Crise de vacinas. AstraZeneca mostra partes do contrato com a EU
Crise de vacinas. AstraZeneca mostra partes do contrato com a EU
Numa tentativa de tornar o jogo mais limpo, a AstraZeneca publicou hoje o contrato com a UE, mas com várias passagens censuradas. A AstraZeneca está no centro de uma disputa com a Comissão Europeia, que diz que a companhia vai apenas fornecer uma parte das doses a que se tinha comprometido a entregar assim que a sua vacina contra a covid-19 fosse aprovada. A aprovação para uso na União Europeia pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) é esperada a qualquer hora.
A AstraZeneca é a segunda farmacêutica a mostrar o contrato, depois de a CureVac ter cedido o seu documento a eurodeputados da comissão de saúde pública (ENVI), há 15 dias. Também a CureVac cedeu cópias editadas do contrato. Os eurodeputados têm pressionado o comité que negociou as compras a garantir a transparência do processo.
No documento da AstraZeneca agora tornado público estão rasuradas as passagens que referem os valores a serem pagos pelos países, as datas de entrega e a localização das fábricas.
O argumento principal da AstraZeneca para não entregar as doses contratadas para a primeira fase é que a fábrica na Bélgica (uma das quatro da rede de produção da farmacêutica) estaria com problemas. Enquanto a linha de produção existente no Reino Unido estaria a funcionar bem, o que, no entender da administração da AstraZeneca, permite abastecer aquele mercado. A posição da empresa é que seriam as fábricas localizadas na União Europeia que teriam que fornecer os países do bloco europeu.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem dito que “é claro como água” que o contrato assinado a 26 de agosto de 2020, estipula que todas as unidades de produção servem todos os “clientes”, o que significa que a fábrica em Inglaterra está igualmente sujeita ao contrato com a União Europeia.
Um responsável da Comissão Europeia, adiantou que o anúncio pelo CEO da AstraZeneca de que a farmacêutica só iria entregar 25% das doses previstas para a primeira fase do calendário, corresponde “a uma quebra óbvia do contrato”. Mas, adiantou o mesmo responsável, a Comissão não pretende resolver o assunto em tribunal - o que não serviria ao propósito de vacinar a população - mas garantir que os frascos das vacinas cheguem aos países o mais depressa possível.
No contrato mostrado, a calendarização e a quantidade de doses a entregar em cada fase foi obliterada, por decisão da AstraZeneca. A Europa está a enfrentar uma crise de falta de vacinas. A estimativa atual é que apenas 2% de cidadãos da União Europeia tenham sido vacinados, contra os 11% de cidadãos do Reino Unido.
A União Europeia pagou, como entrada, logo após a celebração do contrato, €336 milhões de euros à AstraZeneca para investir na pesquisa e na criação de capacidade fabril e agora, como disse a comissária da Saúde, Stella Kyriakides, quer ver o retorno desse investimento.
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