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Depois de batalha campal, catalães promovem marchas até Barcelona
Mundo 3 min. 16.10.2019

Depois de batalha campal, catalães promovem marchas até Barcelona

Depois de batalha campal, catalães promovem marchas até Barcelona

Foto: AFP
Mundo 3 min. 16.10.2019

Depois de batalha campal, catalães promovem marchas até Barcelona

Depois de uma noite de batalha campal nas ruas de Barcelona, com mais de 70 feridos e 30 detidos, os catalães voltam às ruas nesta quarta-feira enquanto o governo espanhol reúne com os partidos da oposição para debater a Catalunha.

Depois de uma noite de batalha campal nas ruas de Barcelona e Girona, a reitoria da Universidade Autónoma de Barcelona amanheceu ocupada por centenas de estudantes. Simultaneamente, milhares de pessoas partiram de várias cidades catalãs naquilo a que os movimentos Assembleia Nacional Catalã e Òmnium definiram como “marchas da liberdade”. Prevê-se que chegue a Barcelona na sexta-feira.

Várias fotografias panorâmicas da cidade de Barcelona envolta em fumo encheram as redes sociais na noite de terça-feira quando milhares de catalães se envolveram em confrontos com a polícia e atearam centenas de barricadas a arder. 

A violência tomou conta da capital da Catalunha no segundo dia de protestos contra a sentença de até 13 anos de prisão para vários ex-governantes e líderes independentistas da região. Em Lleida, a polícia usou fogo real para dispersar os manifestantes que cercaram a subdelegação do governo espanhol.

De acordo com números oficiais, só no dia de ontem 125 pessoas ficaram feridas, 74 só em Barcelona. As forças de segurança detiveram ao longo do dia 30 pessoas por “desordem pública” e “atentado contra agentes da autoridade”.

Esta manhã, foi a vez da reitoria da Universidade Autónoma de Barcelona acordar ocupada pelos estudantes que exigem a suspensão das aulas e uma tomada de posição sobre as penas de prisão aos líderes independentistas. 

Entretanto, de Girona, Vic, Berga, Tàrrega e Tarragona partiram milhares de pessoas rumo a Barcelona nas chamadas “marchas da liberdade” que estão inspiradas, de acordo com os organizadores, na marcha do sal, liderada por Mahatma Ghandi, em 1930, na Índia.

Protestos em todo o mundo

Milhares de pessoas juntaram-se em frente às sedes diplomáticas espanholas em vários países. Em Portugal, uma centena de pessoas esteve concentrada em frente ao consulado, em Lisboa, exigindo liberdade para o povo catalão e os líderes independentistas presos. No Luxemburgo, espera-se também uma ação de solidariedade convocada para o dia 19 com lugar e hora a anunciar, de acordo com a Assembleia Nacional Catalã.

Oposição espanhola chamada ao palácio do governo 

O presidente do atual governo espanhol, Pedro Sanchez, decidiu convocar para esta quarta-feira, no palácio da Moncloa, os três líderes dos principais partidos da oposição, Pablo Casado (PP), Albert Rivera (Ciudadanos) e Pablo Iglesias (Unidas Podemos). Os três foram chamados para abordar a situação na Catalunha separadamente e queixaram-se de que souberam da reunião através da imprensa. 

Sanchez já tinha feito uma ronda de contactos com estes partidos na segunda-feira. Depois dos distúrbios de terça-feira à noite, o governo endureceu o tom e decidiu dar o passo de realizar reuniões bilaterais. Os partidos à direita do PSOE exigem que se aplique a Lei de Segurança Nacional. Esta norma legal oferece ao governo uma “autoridade funcional” para dirigir as ações apropriadas "em matéria de segurança e de ordem pública" face a uma situação de interesse para a nação. 

Sanchez não deu ainda esse passo, de acordo com o El País, porque entende que a colaboração entre a polícia regional catalã e a polícia espanhola está a ser eficaz. Mas esta medida ainda não está descartada. Tudo depende da reunião com o líder do PP.

O governo espanhol insiste na mensagem de que "uma minoria quer impor a violência na Catalunha e quebrar a coexistência”.

Bruno Amaral de Carvalho

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