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Crispação política e divisão interna no país do Brexit
Mundo 3 min. 07.11.2019

Crispação política e divisão interna no país do Brexit

Crispação política e divisão interna no país do Brexit

Foto: Tolga Akmen/AFP
Mundo 3 min. 07.11.2019

Crispação política e divisão interna no país do Brexit

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
Com a situação política britânica marcada pelo Brexit, as eleições legislativas de dezembro abrem passo a um novo episódio com as sondagens a apontar para a vitória dos conservadores.

Boris Johnson vai ter de sobreviver à prova de fogo de dia 12 de dezembro depois de suceder a Theresa May sem ter passado pelo crivo eleitoral. As sondagens dão o partido do atual primeiro-ministro como favorito a ganhar as eleições legislativas (36%) num Parlamento que se prevê, uma vez mais, pulverizado. Ainda assim, os trabalhistas ficam longe dos conservadores (23%) com os liberais democratas nos 18% e o partido do Brexit nos 12%.

É precisamente esta a formação que mais erosão eleitoral tem sofrido com o protagonismo de Boris Johnson, que nos últimos meses tem batalhado em diversas frentes para iniciar o Brexit. Como consequência, o líder eurocético Nigel Farage anunciou na segunda-feira que não será candidato e que vai antes percorrer o país para apoiar as centenas de candidatos do seu grupo político. O porta-voz do partido do Brexit voltou a criticar o acordo de saída da União Europeia (UE) negociado pelo primeiro-ministro Boris Johnson, afirmando que favorecia os defensores da manutenção do Reino Unido no bloco europeu.

Nas primeiras eleições que se vão realizar em dezembro em quase um século, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, que pretende referendar o acordo com a UE, afirmou que quer que o país "se livre deste governo conservador imprudente e destrutivo". O resultado do plebiscito que vai ter lugar numa quinta-feira, como é habitual no Reino Unido. só vai ser tornado público no dia seguinte, sexta-feira, 13. Resta saber quem vai ter azar.

Legislatura marcada por ambiente tóxico

Numa legislatura marcada pela tensão, cerca de um quarto dos deputados ao Parlamento britânico anunciaram que não vão continuar depois de dezembro, com inúmeras queixas sobre a atmosfera tóxica na política britânica desde que o Brexit passou a ser o tema central do debate nacional.

A cadeia de televisão Euronews refere duas representantes que apontaram o abuso e as ameaças sofridas como razão para não procurarem a reeleição. Muitos outros entraram em conflito ou abandonaram o partido que representavam e denunciaram o crescente clima de intolerância. No domingo  eram já 60 os deputados, incluindo o presidente da Câmara dos Comuns, que tinham anunciado a retirada do parlamento, quase 10% do número total de deputados. Destes, 31.6% são mulheres. A última a anunciar a saída foi a conservadora Magot James que referiu o Brexit e a oposição como razão para abandonar o parlamento.

Heidi Allen que trocou os conservadores pelos democratas liberais anunciou também esta semana que ia deixar o Parlamento. "Estou exausta com a invasão da minha privacidade e com a indecência e a intimidação que se tornaram comuns", confessou numa carta aos eleitores. "Ninguém, seja qual for o cargo, deveria ter de suportar ameaças, emails agressivos, ser insultado na rua e nas redes sociais, nem ter de instalar alarmes em casa".

De acordo com um estudo conjunto entre a Euronews e o Institute for Government Research, dos deputados que agora se retiram, 31 alegaram razões pessoais para o abandono, 17 apresentam causas políticas, 14 falam de abuso e do ambiente tóxico e 12 não apresentaram qualquer justificação.

Governo escocês quer independência

A chefe do Governo escocês reiterou que quer um referendo no próximo ano voltando a afirmar que a saída prevista do Reino Unido da União Europeia mudou a situação. Foi diante de milhares de manifestantes em Glasgow que Nicola Sturgeon afirmou que "a Escócia está perto de ser independente". Para a líder escocesa, "as eleições parlamentares de 12 de dezembro são as mais importantes do nosso tempo para a Escócia, cujo futuro está em jogo".

Já o Governo de Londres, de acordo com a Lusa, opõe-se a uma nova consulta, defendendo que os resultados obtidos há cinco anos são a palavra final sobre "um evento único, organizado uma vez em cada geração". Em 2014, um dos argumentos a favor da manutenção da Escócia no Reino Unido foi que, no caso de uma divisão da Grã-Bretanha, os escoceses perderiam os benefícios de pertencer à União Europeia. Dois anos depois, no referendo sobre o Brexit, 62% dos escoceses opuseram-se à saída do Reino Unido da UE.


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