pedro Sánchez que lançou a discórdia entre as duas partes. Até hoje.

Independentistas viabilizam governo de coligação

Os grupos parlamentares independentistas, à exceção do Junts per Catalunya, já anunciaram que querem evitar novas eleições e que preferem abrir a porta a Pedro Sánchez se este alcançar um acordo com Pablo Iglesias. As exigências não vão além de permitir que a legislatura continue e que haja um presidente investido para reformar o Estado e satisfazer as necessidades das comunidades autónomas.

Albert Rivera oferece proposta de última hora

Com a maioria dos partidos a ser ouvida pelo chefe de Estado durante o dia de hoje, o líder dos Ciudadanos, Albert Rivera, anunciou na manhã desta segunda-feira que o seu partido propôs ao PP uma abstenção conjunta para viabilizar Pedro Sánchez se este aceitar três condições: “um compromisso com Espanha e a economia espanhola”, que “rompa” com o governo de Navarra, onde o PSOE governa com o apoio independentista basco, e prometer “não indultar” aos “golpistas” se os líderes catalães forem condenados no processo pelo referendo e proclamação da república independente catalã. É muito improvável que o PSOE aceite esta proposta.

Bruno Amaral de Carvalho

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