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Democratas acusam Trump de abuso de poder e obstrução
Mundo 2 min. 11.12.2019 Do nosso arquivo online

Democratas acusam Trump de abuso de poder e obstrução

Democratas acusam Trump de abuso de poder e obstrução

Foto: AFP
Mundo 2 min. 11.12.2019 Do nosso arquivo online

Democratas acusam Trump de abuso de poder e obstrução

O processo de investigação ao comportamento de Donald Trump aberto na sequência do escândalo com as pressões sobre o presidente da Ucrânia culminou na terça-feira com a acusação formal dos democratas.

O presidente norte-americano torna-se, assim, no quarto inquilino da Casa Branca a passar por este procedimento extraordinário que pode levar à sua destituição. Donald Trump enfrenta duas acusações: uma de abuso de poder, por pressionar um país estrangeiro no sentido de investigar o seu principal rival político na corrida às presidenciais do próximo ano, e outra por obstrução ao impeachment no Congresso. 

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, falou à imprensa acompanhada dos presidentes das seis comissões que participaram no inquérito parlamentar para anunciar a acusação. "Não tomamos esta ação de ânimo leve", afirmou o presidente do Comité Judicial, Jerrold Nadler, que leu os delitos pelos quais se acusa Trump. "Quando o presidente trai a confiança e se coloca à frente do país, põe em perigo a Constituição e a democracia, e põe em perigo a segurança nacional", acrescentou.

A Câmara dos Representantes abriu o processo contra o presidente em setembro, graças à maioria que detém nesta casa, depois de vir a público que Trump terá pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, no sentido de investigar uma empresa ucraniana de gás da qual foi administrador o filho do ex-vice-presidente Joe Biden, dado como favorito a concorrer pelos democratas nas eleições de 2020, em troca de ajuda militar dos EUA.

"Usando os poderes do seu cargo, o presidente Trump solicitou a interferência de um governo estrangeiro, a Ucrânia, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2020", diz o documento de nove páginas no qual a oposição democrata explica as duas acusações contra Trump. Essa pressão, acrescenta a acusação, foi exercida usando como moeda a entrega de 391 milhões de dólares em ajuda militar que o Congresso norte-americano havia prometido à Ucrânia, que está em guerra com os separatistas no leste do país, bem como um convite a visitar a Casa Branca ao presidente ucraniano Volodimir Zelenski.

De acordo com os democratas, o "desafio sem precedentes" do presidente à investigação iniciada pela Câmara dos Representantes, ordenando à Administração que não respondesse às notificações do Congresso. Segundo o El País, os democratas optaram por simplificar o processo, apostando em apenas duas acusações, menos do que as apresentadas contra Bill Clinton ou Richard Nixon, omitindo a acusação direta de suborno, que a Constituição norte-americana cita explicitamente. Evitaram também invocar o crime de obstrução à justiça, o que teria atrasado o processo, pois teria sido necessário um novo processo nos tribunais para o depoimento das testemunhas.

Se o calendário for cumprido como se espera, a maioria democrata na Câmara deve viabilizar a subida da destituição de Donald Trump ao Senado onde os republicanos são maioria. A votação terá lugar na próxima semana e, a partir daí, o caso passará para o Senado, que é onde decorre a última fase do julgamento político e onde é votado o veredito final. Espera-se que a bancada republicana inviabilize o impeachment.

"É uma caça às bruxas", sublinhou Trump no Twitter. "Leiam a transcrição [da chamada], quando eu disse 'nós', estava a referir-me aos Estados Unidos e não a mim", insistiu. 

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