Escolha as suas informações

De Nápoles a Milão, a revolta contra a crise social espalha-se por Itália
Mundo 27.10.2020 Do nosso arquivo online

De Nápoles a Milão, a revolta contra a crise social espalha-se por Itália

De Nápoles a Milão, a revolta contra a crise social espalha-se por Itália

Foto: AFP
Mundo 27.10.2020 Do nosso arquivo online

De Nápoles a Milão, a revolta contra a crise social espalha-se por Itália

A manhã acordou cinzenta em várias cidades italianas depois de manifestantes protagonizarem inúmeros confrontos em protestos contra o confinamento onde foram usados cocktails molotov. Com negócios, empregos e salários em risco, a população mostra estar farta de não se sentir protegida pelo Governo.

Como resposta ao aumento exponencial dos casos de coronavírus em Itália, várias regiões anunciaram duras medidas restritivas. Um dos exemplos é Nápoles, a maior cidade do sul do país, que pretende ordenar um confinamento geral. Com receio dos impactos económicos da medida e fartos da inexistência de respostas sociais para evitar o aumento da pobreza, milhares de napolitanos saíram às ruas na sexta-feira num protesto que começou de forma pacífica mas que rapidamente acabou em confrontos com as autoridades.

Os protestos espalharam-se na segunda-feira à noite por várias regiões de Itália quase sempre com alguma violência. As imagens que nos habituámos a ver com os coletes amarelos em França, para além de Nápoles, estenderam-se por cidades como Turim, Milão, Trieste, Pescara e Catânia.

Em Turim, o centro acordou em tons cinza. As lojas da Apple, da Gucci, Geox ou a própria sede do governo regional foram atacados com pedras e cocktails molotov. Em Milão, os manifestantes encapuzados enfrentaram a polícia numa noite que acabou com 28 detidos, 13 dos quais menores. As autoridades identificaram alguns anarquistas mas o Contacto sabe que a composição dos protestos é muito heretogénea.

A partir de Nápoles, onde tudo começou, o politólogo Giuliano Granato caraterizou as manifestantes como resultado de um sentimento de revolta em relação a um Governo que não os protege das consequências económicas do confinamento. "Aos protestos vão comerciantes, trabalhadores precários, hooligans do Nápoles, sindicalistas, gente de esquerda e também membros da Camorra", descreve. É uma mistura social que reflete a bomba relógio que há muito estava por rebentar e que foi espoletada pela crise atual.

O politólogo não considera que se tratem de protestos que questionem a existência do vírus ou a necessidade de haver medidas sanitárias para fazer frente à pandemia. Embora pontualmente possa existir um outro grupo dentro destas manifestações com essa intenção, e até alguma extrema-direita interessada em instrumentalizar esta reação social, em geral são protestos "por melhores serviços de saúde, transportes públicos, e um plano para proteger empregos e salários".

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.