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Covid-19: OMS avisa que pior da pandemia ainda está para vir
Mundo 3 min. 30.06.2020

Covid-19: OMS avisa que pior da pandemia ainda está para vir

Covid-19: OMS avisa que pior da pandemia ainda está para vir

AFP
Mundo 3 min. 30.06.2020

Covid-19: OMS avisa que pior da pandemia ainda está para vir

Lusa
Lusa
Seis meses após o início da covid-19, o diretor da OMS mostra-se pessimista. A pandemia "está longe de acabar", aliás, "globalmente está a acelerar" e o vírus é "rápido e assassino".

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde afirmou que “o pior ainda está para vir” em relação à covid-19, apontando a politização da pandemia como um fator de divisão aproveitado por um vírus “rápido e assassino”.

Na segunda-feira, dia em que se assinalam seis meses desde que a OMS recebeu os primeiros relatos sobre casos de pneumonia inexplicados na China, Tedros Ghebreyesus afirmou que “a realidade é que isto ainda está longe de acabar”.

“Globalmente, a pandemia está a acelerar”, ultrapassadas as barreiras de 10 milhões de casos e 500 mil mortos, indicou.

Vírus "rápido e assassino"

Tratando-se de um vírus “rápido e assassino”, é preciso “evitar as divisões” porque “quaisquer diferenças podem ser exploradas” pelo novo coronavírus, que surgiu em Wuhan, na China, onde a OMS vai enviar “na próxima semana” uma equipa para “compreender como começou e o que se pode fazer no futuro” para o mundo se preparar para lidar com ele.


Mural dedicado à pandemia da covid-19 na Cidade do México.
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Os número de novas infeções é preocupante. Se em março, demoramos três semanas a atingir o primeiro milhão de infetados, agora "houve mais um milhão de infetados em apenas uma semana".

“Com 10 milhões de casos e meio milhão de mortos, a não ser que resolvamos os problemas que identificámos, como OMS, de falta de unidade nacional e solidariedade global e de um mundo dividido que está a ajudar o vírus a espalhar-se, o pior ainda está por vir. Lamento dizer isto, mas com este tipo de ambiente e condições, tememos o pior. Temos de nos concertar e combater este perigoso vírus”, defendeu.

“A nossa mensagem continua a ser a mesma, não se trata de um país, dois países ou três países”, salientou Ghebreyesus.

Evitar a "politização do vírus"

O diretor executivo do programa de emergências sanitárias da OMS, Michael Ryan, afirmou que “é fácil criticar qualquer indivíduo ou país e não há nenhum país ou organização que esteja imune a críticas ou defeitos ou dificuldades na resposta” à pandemia.

“Não podemos continuar a permitir que o combate a este vírus se torne um combate ideológico. Não conseguimos vencê-lo com ideologia. Cada pessoa, cada político, precisa de se olhar ao espelho e pensar se está a fazer o suficiente para travar este vírus”, defendeu.


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Confrontada com o avanço "galopante" da pandemia, a OMS lembra que não meios epidemiológicos 100% fiáveis para garantir a segurança a bordo e admite a multiplicação de "casos importados" em todo o mundo.

“Quando dizemos que é preciso evitar a politização do vírus, isso vai nos dois sentidos. Como indivíduos ou como sociedades, podemos ter de apoiar e encorajar um governo que não escolhemos e do qual não gostamos. Esse é a dificuldade e o desafio da unidade nacional contra um inimigo comum e nós não temos tempo para perder”, afirmou.

"Aprender" com a covid-19

A principal responsável técnica da OMS no combate à covid-19, Maria Van Kerkhove, frisou que o caminho é estar “do lado da ciência”.

“Estamos a aprender com este vírus. Sabemos o que resulta. Não estamos a dizer que é fácil. Não estamos a dizer que não vai levar mais tempo e que vai ser difícil para cada um, para as famílias, para as comunidades e para as nações”, afirmou a norte-americana.

Receita para conter a transmissão

Depois de seis meses, a OMS reiterou ontem a receita para conseguir conter a transmissão, o que passa por ter as pessoas informadas do papel que assumem, quer transmitindo-lhes que “não estão indefesas” quer o facto de serem também responsáveis pelo que acontece às pessoas com quem estão em contacto, salientou Tedros Ghebreyesus.


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A OMS alerta que o vírus continua a transmitir-se rápido e a matar. Só na sexta-feira surgiram mais 150 mil doentes no mundo, o valor mais elevado até agora.

Suprimir a transmissão comunitária com medidas de distanciamento e higiene, salvar vidas dos mais vulneráveis tratando todos os casos, acelerar a investigação de vacinas e tratamentos e atingir um patamar de “liderança política e moral” são as outras prioridades apontadas pela OMS.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 501 mil mortos e infetou mais de 10,16 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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