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Covid-19. Maioria dos doentes continua com sintomas seis meses após a infeção
Mundo 2 min. 09.01.2021

Covid-19. Maioria dos doentes continua com sintomas seis meses após a infeção

Covid-19. Maioria dos doentes continua com sintomas seis meses após a infeção

Mundo 2 min. 09.01.2021

Covid-19. Maioria dos doentes continua com sintomas seis meses após a infeção

AFP
AFP
Fadiga e fraqueza muscular são as sequelas mais persistentes, seguindo-se problemas de sono, ansiedade e depressões, indica um novo estudo científico.

Mais de três quartos dos doentes de Covid-19 hospitalizados em Wuhan entre Janeiro e Maio continuavam a sentir, pelo menos, um sintoma persistente seis meses depois da infeção e de terem sido dados como curados, indica um novo estudo publicado na revista científica 'The Lancet". 

Quase dois terços dos doentes seguidos apresentavam fadiga ou fraqueza muscular meio ano após a doença aguda, enquanto 26% tinham dificuldades em dormir e 23% desenvolveram ansiedade ou depressão, de acordo com este estudo realizado junto de 1.733 pacientes do Hospital Jin Yin-tan em Wuhan que continuaram a ser seguidos pelos médicos, após a infeção pela covid-19. A média de idade dos doentes vigiados é de 57 anos.

Esta investigação em Wuhan confirma os efeitos a longo prazo da Covid-19 que outros estudos científicos internacionais têm apontado. 

Este estudo chinês salienta a necessidade crescente de cuidados sustentados para grandes grupos populacionais e de uma maior investigação sobre os efeitos prolongados da nova doença, segundo alerta Bin Cao, um dos autores da investigação, do Centro de Investigação chinês de doenças respiratórias. 


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 Perigo das reinfeções

A investigação vem também alertar para a possibilidade dos doentes infetados e tratados poderem voltar a ser contagiados pelo vírus. Os autores do estudo chinês analisaram os níveis de anticorpos neutralizantes - proteínas que o corpo normalmente produz em resposta a um vírus e que tornam as pessoas imunes a à doença. 

Num grupo de 94 doentes, os níveis destes anticorpos caíram em média 53% durante o período de estudo de seis meses após o pico da sua infeção. 

Além de causar pneumonia, sabe-se que a Covid-19 afeta também os rins, coração, vasos sanguíneos e outros tecidos. Os testes laboratoriais mostraram que 13% dos doentes cujos rins pareciam saudáveis durante a sua estadia hospitalar revelaram uma redução da sua função nos exames de seguimento realizados naquele hospital de Wuhan. 


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 Infeção grave deixa longas sequelas

Entre muitos dos doentes que desenvolveram formas graves da doença e que foram dados como recuperados da infeção, a sua função pulmonar ainda estava comprometida meio ano mais tarde. Mais de metade das pessoas que necessitaram de ventilação assistida durante a infeção mostraram ter um fluxo reduzido de oxigénio dos pulmões para a corrente sanguínea nos exames de vigilância, e cerca de um quarto do grupo que desenvolveu infeção grave revelou também manter esse problema. 

O estudo revelou mais uma sequela dos doentes graves. Estes entre todos os pacientes infetados e recuperados foram os que mostraram um pior desempenho no testes de caminhada de seis minutos realizados ao longo dos seis meses após a infeção, sendo que cerca de um quarto deles não conseguiu atingir o limite inferior da distância normal. 


Imagem de arquivo
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Estudo revela que mulheres em idade ativa e com doença leve são quem mais reporta sintomas prolongados da doença. Fadiga e confusão mental são alguns dos mais comuns.

"Há poucos estudos sobre o quadro clínico das consequências do Covid-19", declararam investigadores do Instituto Mario Negri de Investigação Farmacológica de Milão num comentário a esta nova investigação publicada na revista 'The Lancet', pelo que o estudo de Wuhan é "relevante e oportuno".

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