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França. Profissionais de saúde que recusem ser vacinados podem ser despedidos
Mundo 12 3 min. 04.08.2021
Covid-19

França. Profissionais de saúde que recusem ser vacinados podem ser despedidos

Profissionais hospitalares protestam contra a vacinação obrigatória.
Covid-19

França. Profissionais de saúde que recusem ser vacinados podem ser despedidos

Profissionais hospitalares protestam contra a vacinação obrigatória.
Foto: AFP
Mundo 12 3 min. 04.08.2021
Covid-19

França. Profissionais de saúde que recusem ser vacinados podem ser despedidos

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A partir de 15 de setembro, o Governo francês quer tornar a vacina contra a covid obrigatória para quem trabalha nos hospitais, clínicas de saúde, nos lares de idosos e cuidadores ao domicílio. E haverá sanções. Os cuidadores avançam para a greve.

Em França, todos os profissionais de saúde podem ser obrigados a vacinar-se contra a covid, a partir de 15 de setembro. Quem recusar é suspenso, fica sem salário e pode mesmo ser despedido, informa o Governo francês que quer implementar a vacinação obrigatória para médicos, enfermeiros, cuidadores e todos funcionários hospitalares, de centros de saúde, lares de terceira idade públicos e trabalhadores que contactam com pessoas deficientes ou com saúde frágil.

Esta medida está a revoltar estes profissionais, com os cuidadores a marcarem uma greve por tempo indeterminado a partir de hoje, 4 de agosto. 

Amanhã, dia 5, o Conselho Constitucional irá pronunciar-se sobre esta exigência, incluída na nova lei da gestão da crise sanitária que prevê igualmente o alargamento do passe sanitário a quase todos os locais públicos em França.

Por toda o país, multiplicam-se as manifestações que levam milhares de pessoas às ruas em protesto contra o passe sanitário e a vacinação obrigatória para os profissionais de saúde. Contudo, o governo não cede na sua intenção.

A vacinação será obrigatória para todos os profissionais dos " hospitais, clínicas, centros de idosos, estabelecimentos para pessoas com deficiência, e todos os profissionais ou voluntários que trabalhem em contacto com idosos ou pessoas frágeis, inclusive em casa ”, anunciou Macron. A partir de 15 de setembro, passam a ser feitos "controlos nesses locais e serão impostas sanções”, a quem recusar a vacina, acrescentou.


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O que acontece a quem recusar?

Também a ministra do Trabalho já especificou quais as sanções que incorre quem se recusar a ser vacinado, entre os profissionais de saúde e cuidadores.

Vamos incluir na lei [...] uma disposição especial para a suspensão do contrato de trabalho, uma vez que a pessoa não está em condições de exercer a sua profissão se não tiver sido vacinada ", esclareceu Élisabeth Borne, citada pelo Le Figaro.

O profissional será suspenso ou é proposta uma licença sem vencimento para que “possa cumprir as suas obrigações de vacinação”. A suspensão pode ir de “um mês a seis semanas”, vincou a governante.

 Se o profissional continuar a recusar ser vacinado contra a covid pode avançar-se para o “despedimento”, tal como acontece com a recusa das outras vacinas obrigatórias para os profissionais de saúde, vincou a ministra.

Moral e demissões

“Não somos contra a vacinação, mas deve continuar a ser uma escolha livre”, defendeu Jean-Marc Devauchelle,  secretário-geral da Federação SUD Santé Social, citado pelo Le Figaro.

Esta organização sindical dos cuidadores convocou uma greve nacional em França, “por tempo indeterminado” a partir de 4 de agosto, hoje, contra a vacinação obrigatória.


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“Pela minha parte decidi vacinar-me na segunda-feira passada, depois de ter hesitado durante um bom período de tempo. Mas foi uma escolha pessoal e não incentivo ninguém a fazê-lo e a nossa federação não vai impor” esta medida, vinca este dirigente sindical.

Jean-Marc Devauchelle frisou que a sua federação não se irá colocar do lado dos movimentos anti-vacinas, mas sim dos que protestam contra as medidas do passe sanitário e da vacina obrigatória.

O sindicalista revelou ainda a sua preocupação pelas consequências “a nível moral” que a obrigação da vacina pode ter entre os trabalhadores, podendo mesmo “levar a demissões”. “De certeza que tal acontecerá. Resta saber se serão pontuais ou muitas”, vincou Devauchelle. Segundo os dados do Ministério da Saúde apenas 55% dos profissionais de saúde dos centros de idosos e unidades de cuidados de longa duração em França receberam uma dose da vacina anti-covid.  Razão pela qual o Governo quer avançar com a vacinação obrigatória, alegando ser uma medida de proteção necessária.


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Se amanhã, o Conselho Constitucional aprovar a vacinação obrigatória e a extensão do passe sanitário em França, os protestos irão de certeza aumentar. 

Além da França, também Itália e Grécia avançaram também para vacinação obrigatória dos cuidadores e respetivas sanções. 

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