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Doente toca violino enquanto é operada a um tumor no cérebro
Mundo 3 min. 21.02.2020

Doente toca violino enquanto é operada a um tumor no cérebro

Doente toca violino enquanto é operada a um tumor no cérebro

AFP
Mundo 3 min. 21.02.2020

Doente toca violino enquanto é operada a um tumor no cérebro

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Veja o vídeo. Para que a cirurgia não afetasse os movimentos da mão da violinista britânica,a doente estava desperta e a dar um “concerto”.

As imagens da cirurgia ao som do violino da própria paciente, deitada na mesa de operações andam a correr mundo. E, não, não são de um episódio da série 'Dr. House' ou da 'Anatomia de Grey'.

O vídeo retrata uma cena real, passada na sala de operações do King’s College Hospital, em Londres, onde uma equipa de neurocirurgiões adotou um procedimento cirúrgico inédito, na remoção de um tumor no cérebro: manter a paciente acordada e a tocar violino. 

Para garantir que a cirurgia não incapacitaria a doente, uma violinista profissional, de continuar a realizar a sua paixão.

Foi a própria doente, Dagmar Turner, de 53 anos, que procurou o neurocirurgião chefe do King’s College Hospital, em Londres, para ser a sua equipa a realizar a cirurgia de remoção do tumor no cérebro.

Neurocirurgião e pianista

É que além de ser um conceituado especialista nesta área, Keyoumars Ashkan é um “pianista talentoso”, por isso, compreenderia perfeitamente a preocupação desta doente: que a complexa e milimétrica cirurgia ao cérebro não afetasse a sua capacidade de continuar a tocar violino.

Em outubro de 2019, Dagmar Turner, 53 anos, violinista da Orquesta Sinfónica da Ilha de de Wight, no sul de Inglaterra, onde reside, e de outras sociedades filarmónicas, foi confrontada com a notícia de que o seu tumor no cérebro tinha “crescido e se tornado bastante agressivo” e precisava de ser removido, explica o comunicado divulgado por este hospital londrino com a notícia do sucesso da invulgar cirurgia. O cancro tinha-lhe sido inglesa tinha diagnosticado em 2013. 

Este tumor estava alojado no lóbulo frontal direito do cérebro desta doente, muito próximo da zona que controla e coordena os movimentos finos da mão esquerda, os mais delicados e precisos, essenciais para se tocar violino.

AFP

“Sabíamos o quão importante o violino é para Dagmar, por isso, era vital que preservássemos a função nas áreas delicadas do cérebro que lhe permitiam tocar. Conseguimos remover mais de 90% do tumor, incluindo todas as áreas suspeitas de atividade agressiva, mantendo toda a função na mão esquerda”, declarou Keyoumars Ashkan, no comunicado.

 Procedimento complexo

Mas, para tal, o neurocirurgião e a sua equipa tiveram de elaborar um complexo plano, tendo mapeado todo o cérebro da doente “identificando as áreas que eram ativadas quando ela tocava violino” nas duas horas anteriores à cirurgia. E discutiram com Dagmar a ideia da doente acordar a meio da cirurgia para tocar, o que ela concordou.

 Assim, a paciente foi anestesiada e o neurocirurgião chefe e a equipa começaram por realizar uma craniotomia, isto é, fizeram uma abertura no crânio. Na fase seguinte, Dagmar Turner foi desperta da anestesia e começou então a tocar violino. E tocou, dando um concerto único enquanto a equipa lhe removia o tumor, sabendo exatamente qual a área dos movimentos finos, que permitia o manuseamento delicado do instrumento.

AFP

E qual foi a música escolhida por Dagmar Turner para a operação? "Bésame mucho", a tão famosa música romântica escrita pela jovem mexicana Consuelo Velásquez, em 1940, e imortalizada pelos mais famosos cantores do mundo. 

Cirurgia inédita

A cirurgia foi um sucesso. Três dias depois da operação, Dagmar Turner estava pronta para regressar a casa para junto do seu filho de 13 anos, tendo continuado a ser vigiada pelo hospital local.

“O violino é minha paixão; Eu toco desde os 10 anos de idade. A ideia de perder minha capacidade de tocar deixava-me de coração partido, mas, sendo músico, o professor Ashkan entendeu minhas preocupações. Graças a eles, espero voltar em breve à minha orquestra”.

 De acordo com Keyoumars Ashkan, o seu hospital é a “maior referência na remoção de tumores cerebrais”, no Reino Unido: “Realizamos cerca de 400 cirurgias de remoção de tumor cerebral por ano, o que “geralmente envolve estimular os doentes pacientes realizarem testes de linguagem, mas esta foi a primeira vez que um doente tocou um instrumento” enquanto estava a ser operado.

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