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Dois cães, um gato e um tigre infetados com novo coronavírus
Mundo 4 min. 07.04.2020 Do nosso arquivo online

Dois cães, um gato e um tigre infetados com novo coronavírus

Dois cães, um gato e um tigre infetados com novo coronavírus

Foto: AFP
Mundo 4 min. 07.04.2020 Do nosso arquivo online

Dois cães, um gato e um tigre infetados com novo coronavírus

A identificação de vários animais infetados com o novo coronavírus mostra que outras espécies podem ser contaminadas pelo ser humano. Organização Mundial de Saúde Animal diz que não há "justificação para medidas em relação aos animais de estimação" mas recomenda que pessoas doentes evitem contaminar animais de estimação.

Desde que começou a crise sanitária, o debate científico acerca da origem do novo coronavírus estendeu-se sobre a hipótese de ter sido um morcego a transmitir o vírus a um pangolim e deste animal ter posto o ser humano em contacto com a doença. Esta terça-feira, o El País relata o caso de vários outros animais infetados por pessoas. De acordo com o jornal espanhol, um tigre malaio deu positivo, no domingo, no jardim zoológico do Bronx, em Nova Iorque.

"Parece que os felinos estão a ficar mais sensíveis ao vírus”, afirmou Victor Briones, do Centro de Vigilância Veterinária da Universidade Complutense de Madrid. Nos Estados Unidos, já há mais de 330 mil pessoas registadas como infetadas mas apenas o tigre de Bronx deu positivo apesar de haver meia dúzia de tigres e leões com sintomas.

"A atual propagação da covid-19 deve-se à transmissão entre seres humanos", sublinhou a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), que está a investigar outros saltos da doença entre espécies. Hong Kong comunicou num primeiro momento dois casos positivos em cães - um pastor alemão e um zwergspitz - após ter testado 17 cães e oito gatos em lares ligados a pessoas com a doença. Em 23 de março, as autoridades belgas notificaram igualmente um caso de "suspeita" de infeção ativa de um gato. E, em 31 de março, Hong Kong voltou a anunciar que um gato tinha apresentado um resultado positivo no teste ao novo coronavírus.

Com mais de 1,2 milhões de casos registados em pessoas, a infeção só foi confirmada em dois cães, um ou dois gatos e um tigre e, para já, não há qualquer indicação de que os animais de companhia sejam capazes de transmitir o vírus. "Não há, portanto, justificação para tomar medidas em relação aos animais de estimação que possam afetar o seu bem-estar", anunciou o OIE, que recomenda que as pessoas doentes evitem o contacto com animais de estimação, por precaução.

Já a China desenvolveu uma investigação e uma equipa do Instituto de Investigação Veterinária de Harbin inoculou o vírus diretamente nos narizes de animais de diferentes espécies dentro de um laboratório de alta segurança e descobriu que o novo coronavírus “reproduziu-se mal em cães, suínos, galinhas e patos mas fá-lo eficazmente em furões e gatos”, noticia o El País.

Cientistas chineses, liderados pelo virologista Bu Zhigao, inocularam cinco gatos com o vírus humano e mataram-nos em poucos dias. O estudo chegou à conclusão que o vírus é capaz de se multiplicar na traqueia e na garganta, apesar de nenhum dos gatos apresentar os sintomas típicos da doença. Além disso, os gatos infetados passaram o vírus para um gato saudável na gaiola ao lado, sugerindo transmissão por gotículas respiratórias, como nos seres humanos.

A Associação Médica Veterinária Americana manifestou ceticismo em relação a estes resultados, obtidos com muito poucos animais e em condições laboratoriais. "Só porque um animal pode ser infetado experimentalmente com um vírus não significa que será infetado com esse mesmo vírus em condições naturais", adverte a organização.

Um estudo ainda mais recente, publicado a 3 de abril, aponta também para o salto dos seres humanos para os gatos. Os autores, da Universidade Agrícola de Huazhong, na China, analisaram o sangue de uma centena de gatos em Wuhan após o surto e encontraram anticorpos para o novo coronavírus em 15 por cento deles. "Os nossos dados mostram que o vírus SRA-CoV-2 infectou a população felina", afirmam os investigadores, liderados pelo veterinário Jin Meilin. Contudo, os seus dados também devem ser interpretados com prudência, uma vez que também não foram sujeitos à revisão externa essencial no sistema científico internacional.

"Os gatos que passam muito tempo longe de casa podem potencialmente ser infetados por outra pessoa, pelo que é melhor manter distância deles, tal como se mantém das pessoas", aconselhou o veterinário William Karesh, presidente do grupo de trabalho do OIE sobre doenças da vida selvagem, na sua conta do Twitter. O veterinário Victor Briones, Professor de Saúde Animal, "concorda plenamente" com esta recomendação, diz o El País.

Segundo a OIE, no contacto e cuidado dos animais, devem ser sempre tomadas medidas básicas de higiene. "Estas medidas incluem a lavagem das mãos antes e depois do contacto ou da manipulação dos animais, dos seus alimentos ou artigos, bem como evitar beijar, lamber ou partilhar os alimentos", pode ler-se na página da organização.

"Sempre que possível, as pessoas que estão doentes ou sob cuidados médicos devido à covid-19 devem evitar o contacto directo com os seus animais de estimação e deixar os seus cuidados para outros membros do agregado familiar. Se estas pessoas têm de cuidar dos seus animais de estimação, devem observar uma boa higiene e usar uma máscara o mais possível. Os animais pertencentes a pessoas infectadas com o VID-19 devem ser mantidos o mais possível dentro de casa e o contacto com esses animais de estimação deve ser evitado tanto quanto possível", acrescenta.

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