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Demite-se o ministro britânico para o Brexit
Mundo 3 min. 09.07.2018

Demite-se o ministro britânico para o Brexit

Demite-se o ministro britânico para o Brexit

Foto: REUTERS
Mundo 3 min. 09.07.2018

Demite-se o ministro britânico para o Brexit

David Davis saiu por divergências com a política da primeira-ministra Theresa May e justificou o seu gesto: “o interesse nacional exige um ministro do Brexit que acredite firmemente na política [do governo] e não somente um conscrito reticente. A demissão pode colocar em causa a manutenção do governo conservador.

Dois dias depois de ter reunido o seu governo para aprovar o chamado “Brexit doce”, propondo manter laços estreitos com a União Europeia, em áreas como o mercado único, circulação de pessoas e até aceitação de sentenças do Tribunal Europeu, Theresa May vê-se desautorizada pela demissão do ministro encarregue de defender as suas posições em Bruxelas, David Davis, 69 anos.

Depois de meses de divergências internas, May convocou os seus ministros para uma reunião, na quinta de Chequers, a 70 quilómetros da capital, tendo avisado os seus ministros que caso se demitissem durante o encontro, não poderiam regressar a casa nos seus carros oficiais. Nesse encontro do governo, na passada sexta-feira, os ministros foram obrigados a deixar os seus telemóveis à entrada, para que a comunicação social não tivesse notícias do seminário antes de ser dada a posição oficial do governo.

Numa carta dirigida aos deputados do seu partido, a primeira-ministra já tinha puxado as orelhas aos conservadores, sobre a necessidade de unidade para o processo do Brexit previsto para 2021, relembrado: “ Eu autorizei aos colegas a exprimir os seus pontos de vista pessoais. O acordo [de sexta-feira na reunião de Chequers] significa que não será mais permitido isso, e que agora a responsabilidade colectiva terá de ser total”.

"Chafurdar na merda"

As reações não se fizeram esperar, antes da meia noite, do domingo 8 de julho, o ministro encarregue das negociações do Brexit, David Davis, batia a porta. O eurocético nomeado pouco depois da vitória do Brexit no referendo de junho de 2016, afirmava não concordar com a orientação de manter “regras comuns” com a União Europeia, adoptadas, na já citada reunião ministerial de 6 de julho, pelo governo. Para ele era claro que essa decisão, ao contrário daquilo que tinha sido votado pelos cidadãos do Reino Unido e deixava “o controle de grande parte da nossa economia pela União Europeia”. Para o ex-ministro, a estratégia da primeira-ministra apenas iria conduzir “a novas exigências da UE devido às concessões feitas”, “ficaremos numa posição de fraqueza negocial”, critica, na sua carta de demissão, o ex-ministro.

A confusão no governo britânico pode não ficar por aqui, embora o governo seja constituído por uma maioria de ministros que foram contra a saída da União Europeia, ainda tem no seu seio alguns nomes de peso que são eurocéticos. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, durante o seminário governamental na quinta de Chequers, terá dito que o plano para o Brexit de Theresa May era o equivalente de “chafurdar na merda”.

Com o ministro demitem-se os seus dois adjuntos, Steve Baker e Suella Braverman. A primeira-ministra deve dirigir-se aos deputados do seu partido ainda durante a segunda-feira, 10 de julho, e poderá ser obrigada a afrontar uma moção de censura nos dias que se seguem.

O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, reagiu à demissão pelo Twitter, afirmando que o governo estava por um fio: “A demissão de David Davis num momento crucial [das negociações] mostra que Theresa May não tem mais autoridade e é incapaz de fazer o Brexit”. No mesmo sentido foram as declarações do número dois dos trabalhistas, John McDonnell, “é tempo que ela e o seu partido deixem de colocar os seus interesses à frente dos do país e que se vão embora”.

Nuno Ramos de Almeida

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