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Delphine Böel. A filha “renegada” torna-se a nova princesa da Bélgica
Mundo 8 4 min. 02.10.2020 Do nosso arquivo online

Delphine Böel. A filha “renegada” torna-se a nova princesa da Bélgica

Delphine Böel. A filha “renegada” torna-se a nova princesa da Bélgica

Photo: Photonews pool
Mundo 8 4 min. 02.10.2020 Do nosso arquivo online

Delphine Böel. A filha “renegada” torna-se a nova princesa da Bélgica

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Ao fim de sete anos de batalha legal contra Alberto II, que sempre a escondeu e recusou dar-lhe a paternidade, a artista plástica torna-se "Sua Alteza Real". Com os mesmos direitos e apelido dos irmãos, filhos de Paola. Toda a história.

“Eu era a roupa suja de Albert II", disse a artista plástica, de 52 anos, que desde há sete lutava para que fosse reconhecida como filha legítima do antigo rei da Bélgica. Hoje é princesa da Bélgica, “Sua Alteza Real Delphine de Saxe-Coburg" e na próxima segunda-feira, dia 5 de outubro, prestará uma declaração ao país.

Foto: AFP

A justiça belga acaba de “coroar” Delphine Böel com o título de princesa da Bélgica e dar-lhe o apelido de Saxe-Coburg. O veredito do Tribunal da Apelação de Bruxelas divulgado na quinta-feira, dia 1 de outubro, reconhece assim à artista plástica nascida de uma relação extra-conjugal de Alberto II, de 86 anos, com uma baronesa, os mesmos direito e títulos dos outros três filhos legítimos do antigo rei.

A decisão foi tomada com base nos resultados das provas de ADN que Alberto II finalmente aceitou fazer e divulgar em janeiro, após uma longa batalha judicial que vem desde 2013.

Foi nesse ano, que Alberto II que reinou entre 1993 e 2013, abdicou do trono a favor do seu filho Philippe da Bélgica e foi então que Delphine Boël decidiu avançar com o pedido de reconhecimento de paternidade, pois ao deixar o trono da Bélgica, Alberto II perdeu a imunidade que a coroa lhe concedia.


Rei Alberto da Bélgica assume filha ilegítima
O teste de ADN provou que o monarca emérito é pai biológico de Delphine Boel e decidiu reconhecê-la. A irmã do rei Philipe pode tornar-se princesa e receber parte da fortuna real.

A luz ao fundo do túnel

Em janeiro, o antigo monarca comunicou ao país que decidia "terminar com esse doloroso processo de forma honrada e digna", e assumiu ser o pai de Delphine Böel, apelido que a artista plástica ganhou do marido da sua mãe.

Em setembro, na última audiência os advogados de Alberto II, embora reconhecessem a paternidade real, recusaram a pretensão da assumida filha em ter o título de princesa. A partir de agora Delphine Boël "quer ter exatamente as mesmas prerrogativas, títulos e qualidades que os seus dois irmãos (Philippe e Laurent) e a sua irmã" (Astrid), declarou na altura o seu advogado Marc Uyttendaele. Esta quinta-feira, 1 de outubro, o tribunal reconheceu legalmente Delphine como filha legítima do rei e concedeu-lhe o título de princesa e o apelido real.

Delphine que já tinha renunciado ao apelido Böel do marido da sua mãe, será doravante chamada "Sua Alteza Real Delphine de Saxe-Coburg", anunciou o tribunal da Apelação dia 1 de outubro. "A corte afirma que o Rei Alberto II é o seu pai e que doravante terá o nome patronímico de Saxe-Coburgo", acrescentou o advogado, citado pela AFP.

Vitória sem "amor de pai"

"Esta vitória judicial nunca irá substituir o amor de um pai, mas oferece um sentido de justiça, reforçado pelo facto de que muitas crianças que passaram pelas mesmas provações encontrarão a força para as enfrentar", defendeu Marc Uyttendaele.

“Ela está muito satisfeita com a decisão do tribunal, que põe fim a um longo processo que foi particularmente doloroso para ela e para a sua família", acrescentou. 

Também os filhos da nova herdeira de Alberto, Joséphine, de 17 anos e Oscar de 12 anos irão passar a ser tratados por príncipe e princesa.

Fruto de relação proibida

Delphine Böel nasceu da relação extra-conjugal que sua mãe, Sibylle de Sélys Longchamps, manteve em segredo com Albert durante os anos 60 e 70. O pai do rei Philipe era então príncipe herdeiro, casado com a futura Rainha Paola, desde 1959.

A relação secreta e a existência de Delphine como filha ilegítima do monarca foram tornadas públicas com a publicação em 1999 de uma biografia da rainha Paola pelo jornalista flamengo Mario Danneels. O escândalo instalou-se, mas o então rei recusava-se a reconhecer Delphine como sua filha legítima.

O ex-soberano negou durante anos a paternidade, apesar de ter confessado no discurso de Natal de 1999 que ele e a rainha Paola passaram por uma crise conjugal na época em que manteve a relação com a mãe de Delphine. A rainha terá pensado mesmo em divorciar-se, mas na década de 80 o casal real reconciliou-se para bem do país.  


(FILES) This combination of pictures created on April 26, 2018 shows Belgian artist Delphine Boel (L) on April 26, 2018 arriving for a session at the Appeal Court in Brussels to request the appeal of the case contesting the paternity of her father Jacques Boel and asking for the recognition of the paternity of King Albert II and a file photo taken on July 3, 2013 of King Albert II of Belgium (R) delivering a speech at the royal palace in Brussels. - Belgian ex-king Albert refused on February 1, 2019, appeals ruling of the Court of Appeal to issue a DNA sample in the case of Delphine Boel, who claims to be his daughter. The 84-year-old former monarch, who reigned from 1993 until 2013, has always refused to acknowledge that he could be her father. (Photos by ERIC LALMAND / Belga / AFP) / Belgium OUT
Bélgica. Tribunal obriga rei Alberto a fazer teste de ADN pedido por filha ilegítima
Alegada relação extra-conjugal do rei emérito foi tornada pública em 1999.

Uma longa batalha judicial

Desde 2013 quando a artista plástica iniciou a batalha judicial pelo reconhecimento da paternidade de Alberto II que o antigo monarca sempre foi rejeitando as ordens do tribunal. O processo parou por uns anos, tendo sido favorável ao monarca e só em 2017 foi retomado. Em outubro de 2018 o tribunal obriga o pai do atual rei Philipe a realizar o teste de paternidade, dando-lhe um prazo de três meses. Alberto II não cumpriu e em maio de 2019 condena o antigo monarca a pagar uma multa de 5000 euros diária a Delphine Böel, até realizar o teste de paternidade.

A 27 de janeiro de 2020 foi então tornado público o resultado do teste de ADN com o acordo do antigo monarca que revelou ser ele “o pai biológico de Delphine Boël".

Desde dia 1 de outubro, a Bélgica tem uma nova princesa, e esta tem verdadeiro sangue real a correr-lhe nas veias.

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