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"É uma nova era de ouro". NASA prepara regresso à Lua
Mundo 7 3 min. 15.08.2022
Houston

"É uma nova era de ouro". NASA prepara regresso à Lua

Pela primeira vez desde a última missão Apollo, em 1972, um foguetão - o mais poderoso do mundo - impulsionará uma cápsula habitável para orbitar em torno da Lua, antes de regressar à Terra.
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"É uma nova era de ouro". NASA prepara regresso à Lua

Pela primeira vez desde a última missão Apollo, em 1972, um foguetão - o mais poderoso do mundo - impulsionará uma cápsula habitável para orbitar em torno da Lua, antes de regressar à Terra.
Foto: AFP
Mundo 7 3 min. 15.08.2022
Houston

"É uma nova era de ouro". NASA prepara regresso à Lua

AFP
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Vem aí uma missão espacial histórica: é o regresso dos norte-americanos ao único satélite natural da Terra.

"Trabalho aqui há 37 anos e é a coisa mais emocionante em que já estive envolvido". Quem o diz é Rick LaBrode, diretor de voo da NASA, que no final do mês será responsável por uma missão espacial histórica: a primeira do programa para marcar o regresso dos norte-americanos à Lua. Um dia antes da descolagem “não vou conseguir dormir muito, de certeza”, disse à AFP, diante das dezenas de ecrãs na sala de controlo de voo em Houston, Texas. 

Pela primeira vez desde a última missão Apollo, em 1972, um foguetão - o mais poderoso do mundo - impulsionará uma cápsula habitável para orbitar em torno da Lua, antes de regressar à Terra. A partir de 2024, os astronautas embarcarão para fazer a mesma jornada e, no ano seguinte (no mínimo), voltarão a pisar a Lua.

A acompanhar esta primeira missão de teste de 42 dias, chamada Artemis 1, vão estar dez pessoas na sala do famoso “Mission Control Center”, modernizado para a ocasião. As equipas ensaiam o plano de voo há três anos. “Isto tudo é completamente novo. Um foguetão completamente novo, uma nave totalmente nova, um centro de controlo totalmente novo”, resume Brian Perry, que estará responsável pela trajetória do foguetão após o lançamento. 

"O meu coração vai disparar, mas vou certificar-me de que mantenho o foco", disse à AFP, dando uma pequena palmada do lado esquerdo do peito.

Piscina Lunar

Além da sala de control0, todo o Centro Espacial Johnson em Houston foi ajustado. No meio da enorme piscina de mais de 12 metros de profundidade, onde os astronautas treinam, foi desenhada uma cortina preta. De um lado ainda está a réplica submersa da Estação Espacial Internacional. Do outro, um ambiente lunar criado gradativamente no fundo da bacia, com gigantescos modelos de rochas, fabricados por uma empresa especializada em decoração de aquários.

“Começámos a colocar areia no fundo da piscina há apenas alguns meses. As grandes rochas chegaram há duas semanas”, disse Lisa Shore, vice-chefe do laboratório de flutuabilidade (NBL), à AFP. “Tudo está ainda em desenvolvimento.” 

Na água, os astronautas podem experimentar uma sensação próxima à ausência de peso. Para o treino na Lua, a simulação faz com que sintam apenas um sexto de seu peso. De uma sala acima da piscina, são guiados remotamente, com o atraso de quatro segundos que existe em ambiente lunar. Seis astronautas já fizeram este treino, e outros seis deverão fazê-lo até ao final de setembro, quando irão envergar os fatos lunares da NASA pela primeira vez. 

"O auge do projeto foi quando ainda estávamos a pilotar os veículos espaciais e construir a estação espacial", disse John Haas, chefe da NBL. Na altura, foram realizadas 400 sessões de treino combinado por ano, em comparação com as cerca das 150 atuais. Mas o programa Artemis trouxe um novo impulso. No momento da visita da AFP, engenheiros e mergulhadores estavam a avaliar como fariam para empurrar um carrinho na Lua. 

 "Correr uma maratona, duas vezes, mas com as mãos"  

Os exercícios aquáticos podem durar até seis horas. "É como correr uma maratona, duas vezes, mas com as mãos", disse à AFP Victor Glover, astronauta da NASA que acabou de regressar de uma missão de seis meses no espaço. Hoje, trabalha num projeto inteiramente dedicado a simuladores. O seu papel é ajudar a "verificar os procedimentos e o material", para que, quando finalmente forem escolhidos aqueles que irão à Lua - ele próprio está na lista -, tudo esteja em conformidade.

Graças à realidade virtual, poderão acostumar-se a caminhar nas difíceis condições de luz do Pólo Sul da Lua, onde as missões Artemis vão pousar. Lá, o Sol nasce muito pouco acima do horizonte, lançando constantemente sombras longas e muito negras. Terão também de familiarizar-se com as novas naves e os seus softwares, como a cápsula Orion. 

Num dos simuladores, sentado na cadeira do comandante, é preciso usar o joystick para acoplar com a futura estação espacial lunar, Gateway. Noutros sítios, uma réplica da cápsula em tamanho real, com um volume de 9 metros cúbicos para quatro passageiros, é usada nos ensaios. 

Os astronautas “fazem muito treino de evacuação de emergência”, mostra à AFP Debbie Korth, vice-diretora do projeto Orion, no qual trabalha há mais de dez anos. Em todo o centro espacial, "as pessoas estão animadas", diz. Para a NASA, "acho que é uma nova era de ouro” que está prestes a começar.


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