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Democratas consideram que "as provas são claras" contra Trump
Mundo 3 min. 22.11.2019 Do nosso arquivo online

Democratas consideram que "as provas são claras" contra Trump

Democratas consideram que "as provas são claras" contra Trump

Foto: AFP
Mundo 3 min. 22.11.2019 Do nosso arquivo online

Democratas consideram que "as provas são claras" contra Trump

Última sessão da fase pública de testemunhos no processo de destituição desencadeado contra o presidente norte-americano terminou na quinta-feira com a ex-conselheira Fiona Hill a acusar a Rússia de querer interferir nas eleições presidenciais do próximo ano.

Terminou na quinta-feira a fase pública de declarações de testemunhas do processo de destituição contra o presidente dos Estados Unidos com a participação da ex-conselheira para a Rússia, Fiona Hill e do conselheiro político na embaixada norte-americana na Ucrânia, David Holmes. 

Fiona Hill alertou os congressistas para uma suposta tentativa da Rússia de interferir nas eleições norte-americanas e sustentou que há membros da Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes que não acreditam nesta possibilidade. De acordo com a ex-conselheira, alguns congressistas republicanos sustentam a tese defendida de Donald Trump de que foi a Ucrânia e não a Rússia que interferiu nas últimas eleições. Nesse sentido, Fiona Hill considera que essa posição “é uma narrativa fictícia que foi perpetrada e propagada pelos próprios serviços de segurança russos".

"O objetivo do governo russo é enfraquecer o nosso país para diminuir o papel global da América e para neutralizar uma ameaça americana aos interesses russos. O presidente Putin e os serviços de segurança russos pretendem contrariar os objetivos da política externa dos EUA na Europa, incluindo na Ucrânia, onde Moscovo deseja reafirmar o domínio político e económico. Continuo a acreditar que precisamos de procurar caminhos para estabilizar a nossa relação com Moscovo enquanto contrariamos os seus esforços para nos prejudicar. Neste preciso momento, os serviços de segurança russos e os seus agentes estão preparados para repetir a sua interferência nas eleições de 2020. Estamos a ficar sem tempo para os parar", afirmou, de acordo com o Diário de Notícias.

Por sua vez, David Holmes descreveu aos congressistas os pormenores do telefonema entre Sondland, embaixador dos Estados na União Europeia e Trump em Kiev. "Então, ele [Zelensky, presidente da Ucrânia] vai fazer a investigação?", perguntou Trump a Sondland. "Vai fazê-lo", respondeu o diplomata, segundo o que Holmes ouviu numa uma ligação não segura através de um telemóvel no meio de um restaurante com o chefe de Estado norte-americano. Sondland acrescentou que o presidente ucraniano faria "qualquer coisa" que Trump lhe pedisse", disse Holmes, também segundo o Diário de Notícias. Para justificar o facto de recordar todos os pormenores da chamada, Holmes afirmou que nunca teria visto “nada assim”.

O presidente norte-americano declarou à imprensa que não cometeu qualquer irregularidade e negou ter intimidado testemunhas. Donald Trump considera este processo de ‘impeachment’ uma caça às bruxas. Já a democrata, Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, considera que “as provas são claras” e que Trump pôs em risco a segurança nacional.

Donald Trump é suspeito de ter feito depender o desbloqueio do apoio financeiro norte-americano à Ucrânia da abertura de uma investigação de Kiev ao filho do democrata que é apontado como potencial adversário nas eleições do próximo ano, Joe Biden.  

O Wall Street Journal diz que o presidente norte-americano insistiu pelo menos oito vezes na abertura do inquérito sobre a atuação de Hunter Biden na direção de uma empresa de gás com sede no país. O New York Times acrescenta que a própria atuação de Joe Biden enquanto vice presidente dos EUA de Barack Obama pode estar na mira das investigações.   

O telefonema que motivou o terramoto político aconteceu a 25 de julho. Dias antes, os EUA congelaram os 363 milhões euros do pacote de ajuda militar esperada pelo governo de Kiev para reforçar os combates, no leste do país, contra os separatistas pró-russos. A verba foi libertada a 12 de setembro. O compasso de espera deu certezas aos democratas que acusam Trump de usar a cadeira presidencial e o orçamento do país para obter benefício políticos.  

Cabe precisamente ao em última instância ao Senado julgar o presidente , necessitando de uma maioria de dois terços para que este seja efectivamente afastado do cargo, num cenário que, as contas de bastidores, mostram improvável dado que a maioria é republicana.

Contudo, se cair, Trump torna-se no primeiro presidente dos EUA afastado através do processo de destituição. Richard Nixon demitiu-se em 1974 perante a iminência de um inquérito motivado pelo caso Watergate. Bill Clinton, em 1998, e Andrew Johnson, em 1868, foram alvo de processos de impeachment que foram aprovados no Congresso mas que naufragaram no Senado

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