Escolha as suas informações

Escândalo leva a demissão de primeiro-ministro maltês
Mundo 2 min. 02.12.2019

Escândalo leva a demissão de primeiro-ministro maltês

Escândalo leva a demissão de primeiro-ministro maltês

Foto: AFP
Mundo 2 min. 02.12.2019

Escândalo leva a demissão de primeiro-ministro maltês

Joseph Muscat cede à pressão e anuncia saída para janeiro de 2020 depois das sucessivas manifestações pelo assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia em 2017.

O primeiro-ministro de Malta anunciou este domingo que tenciona demitir-se e abandonar o cargo em janeiro. Joseph Muscat já pediu ao Partido Trabalhista, formação que dirige, para que proceda à escolha de um novo líder a partir de 12 do próximo mês. O nome do líder do governo maltês apareceu na investigação do assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia em outubro de 2017. "O meu tempo acabou", afirmou Joseph Muscat num discurso televisivo transmitido pela TVM maltesa.

Há vários dias que a população se manifestava nas ruas pela demissão do líder do governo maltês. Horas antes do anúncio do anúncio de demissão, milhares de pessoas protestaram em La Valeta, capital da ilha mediterrânica, com grupos como Repubblika, Occupy Justice e Manuel Delia, e onde estavam também os pais de Caruana Galizia. Durante o percurso, cartazes a culpabilizar a máfia e a exigir justiça podiam ser vistos nas mãos dos participantes.

O primeiro-ministro tinha prometido demitir-se se o empresário Yorgen Fenech, que foi detido a 21 de novembro pelo crime, fosse acusado, o que veio a acontecer este sábado. Fenech acabou por implicar no assassinato o chefe de gabinete de Muscat, Keith Schembri, com quem tinha negócios através de empresas sediadas no Panamá ou no Dubai, revelou esta segunda-feira o El País. Schembri, que renunciou ao cargo, foi detido e interrogado antes de ser libertado pelos juízes, na ausência de indícios que o apontassem como responsável. Domingo pela manhã, os deputados do Partido Trabalhista manifestaram-se solidários com o primeiro-ministro depois de uma reunião de emergência.

O assassinato de jornalista Caruana Galizia aconteceu em outubro de 2017 depois de um engenho explosivo ter rebentado dentro do seu veículo. Há três acusados na prisão à espera de julgamento por terem colocado a bomba que pôs fim à vida da jornalista que investigou e denunciou casos de corrupção envolvendo, alegadamente, membros do governo de Muscat, incluindo Schembri.

Uma investigação da Reuters revelou em 2018 que Yorgen Fenech era proprietário de uma empresa secreta chamada 17 Black, que é mencionada como um veículo para financiar empresas secretas no Panamá pertencentes a Schembri e Konrad Mizzi, que era ministro do Turismo e que também renunciou na sequência deste caso. 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas