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É preciso que tudo mude para que fique tudo na mesma…
Opinião Mundo 3 min. 10.11.2020

É preciso que tudo mude para que fique tudo na mesma…

É preciso que tudo mude para que fique tudo na mesma…

Foto: AFP
Opinião Mundo 3 min. 10.11.2020

É preciso que tudo mude para que fique tudo na mesma…

Sérgio FERREIRA
Sérgio FERREIRA
A famosa frase do romance "O Leopardo" de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, "É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma" parece a mais adaptada à realidade política que vivemos.

Após quase uma semana de expectativa, os resultados das eleições presidenciais americanas fizeram com que muita gente respirasse de alívio. Também eu regozijei, embora mais com a derrota de Trump do que com a vitória de Biden. 

Após 4 anos de aldrabice numa dimensão raramente vista na Casa Branca, qualquer ser humano com o mínimo de empatia pelos seus semelhantes fica satisfeito com a saída de um facínora do calibre do Donald. Nem Trump, nem o "trumpismo" vão desaparecer mas deixam de ter o palco mais visível do mundo à sua disposição. 

Trump não desparecerá e pode mesmo ser tentado a lançar um movimento político próprio para quebrar o "bipartidarismo" norte-americano no qual nunca se reviu. Já o que se pode chamar de "trumpismo" não desaparecerá porque é autónomo de quem lhe deu o nome. 

Como por aqui escreveu o Nuno Ramos de Almeida há alguns dias "Trump é um sintoma perigoso. É um sintoma com a mão nos botões nucleares, mas não deixa de ser um fenómeno da crise em que vivemos, mais que a origem de todos os males." E como todos sabemos não é eliminando simplesmente os sintomas que se cura uma doença!

Motivos de regozijo há também com a eleição da primeira mulher para o cargo de Vice-presidente. Não porque o género seja garantia do que quer que seja, para melhor, mas porque a mulher em questão, pelo seu percurso político, pelas causas que tem defendido e pela forma como ascendeu a este lugar, parece ser a pessoa talhada para o posto.

E as razões para regozijo ficam mais ou menos por aqui! Ninguém minimamente lúcido esperará uma inflexão de 180 graus na política americana. Ao contrário do que Trump e os seus acólitos afirmavam a plenos pulmões, nem Biden nem o Partido Democrata são socialistas ou revolucionários de esquerda. Todos os presidentes dos EUA puseram quase sempre os interesses do seu país à frente de quaisquer outras considerações: "America first" sempre foi o fio condutor da política americana, Trump só lhe acrescentou o "and only"!

Depois, porque mesmo os presidentes americanos mais "amados" tomaram decisões terríveis no plano internacional e no campo dos direitos humanos. Recorde-se que foi Obama o presidente que mais utilizou os ataques com drones armados telecomandados, mais até que o seu "odiado" antecessor George W. Bush.

Ser democrata no contexto americano não é forçosamente sinónimo de políticas sociais mais em fase com as necessidades do terreno, até porque o senado em que os republicanos ainda podem ter a maioria obrigará a administração Biden a compromissos ou pura e simplesmente bloqueará as decisões mais "progressistas".

É por tudo isto que o paradoxo de Lampedusa tão bem se adapta ao que aí vem. Dito de uma forma mais prosaica, pelo menos mudaram as moscas!

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