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Covid-19. Líderes indígenas brasileiros alertam para calamidade de saúde pública iminente
Mundo 5 min. 12.04.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Líderes indígenas brasileiros alertam para calamidade de saúde pública iminente

Covid-19. Líderes indígenas brasileiros alertam para calamidade de saúde pública iminente

Mundo 5 min. 12.04.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Líderes indígenas brasileiros alertam para calamidade de saúde pública iminente

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Desde quinta-feira registaram-se três mortes dentro das comunidades indígenas

Líderes indígenas e ativistas dos direitos humanos do Brasil alertam para uma calamidade de saúde pública iminente dentro das comunidades originárias brasileiras, à medida que surgem relatos das primeiras mortes ligadas ao novo coronavírus dentro de diversas populações indígenas que são "altamente vulneráveis". 

Registaram-se mais duas vítmas mortais por covid-19 nas comunidades indígenas brasileiras. O anúncio foi feito este sábado pelo Ministério da Saúde do Brasil e dá conta da morte de um homem da etnia Tikuna, de 78 anos, e de uma mulher da etnia Kokama, de 44 anos. 

Ambos tinham problemas de saúde cujo estado se agravou depois de terem contraído a covid-19. Só na região do Amazonas já foram confirmados seis casos de contaminação pelo novo coronavírus, segundo confirmação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões.  

Na passada quinta-feira, dia 9 de abril, um adolescente Yanomami de 15 anos que estava em estado grave, internado no Hospital Geral de Roraima desde o dia 3 de abril, acabou por falecer.  O jovem era natural da aldeia Rehebe, localizada na Terra Indígena Yanomami, mas passou a residir na Terra Indígena Boqueirão, dos povos Macuxi e Wapichana, no município de Alto Alegre, a 87 quilômetros de Boa Vista, de acordo com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei). O motivo da mudança foi dar continuidade aos estudos. Ainda segundo o Dsei, o adolescente morava com uma liderança indígena.

Segundo O Globo, o Brasil já soma pelo menos dez casos de covid-19 entre indígenas de seis etnias e três estados diferentes. Além dos registros de quatro familiares da etnia Kokama revelados pelo GLOBO, em Santo Antônio do Içá, no Amazonas, outros seis pacientes testaram positivo para a Covid-19.

Este sábado, a entidade que representa os direitos dos Yanomami alertou para o  o iminente aumento de casos entre indígenas da aldeia de Alvanir Xrixana e apontou falhas nos cuidados com desde o primeiro momento em que ele apresentou sintomas da Covid-19, há três semanas. A organização chamou a atenção das autoridades responsáveis para a presença de garimpeiros na comunidade onde a vítima morava.

Carta aos Governadores

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) encaminhou uma carta para todos os governadores dos 26 Estados, incluindo o Distrito Federal, para solicitar a adoção de medidas especiais de proteção aos povos indígenas diante das ameaças da pandemia da covid-19. 

De acordo com a coordenação da APIB, "a negligência do Governo Bolsonaro diante da atual crise, que afeta centenas de países, fez com que os esforços da organização estejam concentrados em encontrar apoio junto aos Governos Estaduais". 

Desde o dia 20 de março, que "a APIB tem exigido do Governo Federal a criação de um Plano de Ação Emergencial, que até o momento não foi apresentado", lê-se em comunicado. “Nesse cenário, as estratégias de enfrentamento do coronavírus impõe uma articulação interfederativa e interinstitucional solidária”, enfatiza trecho da carta. 

À medida que a propagação do vírus avança no Brasil, os povos indígenas estão numa situação de "grande vulnerabilidade, com risco real deste novo vírus causar outro genocídio em comunidades indígenas dizimar povos", afirmam. "A chegada da pandemia da COVID-19 aos povos e territórios indígenas no Brasil emerge como um cenário de extrema preocupação, que deve ser prontamente considerada pelas autoridades de saúde e pelos órgãos indigenistas”, reforça a APIB aos governadores.

“Os povos indígenas não estão apenas expostos ao novo coronavírus, mas também à acentuada vulnerabilidade social que dificulta o enfrentamento do processo epidêmico, assim como a sustentabilidade alimentar”. O alerta encaminhado na carta aos governadores reforça o facto de que muitas comunidades indígenas precisarem comprar alimentos nas cidades e que muitos indígenas dependem de programas sociais, o que requer medidas para ajudar nas estratégias de isolamento social. 


Covid-19. Número de mortos do Brasil sobe para 1.223 e país regista 22.169 infetados
São Paulo continua a ser o estado brasileiro com maior número de casos confirmados, 588 mortos e 8.755 pessoas infetadas.

Outro ponto reforçado na carta como alerta é a elevada prevalência de diferentes doenças que tornam os povos indígenas vulneráveis às complicações do coronavírus. Esta condição gera a necessidade de acesso a serviços em hospitais especializados nas capitais, muitas vezes distantes dos municípios onde estão a maioria dos territórios indígenas, que não possuem serviços públicos essenciais adequados. “Situação que dificulta a identificação e/ou tratamento de casos graves do coronavírus em populações indígenas”, reforça a carta.  

A organização também reforça na carta sobre o contexto dos povos indígenas em isolamento voluntário e de contato recente, nos Estados que pertencem a Amazônia Legal. A APIB propõe a adoção de estratégias de proteção para o controle da circulação de pessoas nestes territórios com intenção de impedir a entrada do coronavírus. 

De acordo com a APIB, o documento foi elaborado com apoio de técnicos e especialistas na área de saúde indígena. Na carta enviada, a organização solicita o engajamento dos Governadores em dez pontos de ação que incluem medidas como a inclusão das organizações indígenas e membros da APIB nas reuniões de planeamento de contigência dos diferentes Estados, a prestação de apoio aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e às Casas de Saúde Indígena e ainda a distribuição de testes rápidos de covid-19 às diferentes comunidades. 

O Brasil registou este domingo, dia 12  de abril, 99 mortes e mais 1.442 novos casos de infeção pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, totalizando 1.223 óbitos e 22.169 infetados desde o início da pandemia, anunciou hoje o executivo.

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