Covid-19. Catalães experimentam medicamentos para reduzir transmissões
Covid-19. Catalães experimentam medicamentos para reduzir transmissões
É uma corrida contra o tempo que as autoridades catalãs de saúde enfrentam na batalha contra o novo coronavírus. Um medicamento para a malária e artrite reumatóide e um antiviral usado contra o HIV poderiam aliados no combate à infeção pelo covid-19. Não se trata de curar a doença na sua forma mais grave mas antes aliviar as infeções de uma forma simples e acessível para reduzir o tempo de confinamento
De acordo com o La Vanguardia, a ideia chegou há algumas semanas pela mão de Oriol Mitjà, especialista em doenças infecciosas que ficou famoso quando encontrou uma solução viável para evitar a bouba, uma infeção tropical, na Papua Nova Guiné, e Bonaventura Clotet, investigador da luta contra a SIDA, no Hospital Germans Trias, em Barcelona.
A ideia do ensaio foi unânime entre todos face ao avanço da pandemia e vai começar já esta segunda-feira. A solução vai ser testada em 199 pessoas que deram positivo e que vão tomar esta combinação de medicamentos durante sete dias. O medicamento contra a malária vai ser experimentado em 2850 pessoas que tiveram contactos com casos positivos durante quatro dias.
"Partimos da hipótese de que a carga viral pode ser reduzida desta forma e, se conseguirmos, podemos quebrar a cadeia de transmissão da infeção", explicou Oriol Mitjà ao La Vanguardia. Enquanto não houver vacina, esta pode ser uma opção como a usada para a malária em viajantes ou em tratamentos em pessoas com alto risco de infeção pelo HIV.
O Covid-19 é muito contagioso e tem a capacidade de infetar durante 14 dias. Um estudo recente mostra que pode infetar mesmo na fase latente, sem que o portador tenha quaisquer sintomas e esteja ciente de estar infetado. "Sabemos também que entre 10% e 20% dos contactos serão infetados, até 15% entre os mais próximos, os familiares", adverte.
Foi com essa ideia que avançou para a combinação do antiviral e cloroquina. Para tentar que a pessoa infetada seja infecciosa durante menos dias e para que a progressão do coronavírus possa ser atrasada. A medicação para os que tiveram contactos com casos positivos destina-se, em primeiro lugar, a prevenir o desenvolvimento de sintomas e, em segundo lugar, a não ser infeccioso na fase pré-sintomática, antes de saberem se são positivos. Isto seria especialmente importante para os profissionais de saúde em quarentena e que não têm sintomas.
A decisão de avançar rapidamente para o período experimental prende-se com a necessidade de conhecer os resultados. Em 21 dias, vai saber-se se realmente reduz a rápida transmissão do coronavírus. “Na ausência de uma vacina, pode vir a ser uma medida muito eficaz em qualquer país, inclusive naqueles que não têm como lidar com uma epidemia como esta", sublinhou Fabregat.
E porquê dois medicamentos? De acordo com Oriol Mitjà, “porque agem sobre o crescimento do vírus de duas formas diferentes". Essa é uma das chaves para o sucesso dos tratamentos antivirais no HIV, atacando em várias frentes. O medicamento contra a malária, hidroxicloroquina, "tem dois efeitos: por um lado, inibe a entrada do vírus na célula e, por outro, age contra o seu crescimento dentro da célula". Vários estudos chineses já apontam para este efeito, diz o La Vanguardia. O antiviral, Darunavir, tem um efeito inibidor sobre uma enzima, a protease, que está dentro do vírus e o ajuda a crescer".
Para já, os investigadores estimam que a transmissão pode ser reduzida em 15 a 5%. Pode parecer pouco mas é uma das armas para quebrar a transmissão da infeção.
"O nosso ponto de partida é que as únicas medidas preventivas que temos contra este novo coronavírus são o isolamento e a quarentena. Mas isso depende inteiramente de como cada paciente se comporta. Se não cumprires as regras e andares por aí, vais contagiar-te. A eficácia da medida é, portanto, limitada e altamente variável. Outro nível de ação é o das medidas adotadas para esses 14 dias que forçam o isolamento. Este tratamento é complementar os isolamentos. Se funcionar, e saberemos em breve, reduzirá o número de infeções e o tempo necessário para o isolamento, porque aqueles que derem positivo deixarão de transmitir em poucos dias, e também reduzirá o tempo necessário para a quarentena dos que contactaram com casos positivos, que serão protegidos por esta barreira farmacológica".
Por outro lado, três outros hospitais do País Basco, Madrid e Catalunha começaram na sexta-feira a participar numa experiência para tratar pacientes graves e menos graves com um antiviral, o Remdesivir, que está a ser testado pelo próprio laboratório em Itália, França, Alemanha e agora Espanha. A droga não é aprovada por nenhuma agência no mundo, mas está a ser usada até que seja demonstrada a sua segurança e benefício em casos muito sérios de coronavírus, dentro do conceito de uso voluntário, quando não há outra opção terapêutica.
Existem actualmente mais de 250 ensaios dedicados ao novo coronavírus registados pela Organização Mundial de Saúde.
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