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Discurso de ódio. Twitter e Facebook foram dar explicações ao Senado norte-americano
Mundo 3 min. 18.11.2020

Discurso de ódio. Twitter e Facebook foram dar explicações ao Senado norte-americano

Discurso de ódio. Twitter e Facebook foram dar explicações ao Senado norte-americano

Pixabay
Mundo 3 min. 18.11.2020

Discurso de ódio. Twitter e Facebook foram dar explicações ao Senado norte-americano

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Divididos sobre os impactos das redes sociais, republicanos querem rédea solta para os conteúdos, enquanto os democratas estão alarmados com a disseminação de notícias falsas e campanhas de ódio. Facebook e Twitter descartam responsabilidades e dizem-se a favor de processos mais transparentes na "censura" de determinadas publicações.

Cerca de 300 mil tweets foram assinalados por contribuírem para a desinformação nas eleições norte-americanas do início do mês. Foi assim que Jack Dorsey, o principal executivo do Twitter, inaugurou a sessão de explicações ao Senado norte-americano, nesta terça-feira. 

Duas em cada mil mensagens sobre as presidenciais, publicadas entre 27 de outubro e 11 de novembro, foram assinaladas pela rede social por violarem as suas políticas contra a divulgação de notícias falsas. No Facebook os dados não são tão precisos, mas não são muito diferentes. 

Duas semanas depois do último "interrogatório", os homens que dão a cara pelas maiores duas redes sociais do mundo enfrentaram mais uma vez os senadores norte-americanos. O discurso de ódio e as fake news marcaram o compasso.

Se por um lado, os republicanos, muito à semelhança do que tem sido defendido pelo próprio Donald Trump, querem menos regulamentação, os democratas vêm com preocupação o recrudescimento das campanhas de ódio com cariz nacionalista. Questionam até se as vozes ultraconservadoras que deambulam na web com alusões ao Terceiro Reich não andam demasiado à solta. 

Com ou sem moderação? 

Como sinteza o Expresso, Mark Zuckerberg e Jack Dorsey regressaram a Washington para responderem a perguntas sobre o conteúdo que permitem que circule ou não no Facebook e no Twitter, respetivamente e, mais importante ainda, para explicarem como é que essa decisão é tomada e por quem. 

Ainda recentemente, o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump recorreu às redes sociais para anunciar que tinha vencido as eleições, ainda a contagem dos votos não ia a meio. O Twitter não censurou a publicação. Escreveu apenas: "Fontes oficiais têm uma informação diferente". Estes e outros limites estiveram em cima da mesa. 

De resto, das 127 perguntas que os senadores fizeram aos CEO's das redes sociais, 67 foram sobre a inconsistência da moderação dos conteúdos e 39 sobre desinformação. 

"Estamos a tentar fazer uma coisa que é quase impossível. Somos obrigados a ajudar a melhorar a saúde do debate público e, ao mesmo tempo, a garantir que o maior número possível de pessoas possa participar", defendeu-se o líder do Twitter. 

O que muda? 

Feitas pelos parlamentos e aprovadas pelos chefes de estado, só as leis têm o poder efetivo de regrar o que quer que seja. Enquanto os republicanos se inclinam para uma liberalização dos conteúdos partilhados, os democratas querem um controlo mais eficaz sobre as campanhas de notícias falsas, sobre a presença de seitas como os "terraplanistas" ou os movimentos que defendem que "não há nenhuma pandemia", assim como em relação às mensagens racistas e xenófobas que circulam nas redes. 

Por seu lado, Zuckerberg e Dorsey não se opõe à criação de uma nova estrutura regulatória que poderia vir a abranger moderação de conteúdo em muitas das maiores plataformas de tecnologia do mundo e dizem-se até a favor da reforma, no sentido de tornar os processos mais transparentes. Muito embora considere que "um sistema centralizado de moderação de conteúdo global não é exequível", o homem do Twitter adianta que, no futuro, a mediação dos conteúdos possa ser feita "através dos algoritmo adaptado às preferências individuais dos utilizadores". 

De qualquer das formas, os senadores deixaram claro que a iniciativa legislativa será abordada na próxima legislatura, quando o novo Congresso for constituído em janeiro. 

"Temos de encontrar uma forma de que quando o Twitter e o Facebook tomam uma decisão sobre o que é fiável e o que não é, o que permitir e o que não é, haja transparência no sistema. A Seção 230 deve ser alterada porque não podemos avançar sem uma reforma", defendeu Lindsy Graham. "A mudança está a chegar. Não há dúvidas sobre isso. E tenciono insistir numa reforma agressiva da Seção 230", disse o senador democrata Richard Blumenthall. 

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