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É urgente acabar com esta barbárie
Editorial Mundo 3 min. 25.08.2021
Afeganistão

É urgente acabar com esta barbárie

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É urgente acabar com esta barbárie

Foto: AFP
Editorial Mundo 3 min. 25.08.2021
Afeganistão

É urgente acabar com esta barbárie

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
As imagens arrepiantes de pessoas a tentarem pendurar-se em aviões a levantar voo no aeroporto de Cabul são apenas um dos sinais do desespero que está instalado no Afeganistão.

Uma mulher e o seu bebé estavam em risco. Era preciso fazer uma cesariana para os salvar. O único médico disponível era homem. O marido não autorizou que a cirurgia fosse feita, porque a mulher não podia ser tocada por um homem. A mãe e o bebé acabaram por morrer. A história passou-se no Paquistão, mas podia acontecer no Afeganistão, ou em qualquer outro país que aplique a sharia, lei islâmica, de uma forma fundamentalista. Milhões de meninas, raparigas e mulheres continuam a estar em risco todos os dias, em nome de interpretações radicais de leis religiosas. É preciso acabar com estes atos bárbaros que são cometidos contra as mulheres, todos os dias.


“É como estarmos mortas, apenas a respirar”
São refugiados afegão que vivem no Luxemburgo. Contam o que viveram e sentiram nestes dias em que os taliban retomaram o poder no Afeganistão. Por razões de segurança e para evitar eventuais represálias sobre as suas famílias mantemos o seu anonimato. Dizem que se a comunidade internacional nada fizer o país vai viver uma “catástrofe”.

As imagens arrepiantes de pessoas a tentarem pendurar-se em aviões a levantar voo no aeroporto de Cabul são apenas um dos sinais do desespero que está instalado no Afeganistão. Mas nessas filmagens não apareciam nem raparigas, nem mulheres. Elas estão a ser deixadas para trás. Há milhões de mulheres afegãs assustadas, fechadas nas suas casas e que não saem porque têm medo de morrer. É o que relata ao Contacto, Sara, uma refugiada afegã, ativista dos direitos das mulheres e que vive no Luxemburgo há três anos. A mãe e as três irmãs estão fechadas em casa desde que os taliban tomaram o poder. Não podemos dizer o seu verdadeiro nome, nem a província de onde é originária porque se for identifica poderá ver a sua família perseguida pelos taliban na sua terra natal. Para as mulheres viverem sob um regime taliban “é como estarmos mortas, apenas a respirar”, diz. Não acredita que alguma vez possa voltar ao seu país. Não acredita nesta nova versão atualizada que os taliban tentam fazer passar nos media internacionais. O pior ainda está para vir num país que se aproxima, à velocidade da luz, para uma catástrofe humanitária, prevê.

Já a estudante afegã Aisha Khurram escreveu no dia 15 de agosto numa rede social: “O caos apenas começou …Alguns professores despediram-se das suas alunas quando todos foram evacuados da Universidade de Cabul esta manhã … e talvez não vejamos a nossa conclusão do curso como milhares de alunos em todo o país. Os taliban estão espalhados por toda a cidade, apenas esperando o momento certo…”, escreve num tweet publicado na imprensa brasileira. Mas há muitos mais relatos de jovens afegãs que estão a ser divulgados nos media internacionais. Como o testemunho de uma jovem afegã, publicado no jornal The Guardian que relata que as mulheres estão a ser obrigadas a deixar os seus trabalhos, as suas escolas e universidades.


Comissão dos Direitos do Homem pede ao Governo para apoiar refugiados afegãos
Gilbert Pregno defende ainda a aceleração da concessão de vistos humanitários a familiares de pessoas que obtiveram o estatuto de refugiado ou proteção subsidiária no Luxemburgo.

A Alta-Comissária para os direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet revelou ter recebido “informações credíveis sobre graves violações do direito humanitário internacional e de abusos dos direitos humanos em numerosas zonas sob controlo dos taliban”. A Alta-Comissária referiu casos de “execuções sumárias” de civis, recrutamento de crianças soldados, restrições do direito das raparigas de irem à escola, repressão de protestos pacíficos. A Agência da ONU para os refugiados estima que 80% das pessoas que foram obrigadas a deixar as suas casas no Afeganistão são mulheres e crianças.

A comunidade internacional não pode ficar, impávida e serena, a assistir ao desencadear de uma nova catástrofe humanitária no Afeganistão. Porque são os Direitos Humanos que estão em causa. 

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