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Depois do sonho, o pesadelo americano
Opinião Mundo 3 min. 03.11.2020 Do nosso arquivo online

Depois do sonho, o pesadelo americano

Depois do sonho, o pesadelo americano

Foto: AFP
Opinião Mundo 3 min. 03.11.2020 Do nosso arquivo online

Depois do sonho, o pesadelo americano

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Já imaginou ir a um estádio, ver um jogo de futebol e, no final, sair de lá sem saber o resultado? Isto nunca se verificou com alguém na posse das suas capacidades.

Mas esta terça-feira pode muito bem acontecer que o dia se feche, sem que os americanos saibam o resultado das eleições presidenciais que colocam frente-a-frente o actual presidente, Donald Trump, e o candidato democrata, Joe Biden.

Em 2000, já aconteceu qualquer coisa de semelhante, numas eleições disputadas pelo republicado George W Bush e pelo democrata, Al Gore. A contenda passou para os tribunais que nada decidiram. Foi preciso que Al Gore desistisse, para que a questão ficasse mal resolvida, a favor de Bush.

Vinte anos depois, a embrulhada pode ser muito pior. Há milhões de americanos que, para evitarem ajuntamentos em tempo de pandemia, votam pelo correio. Até ao momento em que escrevo, já votaram via postal mais de 81 milhões de eleitores. Mas há estudos prevendo que esse número possa crescer até aos 100 milhões.

Tudo isto se passa num universo de 240 milhões de eleitores. Quase metade, mais de 41 por cento, temendo os contactos pessoais, prefere votar pelo correio. E, nalguns estados, foi decidido só contar estes votos, depois de contados os votos físicos.

A empresa de estudos de opinião, Hawkfish, já mediu as vontades dos eleitores e concluiu que apenas 19 por cento dos votantes de Trump preferem o voto postal, enquanto 69 por cento dos votantes de Biden escolhem esse meio para exercerem o seu direito.

Tudo isto deixa Donald Trump furioso, ao ponto de dizer, numa primeira fase, que não aceita o resultado das eleições, seja ele qual for. Numa segunda fase alterou um pouco o discurso, exigindo a todos os estados que apresentem os resultados finais, ainda na noite de 3 de Novembro. Mesmo que fiquem votos por contar. Uma missão considerada impossível, pelos técnicos eleitorais. 

(...) Trump tem na sua posse os códigos militares que deve entregar imediatamente, em caso de derrota.

E, num momento de exaltação, já disse que, caso perdesse, se recusava a abandonar a Casa Branca e a transferir o poder para Joe Biden. Esta questão é de extrema importância, sobretudo, porque Trump tem na sua posse os códigos militares que deve entregar imediatamente, em caso de derrota.

Entretanto, o ainda presidente vai falando de fraude eleitoral que, no seu entender, está inteiramente relacionada com o voto postal, que ele tanto contesta. Mas ainda não explicitou, como se pode executar a fraude.

Os especialistas estão com as atenções concentradas, nos estados considerados decisivos, como são os casos da Flórida, da Pensilvânia, do Ohio, da Carolina do Norte, do Michigan, do Wisconsin e do Arizona. São estes os estados mais difíceis para as empresas de sondagens que nunca conseguem medições isentas de erro. Podemos reter o exemplo do Arizona, onde as medições de intenções de voto, este ano, já atribuíram a vitória, aos dois candidatos.

Devem ser as eleições mais concorridas, dos últimos anos, apesar de a quase totalidade dos eleitores reconhecer que nenhum dos candidatos é suficiente empolgante e mobilizador. Criaram-se mitos que a realidade terá dificuldade em desmontar. Nas ruas, diz-se que Trump é o candidato que melhor servirá a economia e Biden é aquele que resolverá a grande crise sanitária. Nenhum destes pressupostos é verdadeiro e será o tempo a provar que tudo não passa de uma mentira em que é fácil acreditar. Trump é um pesadelo, sem substância política. Biden é uma invenção dos Democratas, para tentar vencer um perigo.

Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.   

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