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Covid-19. Guterres pede cessar-fogo imediato em todos os conflitos mundiais
Mundo 3 min. 23.03.2020

Covid-19. Guterres pede cessar-fogo imediato em todos os conflitos mundiais

Covid-19. Guterres pede cessar-fogo imediato em todos os conflitos mundiais

Foto: AFP
Mundo 3 min. 23.03.2020

Covid-19. Guterres pede cessar-fogo imediato em todos os conflitos mundiais

Redação
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Pedido da ONU chega numa altura em que é registado o primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus na Síria. Já os países sob sanções, como o Irão e a Venezuela , vão receber ajuda financeira da União Europeia.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu hoje um cessar-fogo imediato em todos os conflitos mundiais para preservar a vida de civis perante a “fúria” da pandemia da covid-19.

“Está na hora de terminar os conflitos armados e de nos concentrarmos na verdadeira luta das nossas vidas”, disse Guterres, numa breve declaração aos jornalistas.

“A fúria com que o vírus se está a espalhar mostra que continuar a fazer guerra é loucura”, explicou o secretário-geral das Nações Unidas.

As declarações surgem numa altura em que é registado o primeiro caso de covid-19 na Síria, país devastado por uma guerra que dura há dez anos, tendo outros casos sido identificados na República Democrática do Congo ou no Afeganistão, onde permanecem longos conflitos militares.

Especialistas e diplomatas antecipam que o vírus cause uma terrível carnificina em países em conflito, geralmente muito pobres e com sistemas de saúde ainda mais fracos do que em outros lugares.

“Baixem as armas, silenciem as armas, acabem com os ataques aéreos”, apelou Guterres, enfatizando que é essencial estabelecer “corredores de ajuda humanitária que salvarão vidas”.

"Vamos pôr fim ao flagelo da guerra e lutar contra a doença que assola o mundo. Isso começa com o fim dos combates. Em toda a parte. Em todos os lugares. Imediatamente”, insistiu o líder da ONU.

Após um pedido de António Guterres, na semana passada, de solidariedade com os países pobres e vulneráveis, a fim de evitar milhões de mortes, as Nações Unidas planeiam divulgar quarta-feira um plano para uma resposta humanitária global à pandemia causada pelo nono coronavírus, com a criação de um fundo dedicado à luta internacional.

Sanções dificultam situação no Irão

Esta segunda-feira, o Irão registou mais 127 mortes devido ao novo coronavírus, elevando o número de mortos para 1.812 em 23.049 casos confirmados, segundo os mais recentes dados divulgados pela televisão estatal.

O país está a enfrentar o pior surto no Médio Oriente e tem recebido críticas generalizadas por não impor medidas de quarentena mais rigorosas desde o início da pandemia da covid-19.

No entanto, também a manutenção das sanções americanas sobre a economia do país são alvo de crítica nesta altura, levando a que aos pedidos dos habituais aliados do país, China e Rússia, para que estas terminem, se junte a posição do Reino Unido, aliados próximo dos Estados Unidos da América, que pede ao seu presidente, Donald Trump que alivie a pressão sobre o Irão nesta fase de combate global à pandemia.

As sanções dos Estados Unidos impedem, por exemplo, o país de vender o seu petróleo e aceder aos mercados financeiros internacionais.  

Apesar disso, o Guia Supremo recusa a ajuda direta dos Estados Unidos da América.

 UE preparada para ajudar financeiramente Venezuela e Irão  

 A União Europeia (UE) anunciou entretanto que vai ajudar financeiramente a Venezuela - também sob sanções internacionais - e o Irão na luta contra a Covid-19, anunciou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

“Concordámos em apoiar financeiramente o Irão e a Venezuela, que estão em maiores dificuldades devido a sanções”, disse Borrell, numa conferência de imprensa divulgada pela Internet, após uma teleconferência dos ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) dos 27.

O chefe da diplomacia da UE salientou também que Bruxelas está a apoiar os Estados-membros nos esforços de “repatriamento de pessoas que estavam a viajar e foram apanhadas em trânsito e têm que voltar aos seus países”.

“Esta é uma competência dos Estados-membros”, sublinhou, reconhecendo haver “países onde há maior preocupação”.

Borrell salientou ainda que África é um continente que precisa de toda a cooperação, uma vez que “o impacto da pandemia ficará rapidamente fora de controlo”.  

com Lusa

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