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Desigualdade inaceitável na distribuição de vacinas
Editorial Mundo 2 min. 01.09.2021
Covid-19

Desigualdade inaceitável na distribuição de vacinas

Covid-19

Desigualdade inaceitável na distribuição de vacinas

Foto: AFP
Editorial Mundo 2 min. 01.09.2021
Covid-19

Desigualdade inaceitável na distribuição de vacinas

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
A Organização Mundial de Saúde alerta para “uma crise na distribuição das vacinas” que tem que ser resolvida com urgência. Num mundo globalizado, caso não haja uma distribuição mais igualitária de vacinas por todo o planeta, dificilmente se alcançará a tão desejada “imunidade de grupo” que poderá acabar com a pandemia da covid-19. Mas há uma crise humanitária que está a preocupar o mundo. A saída atabalhoada dos EUA do Afeganistão deixou o país num descalabro prestes a transformar-se numa catástrofe humanitária. Ontem, as últimas forças norte-americanas saíram do território, dando assim por terminada a sua guerra mais longa. Mas afinal para que é que serviram os vinte anos em que lá estiveram e os 2,3 mil milhões de dólares que lá gastaram, durante vinte anos?

Apenas 2% dos adultos dos países pobres estão vacinados, enquanto 50% da população dos países mais ricos já tem a vacina. Alemanha, França e Israel, e muitos outros estados, do chamado primeiro mundo, estão já a avançar para campanhas da terceira dose, quando em muitos países subdesenvolvidos ainda é muito baixo o número de vacinados com a primeira dose. Ontem a União Europeia anunciou que 70% da população adulta da UE estava totalmente vacinada. O que significa que 256 milhões de adultos já receberam um ciclo de vacinação completo.

A Organização Mundial de Saúde alerta para “uma crise de desigualdade na distribuição das vacinas” que tem que ser resolvida com urgência. Num mundo globalizado senão houver uma distribuição mais igualitária de vacinas por todo o planeta dificilmente se alcançará a tão desejada “imunidade de grupo” que poderá acabar com a pandemia da covid-19.

Os dados científicos “não justificam de momento” essa dose de reforço, que, além do mais, “aumenta a desigualdade” quando muitos países em desenvolvimento não puderam imunizar as populações mais vulneráveis, advertiu o médico Didier Houssin, presidente do Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a covid-19. Esta organização apela a que se faça tudo para conseguir uma melhor distribuição global de vacinas para que, pelo menos, 10% da população de todos os países esteja imunizada em setembro.

“Precisamos urgentemente de mudar as coisas: de uma maioria de vacinas que vão para países ricos para uma maioria que vá para países pobres”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus. O responsável da OMS apelou às empresas farmacêuticas para apoiarem o sistema Covax, um sistema internacional criado para tentar combater a desigualdade de vacinas e, em particular, para ajudar 92 países pobres a imunizar as suas populações.  Por enquanto, a Covax ainda não está a conseguir cumprir a sua missão devido à falta de doses e só foi capaz de distribuir uma pequena fração do que estava inicialmente previsto. Das 4 mil milhões de doses injetadas em todo o mundo, 80% foram para países de rendimento alto e médio, apesar de representarem menos de 50% da população mundial. 

Uma saída desastrosa


Um soldado talibã senta-se dentro do cockpit de um avião da Força Aérea Afegã no aeroporto de Cabul a 31 de agosto de 2021, depois de os EUA terem retirado todas as suas tropas do país
EUA deixam Afeganistão nas mãos dos talibãs 20 anos depois de os derrubarem
A retirada das forças internacionais foi negociada com os talibãs, em fevereiro de 2020, e ocorre 15 dias depois de o movimento rebelde ter conquistado Cabul, depondo o Presidente Ashraf Ghani.

Sempre me disseram que sair bem de um sítio é muito mais importante do que uma entrada gloriosa. O fiasco da saída atabalhoada dos EUA do Afeganistão deixou o país num descalabro que está a transformar-se numa catástrofe humanitária. Ontem, as últimas forças dos EUA saíram do território, dando assim por terminada a sua guerra mais longa.

Mas afinal para que é que serviram os vinte anos em que lá estiveram e os biliões que gastaram? Para trás fica um país entregue aos talibãs e uma população, nomeadamente as mulheres, em desespero. Não haveria uma forma melhor de fazer as coisas? 

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