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Duas mulheres foram infetadas com VIH pelo mesmo homem e temem que haja mais vítimas
Mundo 4 min. 21.01.2022
França

Duas mulheres foram infetadas com VIH pelo mesmo homem e temem que haja mais vítimas

Duas mulheres de Paris acusam um homem de lhes ter transmitido conscientemente o VIH (imagem ilustrativa).
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Duas mulheres foram infetadas com VIH pelo mesmo homem e temem que haja mais vítimas

Duas mulheres de Paris acusam um homem de lhes ter transmitido conscientemente o VIH (imagem ilustrativa).
Foto: Shutterstock
Mundo 4 min. 21.01.2022
França

Duas mulheres foram infetadas com VIH pelo mesmo homem e temem que haja mais vítimas

AFP
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Marie e Sonia (nomes fictícios) estavam apaixonadas e "confiaram" no parceiro, até uma descoberta que as "destruiu". Estas duas mulheres da região parisiense, em França, acusam um homem de lhes ter transmitido conscientemente o VIH - vírus da imunodeficiência humana que causa a SIDA - e temem que este "Don Juan" tenha causado múltiplas vítimas.

"Não podemos voltar atrás, ele arruinou as nossas vidas", disse Marie, 30 anos, que vive em Seine-et-Marne. Em julho do ano passado, Marie decidiu apresentar uma queixa contra um colega, vendedor de telecomunicações, que foi seu parceiro durante seis meses.

Jordan, 34 anos, tem fama de ser "engatatão", mas Marie apaixonou-se por este homem "forte" e "bastante carismático" no verão de 2020. "Tinha baseado a minha relação na confiança. Ele não era nada suspeito, já nos conhecíamos há meses", recorda, que aceitou ter sexo desprotegido depois de palavras tranquilizadoras do parceiro.

Em setembro de 2020, notou o aparecimento de sintomas preocupantes. No início, pensou que era gripe. Mas, após os testes, Marie descobriu que tinha o VIH. Agora tem de fazer tratamento durante toda a vida. "A primeira coisa que me veio à cabeça foi fazer uma asneira", confidenciou a jovem mulher, mãe de dois filhos. "Ele disse-me tantas parvoíces!"

Sabia que tinha o vírus há anos

Confrontado com a notícia, Jordan admitiu ter contraído o vírus quatro meses antes. Mas não mostra empatia ou vontade de se tratar, contou Marie. "Vais voltar a isto outra vez?", "já falámos sobre isso, o que vai mudar?", "eu vivo com isso", respondeu ele em mensagens consultadas pela AFP.

Na realidade, o jovem sabe há vários anos que é portador do VIH. Pelo menos desde que se submeteu a um teste em 2017, como parte de uma investigação em Créteil (Val-de-Marne), por factos semelhantes. Este primeiro caso foi arquivado devido à falta de provas de que o jovem, na altura com 30 anos, sabia que era seropositivo.

Ele disse-me que não era nada, que hoje vivemos muito bem com isso.

Sonia, uma das vítimas

Mas Sonia, a mulher de 32 anos que iniciou a queixa, não desistiu. Em 2020, ela apresentou uma nova queixa que levou à abertura de uma investigação judicial. Mas parece ter chegado a um impasse.

Sonia deu à AFP um relato semelhante ao de Marie, que não conhece. Ela afirma também que o vírus lhe foi "conscientemente transmitido" por este homem, "um grande falador, um manipulador" que é muito ativo nos sites de encontros, o ponto de partida da sua história.

"Tive de insistir para ele usar preservativo, não gostou muito e por vezes tirava-o no meio do ato. Ele garantiu-me que estava limpo", confidenciou a mulher.

Quando ela descobriu que era seropositiva, ele minimizou a situação. "Ele disse-me que não era nada, que hoje vivemos muito bem com isso, tranquilizou-me acerca desta doença e depois... desapareceu, não deu mais notícias".

A nível mundial, 1,5 milhões de pessoas foram infetadas com o VIH em 2020 e 680 mil pessoas morreram de doenças relacionadas com a SIDA.

"Abuso de confiança sexual"

A queixa de Marie fez alguns progressos iniciais com a acusação do seu ex-parceiro a 15 de dezembro por "administração de uma substância nociva com premeditação a um cônjuge com uma incapacidade temporária superior a oito dias", de acordo com o Ministério Público de Meaux.

O jovem foi detido preventivamente. Durante a sua audiência em Noisiel, sem advogado, permaneceu "prostrado", sem reconhecer ou negar os factos, de acordo com uma fonte próxima do caso.

Ele é um vendedor que viaja por toda a França, deve ter vitimizado pessoas em todo o lado.

Sonia, uma das vítimas

Pelo menos cinco outras mulheres foram também entrevistadas por investigadores em Seine-et-Marne, que esperam encontrar outras potenciais vítimas. "Há um aspecto de série", diz esta fonte.

"Ele é um vendedor que viaja por toda a França, deve ter vitimizado pessoas em todo o lado sem que elas o soubessem", lamentou Sonia. 

Este procedimento "vai pôr as coisas em marcha porque já não há debate sobre a questão da sua seropositividade", sublinhou a advogada de Sonia, Maud Guillemet, que pede que se juntem as duas investigações.

A fim de caracterizar a transmissão voluntária do VIH, que aos olhos dos tribunais leva à "incapacidade permanente", o autor deve ter tido conhecimento do seu estado de VIH e dos riscos de contaminação durante as relações sexuais."O princípio de uma relação é que se baixem as barreiras, não se pode imaginar que se minta sobre coisas como esta, é por isso que estas mulheres são arruinadas", explica Eric Morain, advogado de Marie. Os factos, complexos e íntimos, baseiam-se num "abuso de confiança sexual", observa Morain, que invocou no emblemático caso Christophe Morat.

Em 2005, o Tribunal de Recurso de Colmar (Haut-Rhin) condenou Jordan a seis anos de prisão por ter transmitido o vírus a duas antigas companheiras que ele não tinha informado da sua seropositividade. 

Assim que foi libertado da prisão, repetiu o feito, afirmando a algumas das suas parceiras que não havia risco porque não ejaculava dentro delas. Uma mulher foi infetada. Em 2014, o Tribunal de Assis de Bouches-du-Rhône condenou-o a 12 anos de prisão.

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