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Danke schön, senhora Angela Merkel
Mundo 3 min. 22.10.2021
Cimeira europeia

Danke schön, senhora Angela Merkel

Esta sexta-feira, Angela Merkel senta-se pela última vez entre os líderes dos 27 que traçam a política de Bruxelas.
Cimeira europeia

Danke schön, senhora Angela Merkel

Esta sexta-feira, Angela Merkel senta-se pela última vez entre os líderes dos 27 que traçam a política de Bruxelas.
Foto: AFP
Mundo 3 min. 22.10.2021
Cimeira europeia

Danke schön, senhora Angela Merkel

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Em cerimónia privada na sua última cimeira europeia, a chanceler alemã foi comparada a um monumento e recebeu um aplauso de pé.

Foram 16 anos a representar a maior economia europeia e esta sexta-feira é a última vez em que Angela Merkel se senta entre os líderes dos 27 que traçam a política de Bruxelas. 

Por isso, Charles Michel, o presidente do Conselho Europeu, fez-lhe uma pequena homenagem, não autorizada pela própria. “Sei que não gosta de surpresas e de comemorações. Espero que não fique zangada por causa desta cerimónia na sua última cimeira europeia”, justificou o antigo primeiro-ministro belga.

Nos anos a dirigir a Alemanha, Angela Merkel participou em 107 cimeiras europeias, exatamente metade das que aconteceram desde que esta instituição foi formalmente criada, em 2009. Michel referiu que a estimativa é científica: 107 do total de 214 cimeiras até à data.

“A sua despedida dos palcos europeus toca-nos politicamente, mas também nos enche de comoção”, resumiu Michel. Na sala do edifício Europa foi também exibido um vídeo com alguns dos momentos-chave de Merkel com uma infinidade dos líderes europeus com os quais conviveu.


Roma sem Vaticano, Paris sem Torre Eiffel

No seu breve discurso, que culminou com uma ovação de pé de todos os líderes presentes - entre eles os primeiros-ministros português e luxemburguês, António Costa e Xavier Bettel -, Michel salientou que Angela Merkel “é um monumento”. E explicou que “o Conselho Europeu sem a Angela é como Roma sem o Vaticano ou Paris sem a Torre Eiffel”. “A sua sabedoria fará falta, especialmente em tempos complexos”, resumiu. 

Das várias conhecidas características de Merkel, o atual presidente da instituição salientou a curiosidade científica e intelectual e a simplicidade. E salientou que a sobriedade e simplicidade extremas de Merkel são “uma arma de sedução muito poderosa”. 

Mesmo depois de a chanceler se reformar da política ativa, ela, disse Michel, “não nos irá deixar”. Para Michel, “o seu espírito e experiência ficarão connosco”, porque continuará a ser “uma bússola e um farol no projeto europeu”.

E Michel lembrou ainda uma ideia que o marcou: “Há um ano disse-me: ‘Se nós, o continente do Iluminismo e do conhecimento, não soubermos lidar com o exponencial mais do que com o linear, então teremos um problema'”.

Além da alemã, também o primeiro-ministro da Suécia termina esta sexta-feira a sua carreira no Conselho Europeu, uma vez que perdeu as eleições legislativas no seu país. 

A Stefan Löfven, Michel elogiou a “presença forte e tranquilizadora” e o facto de “ter convicções fortes e humanas e ser sempre muito respeitador. Com sinceridade e uma grande abertura para o mundo”, o que é refletido no “compromisso para o progresso social”, sobretudo manifestado na cimeira sobre direitos sociais em Gotemburgo em 2017. 

Charles Michel considerou que o estilo de Stefan Löfven é ser “cool”. Também o primeiro-ministro sueco foi brindado com um vídeo comemorativo.

Refira-se que Stefan Löfven foi o único líder europeu que não alinhou com a política de confinamento em toda a União Europeia. A Suécia continuou a manter a vida económica e social ativa durante a pandemia, tendo sido dos momentos em que este país nórdico mais chamou a atenção, nos últimos anos.

Merkel e Löfven receberam um presente em nome dos restantes membros do Conselho Europeu. Uma recriação artística do Edifício Europa (sede desta instituição, na Rue de la Loi, em Bruxelas), que é pela primeira vez entregue a líderes de saída das suas funções. 

A peça foi criada por Maxim Duterre, um artista de origem franco-belga a viver em Eindhoven.

O primeiro-ministro checo, o muito polémico Andrej Babis, que perdeu as eleições após a divulgação de um escândalo de corrupção investigado nos Pandora Papers, ainda deverá participar nas cimeiras europeias de novembro de dezembro.

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