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Dissidentes do IRA ameaçam solução encontrada para o Brexit
Mundo 2 min. 17.10.2019 Do nosso arquivo online

Dissidentes do IRA ameaçam solução encontrada para o Brexit

Dissidentes do IRA ameaçam solução encontrada para o Brexit

Foto: AFP
Mundo 2 min. 17.10.2019 Do nosso arquivo online

Dissidentes do IRA ameaçam solução encontrada para o Brexit

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Um porta-voz do mais importante grupo de dissidentes do IRA declarou numa entrevista que qualquer infraestrutura fronteiriça entre a República da Irlanda e o norte da ilha, sob jurisdição britânica, seria "alvo legítimo para atacar".

À espera dos votos decisivos do partido unionista pró-britânicos da Irlanda do Norte, DUP, o Reino Unido tenta que o acordo com a União Europeia sobre o Brexit passe no parlamento este sábado. 

É precisamente a fronteira entre a República da Irlanda e o norte, sob administração britânica, um dos maiores obstáculos a um entendimento entre Londres e Bruxelas. Foco de um conflito que provocou milhares de mortos, os republicanos irlandeses do IRA e os paramilitares unionistas baixaram as armas depois de um acordo de paz que aproximou os dois lados da ilha em 1998.

Mas, esta quarta-feira, os dissidentes do IRA romperam o silêncio e deram uma entrevista ao Channel 4 afirmando que qualquer infraestrutura fronteiriça que divida a ilha será um “alvo legítimo para atacar”.

Com um passa-montanhas, o porta-voz do grupo armado declarou que “o IRA é um exército”. “Como exército, estamos comprometidos com a luta armada pela mudança política e social na Irlanda”, acrescentou.

"Qualquer instalação ou elementos da ocupação britânica dentro dos Seis Condados [Irlanda do Norte] - seja na fronteira ou em qualquer outro lugar - qualquer infraestrutura seria um alvo legítimo para ataques e ações armadas contra essas infraestruturas e contra as pessoas que as manipulam”.

No que diz respeito à relação do Reino Unido com a República da Irlanda, os britânicos têm procurado uma solução intermédia que evite uma fronteira total na ilha da Irlanda. Com a nova proposta, a Irlanda do Norte faria parte da União Aduaneira do Reino Unido mas teria de cumprir as regras do mercado único europeu para evitar uma fronteira terrestre. Isto significaria, segundo o acordo, que a fronteira em que será efetuado o controlo, pelas autoridades britânicas sob supervisão da UE, será no mar da Irlanda e não na linha terrestre que separa a Irlanda do Norte da República da Irlanda.

Mas não parece que os dissidentes do IRA fiquem satisfeitos com esta solução. As localidades da Irlanda do Norte, junto à fronteira com a República da Irlanda, foram, durante décadas, zonas quentes onde o IRA Provisório tinha muita influência.

O membro do Novo IRA como é conhecida esta organização afirmou que “há uma fronteira desde 1921” à qual se tem “resistido”. E insistiu que essa resistência continuará, “independentemente de qualquer acordo”.

O Novo IRA é o mais violento e ativo grupo dissidente republicano irlandês, apesar de as autoridades considerarem que tem pouco apoio. É responsável por uma série de ataques recentes, incluindo a detonação de um carro armadilhado no tribunal de Derry e a morte a tiro da jornalista Lyra McKee.

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