Escolha as suas informações

Editorial. Quando é que isto vai acabar?
Editorial Mundo 3 min. 29.07.2020

Editorial. Quando é que isto vai acabar?

Editorial. Quando é que isto vai acabar?

Ilustração: Florin Balaban
Editorial Mundo 3 min. 29.07.2020

Editorial. Quando é que isto vai acabar?

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Esta pode também ser a oportunidade para mudar de vida e mudar o mundo. Pressinto que senão tomarmos a iniciativa de o fazer, a realidade vai fazer isso por nós. E podemos não gostar do resultado.

 Milhões de pessoas infetadas tentam subir os muros que protegem a entrada numa cidade sitiada. O único sítio seguro do mundo é um barco da Organização das Nações Unidas, que navega nos oceanos, onde só os funcionários essenciais podem entrar. O nosso dia a dia começa a fazer-me lembrar este cenário dantesto apresentado no filme World War Z, protagonizado por Brad Pitt há uns anos, e que tanto me impressionou. Depois há o sanatório cujo quotidiano é descrito magistralmente no “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago. Um local para onde eram enviadas todas as vítimas infetadas com a epidemia da cegueira. Isto faz-lhe lembrar alguma coisa? Há também o conceito da sociedade do “grand renferment” teorizada pelo filósofo Michel Foucault. Em que a liberdade de movimentos é limitada em nome da biopolítica.

Estaremos muito longe destas realidades? Retrato de sociedades distópicas, sem interação humana, e em que só uma elite fica a salvo de um qualquer vírus, comuns em tantos livros e filmes de ficção científica começam a aproximar-se assustadoramente. Estará o planeta a caminhar a passos largos para uma sociedade assim?

Certo é que uma segunda vaga da covid-19 surgiu no Luxemburgo e em muitos outros países. Já há mais de 654 mil vítimas mortais e 16,5 milhões de infetados com covid-19 no planeta. Só no Grão- Ducado, o número de contaminados pode chegar aos 600 por dia, revelam as previsões que pode ler no artigo da jornalista Teresa Camarão que publicamos esta semana. E a pandemia não parece ter fim à vista, pelo menos nos meses mais próximos.

E depois há as cenas dos próximos capítulos da crise económica que só está a começar. “Ainda estamos nos dez primeiros minutos de um jogo que ainda vai durar noventa” respondeu-me o responsável pela associação que representa as empresas do Luxemburgo, Nicolas Buck, quando lhe perguntei sobre as consequências da crise do coronavírus nas empresas luxemburguesas.

Para já são os transfronteiriços que estão a ser mais afetados pelo desemprego. E os jovens. Surpreendentemente, o Luxemburgo tem a terceira mais elevada taxa de desemprego jovem na Europa, revela a OCDE.

E há ainda muito que esperar pela retoma.

Só em 2023 é que os setores da aviação e do turismo poderão ter os primeiros sinais de recuperação, revela um artigo publicado esta semana na Economist. E o mundo não vai voltar a ser o mesmo.

Mas esta pode também pode ser a oportunidade para mudar de vida e mudar o mundo, salientava a diretora do Courrier International, Claire Carrad, numa edição especial dedicada ao tema “Repensar o mundo”.

Pressinto que senão tomarmos a iniciativa de mudar, a realidade vai fazer isso por nós. E podemos não gostar do resultado.

A violência racista continua

De Portugal chegam notícias de mais uma morte resultado de um ato racista. Quando é que isto vai acabar? É preciso mudar as mentalidades e transformar a sociedade portuguesa num verdadeiro ecossistema multicultural em que todos respeitem a diferença. É isso que diz o representante da Amnistia Internacional à jornalista Ana Tomás na reportagem que publicamos sobre o assassinato do ator Bruno Candé, em Moscavide.

Roteiro de férias cá dentro

Por causa da pandemia muitos dos nossos leitores vão, este ano, adiar as tão desejadas férias em Portugal. O Contacto sugere alternativas para quem vai ficar pelo Luxemburgo. O jornalista Ricardo J. Rodrigues foi descobrir cinco rotas espetaculares que não pode perder para conhecer a maravilhosa paisagem do Grão-Ducado. Viagens por estradas em que há muitos inesperados para descobrir. Um roteiro a não perder, na última edição do Contacto antes das férias. Voltamos em Setembro. Até lá não perca toda a atualidade em www.contacto.lu. 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

António Gamito, novo embaixador de Portugal: "Votar nas comunais já é um passo importante"
Recém-chegado ao Grão-Ducado, mas com muita experiência internacional, António Gamito não considera que o voto nas legislativas para os estrangeiros seja um tema do momento. Quanto à questão da indexação salarial para os funcionários, refere que vai “tentar resolver com Lisboa”. E, além da proximidade que pretende manter com a comunidade portuguesa, vem preparado para reforçar o relacionamento bilateral.