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Covid-19. Jornalista chinês há dois meses desaparecido publica vídeo nas redes sociais
Mundo 3 min. 22.04.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Jornalista chinês há dois meses desaparecido publica vídeo nas redes sociais

Covid-19. Jornalista chinês há dois meses desaparecido publica vídeo nas redes sociais

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Mundo 3 min. 22.04.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Jornalista chinês há dois meses desaparecido publica vídeo nas redes sociais

Li Zehua havia sido visto pela última vez a 26 de fevereiro

Depois de dois meses dado como desaparecido, após a publicação de vídeos de Wuhan durante o surto de coronavírus, Li Zehua, jornalista e cidadão chinês, reapareceu. O jovem afirma que foi detido pela polícia e colocado à força em quarentena, adiantou o jornal The Guardian com correspondente em Pequim.

Li Zehua era um dos três jornalistas chineses que estava a reportar na linha da frente, em Wuhan, durante algumas das piores semanas da epidemia. Foi visto pela última vez a 26 de Fevereiro, depois de ter colocado um vídeo que documentava a perseguição por um SUV branco, bem como um longo direto que terminou quando vários agentes entraram no seu apartamento, escreveu a jornalista Lily Kuo, no The Guardian.

Depois de regressar ao seu apartamento, Li Zehua diz ter visto polícias e funcionários uniformizados em fatos de protecção a baterem às portas dos seus vizinhos. Li desligou as luzes e sentou-se silenciosamente em frente ao seu computador durante horas, à espera. Três horas mais tarde, chegaram à sua porta.

Pelo menos três homens entraram no seu apartamento, identificando-se como segurança pública. “Li foi então com eles a uma esquadra da polícia local, onde lhe disseram que estava a ser investigado sob a acusação de perturbação da ordem pública”, escreve o mesmo jornal britânico que traduz o conteúdo do vídeo publicado agora por Li Zehua.

Mais tarde, a polícia disse que não o acusariam, mas porque tinha visitado "zonas epidémicas sensíveis", teria de ser submetido a quarentena.

Li, que teve de entregar os seus dispositivos a um amigo, passou o mês seguinte em quarentena em Wuhan e depois na sua cidade natal, numa província diferente. Era servido três refeições por dia, monitorizado pelos seguranças e capaz de assistir ao noticiário nocturno da televisão estatal CCTV.

"Durante todo este tempo, a polícia agiu de forma civil e legalmente, assegurando-me do meu descanso e da minha alimentação. Eles preocupavam-se mesmo comigo", disse no vídeo traduzido pelo The Guardian. Li disse que foi libertado a 28 de Março e que tem passado algum tempo com a sua família. Desejou uma rápida recuperação àqueles que sofreram durante a epidemia. "Que Deus abençoe a China e que os povos do mundo se unam".

Segundo a correspondente em Pequim, “o tom e os comentários de Li, neutros e patrióticos, foram marcadamente diferentes dos seus vídeos anteriores”. Li, que tinha trabalhado para a CCTV estatal, deslocou-se a Wuhan para relatar a crise depois do desaparecimento de outro cidadão jornalista e activista, Chen Qiushi.

Nos seus vídeos, relatou os esforços de uma comissão de bairro local para encobrir novas infecções e entrevistou residentes doentes. Visitou um crematório onde um trabalhador disse que as pessoas estavam a ser mais pagas aos organismos de transporte.


China. Crítico voraz de Xi Jinping é detido e namorada está desaparecida
Xu Zhiyong, ex-professor de direito e fundador da campanha social New Citizens Movement, foi detido pelas autoridades chinesas no sábado à noite. Li Qiaochu, ativista social e namorada de Xu, desapareceu este domingo.

Na altura, afirmou Li: "Não quero ficar calado, nem tapar os olhos e os ouvidos". Não é que eu não possa ter uma vida boa, com mulher e filhos. Eu posso. Estou a fazer isto porque espero que mais jovens possam, como eu, levantar-se".

No entanto, ao encerrar o seu vídeo publicado esta quarta-feira, Li citou uma frase de um texto confuciano sobre a fidelidade às crenças de cada um. "O coração humano é imprevisível, inquieto. A sua afinidade com o que é certo é pequena. Seja criterioso, seja uniforme, para que se possa manter firme", cita o jornal.

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