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Fim de uma era em Israel. Benjamin Netanyahu sai do poder, 12 anos depois
Mundo 15 4 min. 14.06.2021
Eleições

Fim de uma era em Israel. Benjamin Netanyahu sai do poder, 12 anos depois

Benjamin Netanyahu
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Fim de uma era em Israel. Benjamin Netanyahu sai do poder, 12 anos depois

Benjamin Netanyahu
AFP
Mundo 15 4 min. 14.06.2021
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Fim de uma era em Israel. Benjamin Netanyahu sai do poder, 12 anos depois

Lusa
Lusa
O parlamento de Israel aprovou um novo Governo de coligação, significando isso a destituição de Benjamin Netanyahu, há 12 anos no poder, do cargo de primeiro-ministro. O homem que liderará o país será o seu rival, Naftali Bennett.

O Parlamento de Israel votou a favor de um novo governo de coligação que será liderado por Naftali Bennett. A votação — com 60 votos a favor e 59 contra — significa o fim do reinado político de Benjamin Netanyahu e estabelece também um ponto final quanto aos últimos dois anos de paralisia que têm afetado o país, sujeito a quatro eleições diferentes.

Naftali Bennett, um antigo aliado de Netanyahu que hoje é um acirrado rival, vai ser o novo primeiro-ministro, presidindo uma frágil coligação governamental constituída por oito partidos diferentes com profundas clivagens ideológicas entre si. Sendo um radical de direita, terá como braço direito o centrista Yair Lapid.

Após a votação, Netanyahu — que se manteve sentado em silêncio durante o voto — levantou-se, cumprimentou Bennett e sentou-se na cadeira de líder da oposição no parlamento. O agora ex-primeiro ministro já tinha dito antes da votação que manter-se-ia líder do Likud, o seu partido, mesmo que abandonasse o Governo.

“Se o nosso destino é estar na oposição, fá-lo-emos de cabeça erguida, derrubaremos esse mau governo e voltaremos a liderar o país à nossa maneira”, garantiu Netanyahu num discurso perante o Knesset, antes da votação.

"Bennett e os seus amigos fazem parte de uma falsa direita e as pessoas sabem disso muito bem", disse Netanyahu, elogiando os "sucessos" do seu governo, destacando em particular os acordos para normalizar as relações com os países árabes, e "operações estrangeiras" incluindo a de 2018 que, em sua opinião, permitiu ao Estado judeu apreender arquivos nucleares iranianos.

Netanyahu, de 71 anos, está a ser julgado há um ano por acusações de corrupção. Os protestos a pedir a sua renúncia continuaram até agora, o último deles tendo ocorrido na noite de sábado.

Em frente da sua residência oficial em Jerusalém, os manifestantes não esperaram a votação no Parlamento para celebrar a "queda" do "rei Bibi", o apelido de Netanyahu, que foi chefe de governo de 1996 a 1999 e sem interrupção desde 2009.

Transição pacífica

A nova coligação será liderada por Naftali Bennett, chefe do partido de direita Yamina, pelos primeiros dois anos, e depois por Yair Lapid por um período equivalente.

Nos últimos dias houve uma intensa campanha para dissuadir os deputados do Yamina de votar no novo governo.

Em qualquer caso, o Likud de Netanyahu comprometeu-se a uma "transição pacífica de poder" após mais de dois anos de crise política com quatro eleições, cujos resultados não permitiram a formação de um governo ou levaram a uma união nacional que durou apenas alguns meses.

Depois das últimas legislativas em março, a oposição uniu-se contra Netanyahu e surpreendeu ao conquistar o apoio do partido árabe-israelita Raam, do islamista moderado Manssur Abbas.

"O governo trabalhará para toda a população, religiosa, laica, ultraortodoxa, árabe, sem exceção", prometeu Bennett. "A população merece um governo responsável e eficaz que coloque o bem do país em primeiro lugar nas suas prioridades", acrescentou Lapid, que deve se tornar ministro das Relações Exteriores.

A coligação comprometeu-se a realizar uma investigação sobre a debandada do Monte Merón (45 ortodoxos mortos), reduzir o "crime" nas cidades árabes e defender os direitos das pessoas LGBT. Mas também visa fortalecer a presença israelita na área C da Cisjordânia, ou seja, sobre a qual Israel tem total controle militar e civil e que representa cerca de 60% desse território palestiniano ocupado desde 1967.

Não faltarão desafios para o novo governo, como uma marcha planeada para esta terça-feira pela extrema direita israelita em Jerusalém Oriental, um setor palestiniano ocupado por Israel.

O movimento islâmico Hamas, no poder em Gaza, um enclave palestiniano sob bloqueio israelita, ameaçou retaliar se essa marcha acontecer perto da Esplanada das Mesquitas, num contexto de extrema tensão sobre a colonização israelita em Jerusalém.

Em 10 de maio, o Hamas disparou uma salva de foguetes contra Israel em "solidariedade" aos palestinianos feridos em confrontos com a polícia israelita em Jerusalém, levando a um conflito de 11 dias.

O conflito terminou graças a um cessar-fogo promovido pelo Egito, mas as negociações para chegar a uma trégua sustentável falharam. Resolvê-lo será outro desafio do executivo.

O primeiro-ministro cessante ficará exposto, segundo a imprensa local, a uma rejeição dentro do Likud, porque alguns dos seus deputados também querem virar a página para a era Netanyahu no partido.

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