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Equador a ferro e fogo declara estado de exceção
Mundo 2 min. 04.10.2019

Equador a ferro e fogo declara estado de exceção

Equador a ferro e fogo declara estado de exceção

Foto: AFP
Mundo 2 min. 04.10.2019

Equador a ferro e fogo declara estado de exceção

Bruno Carlos AMARAL DE CARVALHO
Bruno Carlos AMARAL DE CARVALHO
Governo equatoriano declara estado de exceção ante motins por todo o país contra pacote medidas que inclui o aumento dos preços dos combustíveis e redução de dias de férias para metade.

"Aqueles que violam a lei devem ser presos",  esta foi a resposta de Lenín Moreno, presidente do Equador, ao descontentamento popular nas ruas de Quito e Guayaquil. O chefe do governo equatoriano viu os ânimos inflamarem-se depois do anúncio de um pacote de medidas que inclui o aumento dos preços dos combustíveis, o corte em 20% dos salários na renovação dos contratos a prazo, a redução dos dias de férias de 30 para 15 e a contribuição mensal de um dia de salário por parte dos funcionários públicos.

Os protestos não se fizeram esperar e houve confrontos com a polícia durante a paralisação das empresas de transportes que recusam o aumento dos preços dos combustíveis com Lenín Moreno a tratar os responsáveis pelas mobilizações de "golpistas".

Com a proliferação da violência com motins e saques de vários estabelecimentos comerciais, o presidente equatoriano declarou o estado de exceção para ampliar o uso da força e o recurso ao exército para garantir a paz social.

A decisão limita o direito de reunião e a liberdade de trânsito e a polícia e as forças armadas estão a ser mobilizadas para todo o país. Os ministros da Defesa e do Governo, Oswaldo Jarrín e María Paula Romo, anunciaram que vão impedir o bloqueio de estradas através da suspensão dos direitos públicos contra tudo o que altere a ordem, a paz e as atividades laborais do país.

O governo tinha anunciado na noite de quarta-feira a suspensão das atividades letivas por prever um aumento da tensão. "A decisão tomada pelo governo é fundamental para o presente e para o futuro do Equador e vamos defendê-la", afirmava um comunicado oficial. "Se necessário, invocaremos as normas constitucionais e legais que proíbem a paralisação dos serviços públicos", alertou o órgão de comunicação da presidência.

A retirada dos subsídios que garantiam preços mais baixos nos combustíveis é outra das razões da indignação que percorre as ruas das principais cidades do Equador. Erik Bozo, economista do país sul-americano, afirmou que "nos mais de 40 anos em que estes subsídios estiveram em vigor, nenhum governo, nem mesmo o mais neoliberal dos anos 90, ousou removê-los completamente, devido ao sério efeito que poderiam ter na dinâmica macroeconómica do país".

Para o economista, o aumento do combustível poderia produzir vários cenários: a subida generalizada da inflação, a redução da capacidade aquisitiva da população e o aumento do desemprego.

O governo equatoriano acusa ainda os apoiantes de Rafael Correa de estarem por trás dos protestos. O ex-presidente encontra-se na Europa e acusa Lenín Moreno de perseguição política.

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