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Diretor da Humans Rights Watch expulso de Israel por denunciar Airbnb
Mundo 2 min. 06.11.2019

Diretor da Humans Rights Watch expulso de Israel por denunciar Airbnb

Diretor da Humans Rights Watch expulso de Israel por denunciar Airbnb

Foto: AFP
Mundo 2 min. 06.11.2019

Diretor da Humans Rights Watch expulso de Israel por denunciar Airbnb

Norte-americano Omar Shakir tinha denunciado o aluguer de casas em colonatos judeus em território palestiniano por parte da Airbnb. Agora o Supremo Tribunal israelita deu luz verde à deportação do norte-americano.

O diretor da ONG norte-americano de direitos humanos para Israel e Palestina foi acusado, de acordo com o El País, pelo governo de Benjamin Netanyahu de ter apoiado no passado a campanha pró-palestiniana de boicote, desinvestimento e sanções conhecida como BDS. Contudo, Omar Shakir diz que não apoia o movimento que procura o isolamento internacional de Israel como se fez há três décadas com a África do Sul durante o regime do apartheid.

Com esta decisão, o Supremo Tribunal confirma que o apelo da HRW às empresas para que cessem as suas atividades na Cisjordânia sob ocupação configura um boicote, ainda que a resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU tenha reiterado em 2016 que os assentamentos judaicos "não têm validade legal e constituem uma violação flagrante do direito internacional".

"Antes, o pretexto do governo era classificar as ONG como veículos de propagandista pró-palestiniana. Agora mudou a sua estratégia em relação ao BDS", explicou Shakir em entrevista ao El País. "Não apoiamos o BDS, apenas questionamos empresas como a Airbnb que fazem negócios na Cisjordânia sob ocupação sem respeitar o direito internacional e discriminando os palestinianos", disse ele.

Numa decisão que cria um precedente sobre o direito à monitorização e acompanhamento por organizações estrangeiras neste Estado, o Supremo Tribunal reage desta forma às denúncias da HRW sobre as atividades da Airbnb na Cisjordânia. No ano passado, a plataforma digital que aluga casas privadas por períodos mais reduzidos retirou da sua página todas as ofertas turísticas de alojamento em colonatos judeus na Palestina. 

O caso do diretor da HRW é o primeiro em que Israel aplica a expulsão de um observador internacional depois de lhe ter sido concedido o visto de residência. O "precedente constitucional" que os seus advogados estavam a tentar estabelecer levou, no entanto, a uma mudança na doutrina do Supremo hebraico, considerado, de acordo com o El País, um baluarte liberal contra o executivo mais conservador da história de Israel. Em outubro do ano passado, os juízes do Supremo Tribunal permitiram que a estudante palestiniana-americana Lara Alqasem, de 22 anos, que estava detida há mais de duas semanas no aeroporto de Telavive sob a acusação de apoiar o BDS, entrasse no país.

"Israel orgulha-se de ser a única democracia no Oriente Médio", disse Omar Shakir antes de recorrer ao tribunal superior em setembro passado, "mas pode acabar por entrar para o clube [de países que vetam a HRW]”. 

"Não tenho medo de ser deportado por Israel. Afinal, sou uma pessoa privilegiada, com um passaporte americano e a trabalhar para uma ONG internacional. Não vou ser tratado com a mesma violência que um palestiniano", disse na mesma entrevista. "Este caso tem ramificações que vão além disso. Trata-se dos limites da crítica e da dissidência em Israel. Hoje é um boicote e uma deportação. Amanhã poderá ser a proibição de questionar os colonatos e o encerramento de ONG estrangeiras.

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