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Efeito Omicron faz repensar vacinação obrigatória, diz perito austríaco
Mundo 5 min. 12.01.2022
Fim da pandemia?

Efeito Omicron faz repensar vacinação obrigatória, diz perito austríaco

Fim da pandemia?

Efeito Omicron faz repensar vacinação obrigatória, diz perito austríaco

Foto: AFP
Mundo 5 min. 12.01.2022
Fim da pandemia?

Efeito Omicron faz repensar vacinação obrigatória, diz perito austríaco

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O epidemiologista Gerald Gartlehner, da Áustria, acredita que a vaga Omicron vai aumentar muito a imunidade coletiva, por isso, questiona a necessidade de se avançar já para a vacinação obrigatória. No Luxemburgo pede-se cautela com esta imunidade natural.

O Governo austríaco quer avançar com a vacinação obrigatória anticovid de toda a população com mais de 14 anos já em fevereiro. A aprovação desta nova lei pode ser votada já no próximo dia 21. Contudo, o organismo responsável pela execução da medida na Áustria, o ELGA GmbH, anunciou que só em abril será possível iniciar esta vacinação obrigatória. Até ao momento, a Áustria é o primeiro país a querer a impor a obrigatoriedade geral da vacina contra a covid-19.

Ao mesmo tempo que vários países debatem a vacinação obrigatória, como o Luxemburgo, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) considera que graças à contagiosidade da variante Omicron, a Europa está finalmente a caminhar para o fim da pandemia, entrando na fase endémica. A EMA questiona mesmo a necessidade da quarta dose de reforço.

Vacinação obrigatória geral?

Para o epidemiologista Gerald Gartlehner, da Universidade do Danúbio Krems, na Áustria, a introdução para breve desta medida "deve ser repensada" porque a vaga Omicron irá produzir um grande aumento da imunidade coletiva. O Governo deve esperar para perceber se com a imunidade natural gerada pelas infeções da Omicron, a mais contagiosa, se continuará a justificar a "vacinação obrigatória de toda a população do país", vincou Gerald Gartlehner numa entrevista à estação de televisão pública austríaca.

Após a vaga da Omicron teremos um aumento da imunidade na população “como nunca tivemos até agora", perspetivou o prestigiado epidemiologista , aconselhando calma na adoção da vacinação obrigatória universal para já.

No Luxemburgo, o cientista Paul Wilmes, porta-voz da task force covid, confirmou ao Contacto que "a rápida propagação da Omicron conduzirá a um aumento significativo da imunidade coletiva". Contudo, ainda é cedo para perceber se esta variante é apenas mais contagiosa e menos grave, como parece. 

"Como as relações entre números de casos, hospitalizações e, o que é importante, ocupações das unidades de cuidados intensivos, bem como mortes, não são atualmente totalmente claras, o custo global de deixar a Omicron seguir o seu curso é realmente pouco claro e pode potencialmente levar a uma sobrecarga completa dos sistemas de saúde, incluindo através de profissionais de saúde infetados e não capazes de trabalhar como se viu no Reino Unido", precisa o cientista luxemburguês.

Atualmente, o foco do combate à covid-19 tem de estar na "limitação das infeções, bem como na vacinação e no reforço, pelo menos até sabermos se, de facto, as infeções com Omicron levam a um número significativamente menor de casos graves".

Por outro lado, continuam a surgir novas variantes do SARS-CoV-2, a própria Omicron "já tem subvariantes e pode surgir uma variante ainda mais infeciosa e, no pior dos casos, contra a qual as vacinas se podem revelar ineficazes", alerta ainda Paul Wilmes. 

Fim da pandemia?

Mais de metade da população europeia deverá ser contaminada pela variante Omicron nas próximas seis a oito semanas, ou seja, até março, estimou Hans Kluge, o diretor da Organização Mundial de Saúde para a Europa. Só na primeira semana de janeiro o continente europeu registou mais de sete milhões de novos casos, o dobro do notificado nos quinze dias anteriores.


OMS prevê que, "a este ritmo" de infeção, mais de 50% dos europeus serão infetados com a Omicron "dentro das próximas seis a oito semanas".
Mais de 50% dos europeus serão infetados pela Omicron em dois meses
OMS prevê que, "a este ritmo" de infeção, mais de 50% dos europeus serão infetados com a Omicron "dentro das próximas seis a oito semanas".

Esta alta contagiosidade da variante poderá significar o fim da pandemia no velho continente, permitindo que a covid-19 se transforme finalmente numa doença endémica.

"Ainda estamos numa pandemia" mas com o "aumento da imunidade na população e com a Omicron haverá muita imunidade natural a ocorrer para além da vacinação, pelo que estaremos rapidamente a caminhar para um cenário que estará mais próximo da endemicidade", declarou Marco Cavaleri, chefe da estratégia das vacinas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). O responsável, que presidiu ontem à primeira conferência de imprensa do ano da EMA, realçou que a Europa pode começar a ver a luz ao fundo do túnel mas ainda não é para já. "O vírus continua a comportar-se como um vírus pandémico".

O que significa a fase endémica? "Endémica significa que uma doença é regularmente encontrada dentro de uma população. Atualmente, é muito pouco provável que a covid-19 seja erradicada rapidamente como doença. Em vez disso, tornar-se-á endémica e poderá apresentar um comportamento sazonal como a gripe", explica Paul Wilmes. Ou seja, a covid-19 transformar-se-á numa doença como a da gripe.

Perigo do reforço sucessivo

Apesar dos estudos na África do Sul e no Reino Unido revelarem que a dose de reforço possui uma proteção de cerca de 90% contra a Omicron, o chefe da estratégia de vacinas do regulador europeu questionou mesmo a administração de sucessivos reforços, a cada três ou quatro meses, que em seu entender vai trazer "problemas na resposta imunitária" que poderá enfraquecer.

Por isso, há que avaliar primeiro a eficácia da quarta dose. Há que ter cuidado "para não sobrecarregar o sistema imunitário com imunização repetida", pediu o responsável salientando ainda que do ponto de vista social a administração contínua de doses de reforço pode conduzir a um "risco de fadiga das populações". No seu entender uma quarta dose poderá ser pensada apenas para os grupos de risco e pessoas mais vulneráveis à doença.

Com a transição para a fase endémica, "o reforço deve ser sincronizado com a chegada do tempo frio em cada hemisfério como sucede atualmente com a vacina da gripe", vincou. Ou seja, tal como com a vacina da gripe a da covid-19 poderá ser administrada anualmente para reforçar a imunidade e de acordo com a variante que deverá dominar nessa estação.

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