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Índia tentou espiar o Dalai Lama, que não tem telemóvel
Mundo 3 min. 22.07.2021
Escândalo Pegasus

Índia tentou espiar o Dalai Lama, que não tem telemóvel

Escândalo Pegasus

Índia tentou espiar o Dalai Lama, que não tem telemóvel

Marijan Murat/dpa
Mundo 3 min. 22.07.2021
Escândalo Pegasus

Índia tentou espiar o Dalai Lama, que não tem telemóvel

Lusa
Lusa
O diário francês Le Monde noticiou hoje que o facto de o Dalai Lama não utilizar telemóvel levou a Índia a espiar, através do programa de espionagem israelita Pegasus, cerca de duas dezenas de conselheiros do líder tibetano.

No total cerca de 20 responsáveis tibetanos no exílio, tanto políticos como religiosos, entre eles vários assessores pessoais do líder espiritual do Tibete, podem ter sido espiados, refere o periódico francês, um dos membros do consórcio internacional de órgãos de comunicação social que divulgou o escândalo de espionagem do Pegsasus.

Os primeiros pedidos das autoridades indianas surgiram no final de 2017, por ocasião de um encontro em Nova Deli entre o Dalai Lama e o ex-Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que regressava de uma visita à China. 

Outros pedidos para a inclusão de números de telemóvel vieram depois, em meados de 2018, como o de Lobsang Sangay, presidente do Governo tibetano no exílio. 

O Le Monde contextualiza os pedidos para a inclusão dos números de telemóvel no Pegasus com as tensões que se registam de tempos a tempos entre a Índia e a China, duas potências nucleares que mantêm disputas territoriais nas fronteiras dos Himalaias, e pelo receio de Nova Deli de que o Dalai Lama, 86 anos, possa assinar algum acordo com Pequim.

O diário francês também, porém, que, sem poder analisar os terminais telefónicos, não é possível verificar com segurança se foram realmente espiados pelo Pegasus, programa da empresa de tecnologia israelita NSO Group. 

Cerca de 50.000 números de telefone foram enviados por diferentes clientes para possível acompanhamento numa dezena de países, entre eles México, Marrocos, Arábia Saudita, Índia, Hungria e Cazaquistão.

A investigação do consórcio de órgãos de comunicação social internacional mostrou que o Pegasus, concebido como um instrumento contra o terrorismo e crime organizado, era utilizado por vários países também para espiar opositores políticos, ativistas dos direitos humanos, jornalistas e advogados. 

Uma vez dentro do telefone, o programa pode aceder a todo o conteúdo do terminal, como mensagens instantâneas, correios eletrónicos, fotos ou à agenda de contactos.

As revelações do consórcio mostraram os números de telemóvel do Presidente francês Emmanuel Macron, do seu ex-primeiro-ministro, Édouard Philippe, e de 14 membros do anterior Governo como alvos de possível espionagem por uma agência de segurança marroquina, o que é rejeitado pelas autoridades de Rabat.

A investigação publicada no domingo baseia-se numa lista obtida pelas organizações Forbidden Stories e Amnistia Internacional, que incluem 50.000 números de telefone selecionados pelos clientes da NSO desde 2016 para potencial vigilância.

Hoje, a Amnistia Internacional, citando o The Washington Post, reportou que os telefones de 14 chefes de Estado e Governo e centenas de funcionários de governos poderão ter sido espiados pelo ‘software’ Pegasus.

Segundo um comunicado da AI, o The Washington Post, que também faz parte do consórcio jornalístico que investiga o caso, revelou que os números de telefone de 14 chefes de Estado e de Governo foram incluídos numa lista como pessoas de interesse pelos clientes da empresa NSO Group.

Esta lista inclui o rei de Marrocos, Mohammed VI, o Presidente francês, Emmanuel Macron, o Presidente iraquiano, Barham Salih, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro egípcio, Mostafa Madbouly.

Também estão incluídos o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, o primeiro-ministro marroquino, Saad-Eddine El Ohtmani, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, o primeiro-ministro do Uganda, Ruhakana Rugunda, e o primeiro-ministro belga, Charles Michel.

A lista continha números de telefone de mais de 600 funcionários de Governos e políticos de 34 países.

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