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Covid-19. Donald Trump diz estar a tomar hidroxicloroquina como prevenção
Mundo 3 min. 19.05.2020

Covid-19. Donald Trump diz estar a tomar hidroxicloroquina como prevenção

Covid-19. Donald Trump diz estar a tomar hidroxicloroquina como prevenção

AFP
Mundo 3 min. 19.05.2020

Covid-19. Donald Trump diz estar a tomar hidroxicloroquina como prevenção

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
No início de maio, um cientista do Governo dos EUA disse que foi demitido depois de criticar a pressão exercida pelo Presidente Donald Trump para o uso de um medicamento contra a malária no tratamento da covid-19.

O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que está a tomar hidroxicloroquina, um medicamento para o tratamento da malária que a Food and Drug Administration advertiu que poderia causar graves problemas cardíacos aos doentes com coronavírus. 

Segundo o New York Times, Trump afirmou que estava a tomar o medicamento como medida preventiva e que continuava a testar negativo para o coronavírus, depois de ter sido comunicado um caso de covid-19 na Casa Branca. "Tudo o que vos posso dizer é que até agora pareço estar bem", disse Trump.

"Recebo muitas notícias tremendamente positivas sobre o hidroxia", continuou  Trump, explicando que a sua decisão de experimentar o medicamento se baseou num dos seus refrões favoritos: "O que é que tem a perder?"

O médico de Donald Trump, Sean Connely, disse numa declaração na segunda-feira à noite que foi decidido que a hidroxicloroquina poderia ser benéfica para Trump depois de um funcionário da Casa Branca ter dado positivo no teste covid-19. "Após numerosas discussões que tivemos com ele sobre as provas a favor e contra a utilização da hidroxicloroquina, concluímos que o benefício potencial do tratamento compensava os riscos relativos", disse Connely. 

Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, disse à CNN que preferia que Trump "não tomasse algo que não tenha sido aprovado pelos cientistas, especialmente no seu grupo etário e, digamos, no seu grupo de peso: 'obesidade mórbida', como eles dizem". 

Em março, Trump já tinha promovido o uso do medicamento, que levantou imensas críticas em todo o mundo, uma vez que não há provas científicas que o medicamento possa ajudar na luta contra a covid-19.

Um mês depois, a imprensa norte-americana noticiou que as prescrições do medicamento antipalúdico aumentaram 46 vezes graças à publicidade que Trump lhe fez, mesmo com a comunidade científica a advertir para os perigos do medicamento.


Covid-19. Hidroxicloroquina entre a esperança e a fraude
Considerada por Bolsonaro e Trump como remédio milagroso, usado no tratamento da malária, a hidroxicloroquina foi recentemente estrela de dois estudos controversos em França e neste momento é um dos cinco possíveis tratamentos da covid-19 testados num estudo europeu em que participa o Luxemburgo.

No início de maio, um cientista do Governo dos EUA disse que foi demitido depois de criticar a pressão exercida pelo Presidente Donald Trump para o uso de um medicamento contra a malária no tratamento da covid-19.

Rick Bright, ex-diretor da Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado, um organismo governamental, apresentou queixa pela forma como foi afastado do seu cargo junto do Gabinete de Conselho Especial, uma agência que recebe e analisa denúncias. 

Bright alega que foi transferido para um cargo de menor relevância depois de avisar sobre os riscos do patrocínio que Donald Trump fez aos medicamentos em questão e  denuncia que os responsáveis políticos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos tentaram promover a hidroxicloroquina “como uma panaceia”, alinhados com os apelos do Presidente, que usou os seus ‘briefings’ diários na Casa Branca para recomendar esse químico.

Bright diz ainda que as autoridades de saúde “exigiram que Nova Iorque e Nova Jersey fossem inundadas com esses medicamentos, que foram importados de fábricas no Paquistão e na Índia, sem terem sido inspecionados” pelas entidades competentes.


Covid-19. Cientista dos EUA diz que foi demitido por alertar sobre medicamento
O cientista alega que sempre se opôs ao amplo uso da hidroxicloroquina.

"Efeitos colaterais sérios"

Segundo a Agência Europeia de Medicamentos, os medicamentos contra a malária que estão a ser testados no combate ao novo coronavírus podem provocar "efeitos colaterais sérios", incluindo convulsões e problemas cardíacos.

O regulador da União Europeia (UE) realçou que a cloroquina e a hidroxicloroquina, dois medicamentos que o presidente norte-americano, Donald Trump, entre outros, apontou como potenciais tratamentos para a covid-19, são conhecidos por causar problemas no ritmo cardíaco, especialmente se combinados com outros medicamentos.

O primeiro caso de covid-19 registado nos EUA foi em janeiro deste ano. O paciente infetado havia viajado de Wuhan, na China, onde o surto terá tido o seu início. Trump negou várias vezes o perigo do vírus, não tomou medidas de prevenção na altura e ainda garantiu várias vezes que o vírus nunca seria um problema para o país. 

Os Estados Unidos registaram 759 mortos causados pela covid-19 nas últimas 24 horas, o que elevou o número total de óbitos para 90.309, segundo a contagem independente da Universidade Johns Hopkins, citada na agência Lusa.

Nas últimas 24 horas foram identificados mais de 21 mil casos, aumentando para 1.508.168 o número de contágios nos Estados Unidos da América desde o início da pandemia.

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