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Em Ibiza a pandemia está a fazer estragos
Mundo 3 min. 03.08.2020

Em Ibiza a pandemia está a fazer estragos

Em Ibiza a pandemia está a fazer estragos

Foto: AFP
Mundo 3 min. 03.08.2020

Em Ibiza a pandemia está a fazer estragos

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A ilha espanhola, habitualmente conhecida por acolher os DJs mais famosos do mundo não pode dançar este verão devido à pandemia. Setor representa mais de 35% do PIB da ilha.

(Edição de Catarina Osório)

Privado dos seus 6.000 clientes habituais e das longas noites de música, o clube  Hï Ibiza é agora um enorme espaço escuro e silencioso. A ilha espanhola, habitualmente conhecida por acolher os DJs mais famosos do mundo não pode dançar este verão devido à pandemia. 

As autoridades regionais das Baleares só permitiram a abertura de pequenas discotecas com uma capacidade máxima de 300 pessoas. Mas apenas para uma bebida e os clientes estão proibidos de dançar na pista. As grandes discotecas, outra das marcas da ilha espanhola, vivem dias difíceis esta temporada de férias, apesar de concordarem com as medidas impostas: "Quando se grita, a saliva pode alcançar um raio de dois metros. Quem é que consegue manter a distância numa discoteca?", questiona José Luis Benitez, diretor da associação Ocio de Ibiza, que representa o setor da vida nocturna na ilha. 

Em Maiorca, a maior ilha das Baleares, uma associação de profissionais do pensou em "colocar marcas no chão onde as pessoas deviam permanecer para dançar. Mas como se faz isso se se gosta de alguém?", acrescenta. 

Medo de sujar a marca Ibiza

O impacto económico do encerramento dos bares e discotecas é algo nunca visto, para um setor que representa "mais de 35% do PIB da ilha" e que gera várias centenas de milhões de euros por ano, acrescenta Benitez. Mas os proprietários de discotecas parecem resignados com o facto de preferirem evitar qualquer risco. "Tenho de ser responsável", diz Yann Pissenem, co-proprietário francês do Hï Ibiza, um dos maiores clubes da ilha, que admite que se as discotecas fossem abertas, arriscar-se-iam a "criar focos de infeção por todo o lado" e a "matar tudo o resto". 

"Podem tentar (abrir) agora, para fazer algum dinheiro", diz Benitez, referindo-se aos poucos clubes que furaram a proibição. "Mas vai obrigar-vos a fechar tudo, terão problemas" se houver um surto de casos e, "no próximo ano a marca Ibiza ficará manchada devido a estes casos", adverte. 

A paragem da vida noturna sente-se em toda a ilha. Nas praias, os vendedores de rua para as entradas nos clubes deram lugar a vendedores de gelados e bebidas com uma clientela mais familiar, enquanto que à beira da estrada, grandes painéis publicitários ainda anunciam festas com DJs mundialmente conhecidos que foram colocados antes da pandemia. E no porto da cidade de Ibiza, apenas a loja de lembranças da mítica discoteca Pacha está aberta. 

"Festas fazem falta"

As restrições à vida noturna foram suficientes para intimidar a vinda de turistas desde a abertura de fronteiras no final de junho. "É a nossa primeira viagem a Ibiza e pensámos que haveria festas, embora o vírus ainda aqui esteja, por isso estamos um pouco tristes", lamenta Mirkan Unvar, 19 anos, que veio de Frankfurt com um amigo. 

Para Adam Clark-Bennett, um britânico de 23 anos que vem a Ibiza desde os seis anos de idade, "a música é uma parte super importante de Ibiza, e sem os clubes, a ilha não é a mesma este verão". "Às duas horas da manhã, não há ninguém, pensámos que as pessoas ficariam nas ruas", lamenta Lucas Hervé, um francês que veio de Nantes com um amigo. 

A única memória da alma festiva da ilha são os festeiros que circulam em carros com janelas abertas e rádio nas alturas. Após a estação branca, Ibiza espera poder recuperar rapidamente as noites perdidas, sem medidas sanitárias. "Gel desinfetante, vitrinas protetoras, medição da temperatura à porta... Nem quero pensar nisso de momento porque tenho muita fé numa vacina (...) Espero realmente que possamos trabalhar brevemente no volume máximo", acredita um dos donos do Hï Ibiza,  Yann Pissenem.

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