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Emanuela continua a ser um dos grandes mistérios de Itália
Mundo 4 min. 12.07.2019

Emanuela continua a ser um dos grandes mistérios de Itália

Emanuela continua a ser um dos grandes mistérios de Itália

AFP
Mundo 4 min. 12.07.2019

Emanuela continua a ser um dos grandes mistérios de Itália

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Ontem, dia 12, foram abertos os túmulos de duas princesas, no Vaticano, à procura dos restos mortais da italiana, desaparecida em 1983. Não estavam lá. Nem os ossos das princesas!

O desaparecimento da adolescente Emanuela Orlandi, em Roma, então com 15 anos, em 1983, e que até hoje não foi encontrada, as cartas anónimas e as pistas que ligam o caso ao Vaticano, à máfia e a assassinos do Papa fazem da história um dos grandes mistérios de Itália. Ainda por resolver e que ontem ganhou novas personagens.

Depois de uma grande batalha, a família de Orlandi que nunca deixou de investigar o seu desaparecimento conseguiu que o Vaticano autorizasse as exumações dos túmulos de duas princesas alemãs, situados no cemitério dentro da Santa Sé, onde poderiam estar os restos mortais da adolescente italiana desaparecida há 36 anos quando saia de casa para uma aula de música.

Uma carta anónima enviada à família dizia para procurar no cemitério Teutônico, no Vaticano, junto de uma estátua de um anjo com um livro “descansa em paz”, descreve o The Guardian. A estátua estava nos túmulos das princesas.

 Na quinta-feira de manhã, dia 11, foram abertos os túmulos das princesas Sophie von Hohenlohe, que morreu em 1836, e Carlotta Federica de Mecklenburg, falecida em 1840, e o que se descobriu deixou todos quanto ali estavam incrédulos.

Não havia sinal de restos ou ossadas de Emanuela. Nem das princesas. Os túmulos estavam vazios.

O mistério adensa-se. Ao invés de uma jovem desaparecida, existem agora duas princesas também desaparecidas. Ninguém sabe onde estão os seus restos mortais que deveriam estar ali enterrados, como confirmou a Santa Sé.

“Os funcionários tiraram a laje do primeiro túmulo, cavaram cerca de 30 centímetros e descobriram que havia um caixão por baixo, mas que também estava vazio!”, contou Pietro Orlandi, irmão de Emanuela, que acompanhou os trabalhos da equipa de 15 especialistas, na manhã de quinta-feira, a par com o promotor de justiça e do comandante da Guarda do Vaticano.

“Depois passámos para o segundo túmulo, um sarcófago. Mas também estava completamente vazio!”, disse.

Para Pietro Orlandi foi uma grande deceção as buscas terem sido em vão. Este italiano que continua a tentar resolver o mistério do desaparecimento da sua irmã colocou todas as esperanças nestes túmulos, no Vaticano. 

A família recebeu uma “carta anónima” a indicar os túmulos e outros “relatórios detalhados”. “Também fomos informados de que, tal como o local de enterro de Emanuela, também há pistas dentro do Vaticano”, vincou à imprensa italiana desolado Pietro Orlandi, de 60 anos. E questionou: “Porque é que todas essas pessoas nos encaminharam para lá? As famílias das princesas sabiam que não havia corpos? Onde é que estão?”

"Até não encontrar o corpo da Emanuela, para mim é um dever procurá-la viva", declarou à CNN o irmão, na véspera da abertura dos túmulos. “Mesmo que nada seja encontrado, a história não pode acabar", disse. E foi o que aconteceu.

As pistas falsas e as estranhas ligações ao caso

Já no ano passado, conta o jornal The Guardian viveu-se momentos de esperança e entusiasmo na imprensa italiana quando foram descobertas ossadas no solo da embaixada do Vaticano, em Roma, durante obras de restauração. Suspeitou-se que poderiam pertencer a Emanuela ou a outra adolescente Mirella Gregori, que desapareceu também em Roma, com 40 dias de diferença. Para muitos a história de ambas estará ligada. Realizaram-se testes de ADN e estes deram negativos. A família voltou à estaca zero.

No ano passado, os ossos encontrados durante o trabalho no solo na embaixada do Vaticano em Roma provocaram um frenesi na mídia sugerindo que eles poderiam pertencer a Emanuela ou a Mirella Gregori, outra adolescente que desapareceu em 1983. Testes de DNA voltaram negativos.

Ao longos dos anos têm sido várias as teorias ligadas ao desaparecimento de Emanuela, cujo pai era funcionário do Vaticano. Na noite em que desapareceu uma testemunha contou que tinha visto uma menina com o perfil de Emanuela entrar num BMW verde próximo da escola de música. Nunca encontraram o carro.

Também se conta que nos dias a seguir ao desaparecimento da adolescente teria sido feito um telefonema anónimo por um grupo de apoio ao turco Mehmet Ali Agca, que tentou assassinar o Papa João Paulo II, em 1981. Caso o Vaticano libertasse Ali Agca, eles entregariam Emanuela.

Em 2012, ligaram o caso da jovem à Mafia. Em 2012, outro túmulo no Vaticano foi revistado. O do mafioso Enrico 'Renatino' De Pedis, enterrado na basílica de Sant’ Apollinare, pois as pistas direcionaram-se para lá. As autoridades não encontraram nada.

Apesar de mais este revés Pietro Orlandi vai continuar a procurar a verdade sobre o que aconteceu naquela noite à sua irmã Emanuela, de 15 anos.