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Durão Barroso na hora da despedida da Comissão Europeia
Mundo 4 min. 22.10.2014 Do nosso arquivo online
Estrasburgo

Durão Barroso na hora da despedida da Comissão Europeia

Outgoing European Commission President Jose Manuel Barroso attends the review of the Barroso II Commission, in the European Parliament Strasbourg, eastern France on October 21, 2014. Barroso will be replaced at the head of the Commission by Luxemburg's Jean-Claude Juncker.  AFP PHOTO / PATRICK HERTZOG
Estrasburgo

Durão Barroso na hora da despedida da Comissão Europeia

Outgoing European Commission President Jose Manuel Barroso attends the review of the Barroso II Commission, in the European Parliament Strasbourg, eastern France on October 21, 2014. Barroso will be replaced at the head of the Commission by Luxemburg's Jean-Claude Juncker. AFP PHOTO / PATRICK HERTZOG
AFP
Mundo 4 min. 22.10.2014 Do nosso arquivo online
Estrasburgo

Durão Barroso na hora da despedida da Comissão Europeia

O presidente cessante da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu que os países europeus que tiveram de ser intervencionados estão hoje numa situação melhor e que foi a Europa que permitiu evitar a bancarrota.

"Claro que estão [melhor]. Os países que tiveram de aplicar programas de ajustamento estavam muito perto da bancarrota. Se não fosse a intervenção europeia teria sido uma tragédia muito maior", disse Durão Barroso aos jornalistas, na terça-feira à noite, no final da apresentação em Estrasburgo (França) do livro "Os anos Barroso", escrito por dois historiadores, o francês Éric Bussière e a italiana Guia Migani.

Barroso sublinhou que, "se não fosse a União Europeia a ajudar como ajudou, Portugal estaria numa situação muito mais grave".

Durão Barroso disse que, graças à intervenção europeia, os cidadãos não tiveram de passar por situações de bancarrota.

"As pessoas sabem o que é chegar a um banco e o seu dinheiro desaparecer totalmente? As pessoas sabem o que é um país não ter dinheiro para pagar funcionários públicos mais de um mês", questionou.

Durão Barroso já tinha feito na terça-feira à tarde o balanço do seu segundo mandato na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, naquele que foi um dos últimos discursos enquanto chefe do executivo comunitário e que terminou precisamente a despedir-se em várias línguas: "Auf Wiedersehen, goodbye, au revoir, adeus".

Num tom positivo que dominou o discurso, e em que evitou temas como o problema do desemprego, Barroso considerou que deixa o cargo com a UE mais forte e melhor preparada para fazer face a novas crises.

"Claro que ainda há muitas dificuldades, sim, mas não se esqueçam onde estivemos. Estivemos perto da bancarrota em alguns Estados-membros", concluiu.

Durão Barroso defende a aplicação das regras orçamentais “com toda a flexibilidade”

Ainda na terça-feira, Durão Barroso defendeu que a aplicação das regras orçamentais deve ser feita "com toda a flexibilidade permitida" e que as metas devem ser avaliadas em função do ciclo económico.

"Temos de entender que uma situação de recessão e de quase deflação não pode ter o mesmo tipo de exigências que uma situação de crescimento vigoroso. Defendo a aplicação das regras com toda a flexibilidade permitida, para todos os países", disse Durão Barrosos aos jornalistas, em Estrasburgo.

Barroso tinha sido questionado sobre a flexibilidade orçamental permitida aos Estados-membros, numa altura em que se trava um 'braço de ferro' entre Paris e a Comissão Europeia, que poderá 'chumbar' o Orçamento do Estado de França para 2015, em que é previsto um défice orçamental de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

A França, que ao mesmo tempo diz que levará a cabo reformas, propõe-se ter um défice abaixo dos 3% apenas em 2017.

Em resposta, evitando referir-se a qualquer caso específico, Barroso disse que a Comissão Europeia defende há muito tempo que as regras devem ser aplicadas com flexibilidade e que o próprio Pacto Orçamental permite que tal seja feito.

"Flexibilidade quer dizer que temos de tomar em consideração o ciclo económico", afirmou Barroso, que, no entanto, se recusou a antecipar qual será a decisão de Bruxelas para o caso francês, já que ainda está neste momento a analisar os Orçamentos do Estado para 2015 de todos os países, incluindo o de Portugal.

Perdi ilusões, mas não o entusiasmo pelo Europa

Ainda na livraria, em resposta a questões dos jornalistas portugueses, Barroso disse que nos 10 anos à frente da Comissão perdeu ilusões, viu "muito egoísmo" entre os países, mas garantiu que não perdeu "o entusiamo pela Europa".

Num tom otimista que já tinha marcado o seu discurso da tarde perante o Parlamento Europeu, um dos últimos como presidente do órgão executivo comunitário, considerou que a Comissão conseguiu evitar a rutura da União Europeia e do euro no pico da crise, gerindo as sensibilidades de países muito diferentes.


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