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Covid-19. Quatro portugueses infetados num jantar de família em Metz
Mundo 3 3 min. 02.04.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Quatro portugueses infetados num jantar de família em Metz

Covid-19. Quatro portugueses infetados num jantar de família em Metz

Mundo 3 3 min. 02.04.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Quatro portugueses infetados num jantar de família em Metz

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Uma das familiares doentes contou ao Contacto como os primeiros dias da doença "foram muito duros". Há 15 dias que estão de quarentena em casa, depois de uma reunião entre pais e filhas antes do confinamento.

Rosa de Sousa nunca imaginou que um jantar de família, em sua casa, poderia tornar-se a reunião ideal para o novo coronavírus contaminar quatro das cinco pessoas presentes. Mas, foi o que aconteceu e desde há 15 dias que Rosa e o marido, e as suas duas filhas adultas estão em quarentena, cada um nas suas casas, na região de Metz. O único que não apresenta sintomas é o seu genro, o marido da filha “que trouxe o vírus do trabalho para o jantar”, pois houve um colega seu que foi infetado antes.

A família Sousa, pais e duas filhas ficaram assim incluídos no registo dos milhares de residentes infetados na região francesa do Grand Est, a mais afetada de França pela pandemia, juntamente com a Île-de-France.

Apesar de estarem “identificados como doentes covid-19” a família Sousa não foi submetida aos testes. “O médico de família a quem telefonei disse-nos para ficarmos em quarentena total em casa, e receitou-nos paracetamol. Para a semana vamos à consulta”, conta Rosa, de 60 anos.


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Primeiros dias foram "muito maus"

O jantar em família aconteceu há três semanas, dias antes de França decretar o confinamento, mas só uma semana depois da reunião familiar Rosa e o marido, Manuel, de 70 anos, sentiram os sintomas da infeção.

“Tive febre alta, 39 graus, dores de cabeça e na zona dos olhos, diarreia, perdi totalmente o paladar e o olfato e fiquei com muita tosse”, conta esta portuguesa de Metz acrescentando que o marido “teve os mesmos sintomas”. Rosa telefonou ao médico de família que os diagnosticou como “doentes infetados pelo coronavírus” e disse-lhes para entrarem em quarentena total. “Não nos mandou fazer os testes de despistagem, mandou-nos ficar em casa. E só se ficássemos com falta de ar, com dificuldades em respirar é que chamávamos uma ambulância”, lembra.

Os quatro primeiros dias da doença é que “foram muito maus, muito duros”, ela e o marido ficaram “de cama” e só se levantavam para se “sentarem no sofá do quarto”. “Não tínhamos força para nada”, recorda.


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"Nunca imaginei ficar infetada"

Depois foram melhorando e agora, 15 dias depois os sintomas desapareceram, à exceção do “cansaço”: “Ainda me canso muito mesmo a fazer coisas simples, fico tão cansada que tenho de me sentar”.

“Nunca imaginei que iria ficar infetada por esta pandemia, uma situação nunca vista. Mas agradeço a Deus por só ter tido quatros dias maus, que no fundo foram pouca coisa, quando comparados com o que passam tantos doentes que têm de ser hospitalizados e sofrem tanto. E há tantas mortes”, refere esta portuguesa.

Os números cruéis do Grand Est

Na região do Grand Est os doentes são tantos que desde o passado dia 25 de março, onde já havia perto de seis mil infetados, que a Agence Régional de Santé do Grand Est (ARS) deixou de apresentar as estatísticas diárias dos novos casos confirmados, por já não ter capacidade para testar todas as pessoas com sintomas. Agora apenas aos casos graves e doentes vulneráveis são feitos os testes de despistagem.


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 "Testar todos os pacientes com sintomas levaria à saturação do sistema de rastreamento”, indicou a ARS. A 31 de março, esta região já registava mais de mil mortes (1015) devido à epidemia, 4246 hospitalizações das quais 890 nos cuidados intensivos. Os números têm aumentado todos os dias.

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