Escolha as suas informações

Eleições regionais na Alemanha representam desafio sério ao governo de Scholz
Mundo 3 min. 14.05.2022
Política

Eleições regionais na Alemanha representam desafio sério ao governo de Scholz

Thomas Kutschaty, líder do SPD da Renânia do Norte (à esquerda) com o chanceler Olaf Scholz.
Política

Eleições regionais na Alemanha representam desafio sério ao governo de Scholz

Thomas Kutschaty, líder do SPD da Renânia do Norte (à esquerda) com o chanceler Olaf Scholz.
Foto: AFP
Mundo 3 min. 14.05.2022
Política

Eleições regionais na Alemanha representam desafio sério ao governo de Scholz

Lusa
Lusa
Com um índice de popularidade desgastado pela atuação da Alemanha em relação à guerra na Ucrânia, o líder do executivo formado pela 'coligação semáforo' (Partido Social Democrata, Verdes e Liberais), espera poder ganhar o escrutínio do próximo domingo e reforçar o seu poder.

O estado federado da Renânia do Norte-Vestefália, o mais populoso da Alemanha, tem eleições marcadas para domingo, com uma possível vitória da União Democrata-cristã (CDU) a desafiar seriamente o governo de Olaf Scholz.

Com um índice de popularidade desgastado pela atuação da Alemanha em relação à guerra na Ucrânia, o líder do executivo formado pela 'coligação semáforo' (Partido Social Democrata, Verdes e Liberais), espera poder ganhar o escrutínio do próximo domingo e reforçar o seu poder.

Martin Kessler, editor de política do jornal Rheinische Post, com sede em Dusseldorf, capital da Renânia do Norte-Vestefália, esclarece que esta ida às urnas é vista como “uma espécie de amostra de uma eleição federal”.

“Podemos perceber qual a inclinação dos alemães, e funciona como um teste ao nível nacional, ainda que o próximo escrutínio geral só aconteça daqui a quatro anos”, revelou, em declarações à agência Lusa, acrescentando que o Partido Social Democrata alemão (SPD) está, nesta altura, “em declínio”.


Eurodeputados imploram a Scholz que lidere embargo ao petróleo russo
A pressão para a União Europeia parar de importar combustíveis russos está a aumentar, enquanto se prepara um sexto pacote de sanções contra Putin. Esta semana um grupo de eurodeputados de quase todo espectro político pediu ao chanceler alemão Scholz para “estar do lado certo da História”.

“Principalmente porque Scholz ainda não explicou a situação dramática em que nos encontramos. Deu um fantástico discurso a 27 de fevereiro, mas desde então tem estado em silêncio, protelando o envio de armas pesadas à Ucrânia. No dia 8 de maio voltou a falar (…) e estou completamente de acordo com o que disse, mas o tom do seu discurso não foi empático, e isso pode ser um problema para ele”, salientou.

O atual governo da Renânia do Norte-Vestefália é formado por uma coligação entre a CDU e os Liberais do FDP.

De acordo com a última sondagem, apresentada, esta quinta-feira, pelo instituto INSA, a CDU, partido da antiga chanceler Angela Merkel, deverá vencer as eleições com 32%, com o SPD em segundo lugar (28%), seguido dos Verdes (16%).

“O SPD está interessado em vencer para mostrar que os sucessos das eleições no parlamento e na região do Sarre não foram exceção, mas que todos têm de contar com o SPD no desenvolvimento futuro da política alemã”, sustentou o politólogo Lothar Probst à Lusa.


O chanceler alemão Olaf Scholz.
Berlim avisa que consequências da guerra vão durar 100 anos
A Ucrânia terá de “lutar durante 100 anos” contra as consequências da atual guerra, alertou hoje o chanceler alemão, Olaf Scholz, traçando um paralelo com os efeitos da II Guerra Mundial no seu país.

“Por outro lado, a CDU quer mostrar que o que aconteceu na região de Schleswig-Holstein (onde a CDU venceu as eleições no fim de semana passado) não foi exceção, e que os conservadores estão de volta ao palco. Também para Friederich Merz, o resultado das eleições da Renânia do Norte-Vestefália é importante para sublinhar a sua posição de líder do partido”, adiantou.

Mais do que um impacto regional, Martin Kessler realça as “implicações na forma de encarar a política em todo o país”.

“Se a CDU vencer, a 'coligação semáforo', que atualmente governa, terá de aprender a cooperar mais com os democratas-cristãos. Se o SPD vencer, então o governo sairá reforçado”, apontou, acrescentando que o executivo atual “não tem feito um mau trabalho” em relação à guerra na Ucrânia, questões ambientais, crise energética e a pandemia de covid-19.

Lothar Probst duvida que Olaf Scholz mude a sua política depois das eleições na Renânia do Norte-Vestefália, um dos centros industriais do país, “particularmente no que diz respeito à guerra ucraniana”.

“Eventualmente, irá melhorar o seu estilo de comunicação com o público se as eleições acabarem por derrotar o seu partido”, antecipa o politólogo alemão.

As eleições para escolher o 18º governo federal da Renânia do Norte-Vestefália estão marcadas para domingo.

 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Eleições na Alemanha
Após 16 anos de reinado de Merkel, a Alemanha acordou esta segunda-feira vulnerável, dividida. E confusa. Os alemães distribuíram os votos por todo o espectro político numa tentativa de eleger aquele que será o próximo governo da República Federal. As negociações pós eleitorais prometem ser duras e demoradas.