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Curdos: Abandono dos Estados Unidos é "facada nas costas"
Mundo 3 min. 11.10.2019

Curdos: Abandono dos Estados Unidos é "facada nas costas"

Curdos: Abandono dos Estados Unidos é "facada nas costas"

Foto: AFP
Mundo 3 min. 11.10.2019

Curdos: Abandono dos Estados Unidos é "facada nas costas"

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
Tropas turcas atacam forças curdas que eram apoiadas pelos Estados Unidos na guerra contra o Estado Islâmico e Trump ameaça com sanções.

Foi com estupefação que os curdos viram a retirada norte-americana do norte da Síria e, posteriormente, a operação turca contra as forças que antes estavam alinhadas com Washington contra o Estado Islâmico. As Forças Democráticas Sírias consideraram ser uma “facada nas costas” esta decisão de Donald Trump.

O pragmatismo geopolítico da Casa Branca ficou patente nas palavras de Trump numa conferência de imprensa: “Os curdos estão a lutar pelo seu território. Eles não nos ajudaram na II Guerra Mundial, na batalha da Normandia, por exemplo”, disse o Presidente dos EUA. “Para além disso, gastámos muito dinheiro a ajudá-los com munições, armamento, dinheiro e salários. Mas, dito isto, nós gostamos dos curdos”.

Já esta quinta-feira o que fora embaixador francês em Washington até junho deste ano, Gérard Araud, afirmou que “os curdos combateram contra o Daesh porque eram o seu inimigo” e acrescentou que o ocidente só trabalhou com estas forças na lógica do “inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Foi nesse sentido, explicou, que forneceram armamento e apoio aéreo. “Estou convencido de que eles não tinham ilusões sobre um compromisso a longo prazo da nossa parte”, disse Araud no Twitter.

A ofensiva turca, de grande escala, começou há 48 horas e, segundo Ancara, tem como objetivo afastar do norte da Síria as milícias curdas Unidades de Proteção Popular (YPG), consideradas pela Turquia como “grupo terrorista”. Na quinta-feira, o presidente da Turquia ameaçou a Europa, afirmando que se Bruxelas classificar a operação militar como “ocupação” Ancara “vai abrir as portas” aos refugiados sírios que se encontram no país.

Entretanto, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, transmitiu às autoridades turcas preocupação pela instabilidade que a ofensiva de Ancara contra as forças curdas na Síria pode causar. “Quero expressar a nossa preocupação pela operação turca no noroeste da Síria. Pelos riscos que pode provocar na região e pela forma como afeta os civis”, disse Stoltenberg numa conferência de imprensa em Istambul em que também participou o chefe da diplomacia da Turquia, Mevlut Çavusoglu.

Stoltenberg sublinhou que a Aliança Atlântica tem consciência da “exposição” da Turquia em relação ao que chamou “volatilidade da região” assim como recordou que nenhum outro país acolhe tantos refugiados. “Há diferentes pontos de vista (sobre a ofensiva turca) dentro da Aliança”, disse Stoltenberg.

Por outro lado, o secretário-geral da NATO expressou preocupação pelo que pode acontecer no que diz respeito aos membros do grupo extremista Estado islâmico detidos na Síria, nos últimos anos, pelos curdos e pelas forças norte-americanas que foram retiradas da região após ordens do presidente Donald Trump.

“Temos um inimigo comum, o Estado Islâmico. Os combatentes detidos não podem escapar. A comunidade internacional deve encontrar uma solução para organizar os combatentes estrangeiros na Síria”, disse.

Trump propõe três soluções contra a Turquia

Entretanto, o presidente norte-americano, Donald Trump, avançou com três possíveis respostas contra Erdogan. "Temos três opções: enviar milhares de soldados e ganhar militarmente, atingir a Turquia muito duramente com sanções financeiras ou mediar um acordo entre a Turquia e os curdos", afirmou Trump no Twitter.

Para além disso, o presidente dos Estados Unidos acrescentou que não há mais tropas na zona onde ocorre a operação turca. "Derrotámos 100% do califado do Estado islâmico e não temos mais tropas na área atacada pela Turquia, na Síria. Fizemos o nosso trabalho perfeitamente! Agora a Turquia está ataca os curdos com quem lutam há 200 anos", escreveu.

Na quarta-feira, Donald Trump concordou com outras figuras políticas dos EUA sobre a possibilidade de aprovar sanções contra a Turquia para responder à operação militar.

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