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Covid-19. Austrália começa a controlar segunda vaga
Mundo 3 min. 29.10.2020

Covid-19. Austrália começa a controlar segunda vaga

Covid-19. Austrália começa a controlar segunda vaga

Foto: AAPIMAGE
Mundo 3 min. 29.10.2020

Covid-19. Austrália começa a controlar segunda vaga

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Enquanto a Europa se vê a braços com o aumento descontrolado de casos, Victoria, o Estado australiano mais afetado, na segunda vaga da pandemia, começa a dar sinais de recuperação.

A Austrália tem sido o país de referência, para o Hemisfério Norte, em relação a uma segunda vaga da pandemia de covid-19. 

Enquanto os países do Hemisfério Norte estavam a entrar no verão, já o Hemisfério Sul entrava no inverno e no tempo frio. Na Austrália, a segunda vaga começou em julho, afetando sobretudo os estados com clima mais frio. 

Tal como acontece com a gripe sazonal, o país serve de farol para a Europa, na forma como a doença evolui e sobre as medidas que podem ser tomadas, não só por ter padrões de desenvolvimento semelhantes, mas por ter bons estudos epidemiológicos.


Spray nasal investigado na Austrália pode travar reprodução da covid-19
Um spray nasal desenvolvido para reforçar o sistema imunológico contra a gripe e as constipações demonstrou, em provas pré-clínicas, que pode travar a reprodução viral de covid-19.

Agora que a Europa se vê a braços com a segunda vaga de covid-19, que parece estar ainda longe de atingir o pico de casos, a Austrália começa a dar sinais de controlo e de abrandamento na pandemia. 

De acordo com dados analisados pelo jornal britânico The Guardian, o estado australiano de Victoria, o mais atingido nesta segunda fase de propagação do vírus, conseguiu uma redução significativa no número de casos covid-19, após um longo período de restrições. E conseguiu fazê-lo antes de atingir os mil casos por dia.

A partir de um pico de mais de 700 novos casos por dia e dezenas de mortes, em agosto, o país conseguiu inverter a curva, reduzindo drasticamente esse número. O estado até então, mais afetado, Victoria registou, na última semana, apenas dois casos em três dias e as restrições do confinamento começaram a ser atenuadas. 

Confinamento precoce

A 7 de julho as autoridades australianas anunciaram um confinamento de seis semanas em Melbourne, cidade com cerca de 4,9 milhões de habitantes. A decisão foi tomada após o ressurgimento de casos de covid-19 e justificada com o objetivo de prevenir a disseminação de novas infeções na cidade, que nas 24 horas anteriores tinha registado 191 novos casos.

O esforço impediu que a transmissão do novo coronavírus alastrasse a outros Estados do país.


Estado australiano de Victoria prolonga estado de emergência por seis meses
O estado australiano de Victoria prolongou esta quarta-feira o estado de emergência por mais seis meses, numa altura em que a média diária de novas infeções por covid-19 começa a baixar.

O segundo confinamento de Melbourne é, atualmente, considerado um dos mais longos do mundo, durando mais de 11o dias e atravessando praticamente todo o inverno, naquele país. Mas os esforços parecem estar agora a compensar, pelo menos para os epidemiologistas.

Nestes longos meses, a máscara tornou-se obrigatória em Victoria, e Melbourne impôs um toque de recolher obrigatório noturno. A vida passou a concentrar-se no interior das casas e houve resultados positivos no que toca à covid-19, com uma redução drástica dos casos, que permitirá agora o levantamento de algumas restrições.

"A capacidade de fazer testes de acompanhamento e isolamento tornou-se mais difícil à medida que os números atingiram o pico em Melbourne, mas agora temos sistemas realmente bons e isso tem sido um segredo para o resultado bem-sucedido", referiu à BBC, Sharon Lewin, diretora do Instituto de Infeção e Imunidade Peter Doherty, em Melbourne.

Apesar de haver um otimismo cauteloso, a responsável mostra-se orgulhosa dos resultados alcançados.

Por outro lado, o custo da resposta também é alto, noutras esferas. O verdadeiro impacto na saúde mental no confinamento ainda está por apurar e pode nunca ser totalmente conhecido, mas o aumento da violência doméstica é um dado associado ao confinamento que tem vindo a ser confirmado um pouco por todo o mundo. Segundo relata o mesmo artigo da BBC, o confinamento tem sido polémico, e calamitoso do ponto de vista económico, sacrificando empregos e sendo extremamente difícil para muitos. 

Mas na comparação relativa à contenção da segunda onda, a Austrália parece sair a ganhar, pelo menos para já. "A Europa e os EUA estão a enfrentar números extremamente altos. Em Victoria, tivemos um surto isolado praticamente apenas em Melbourne, e o resto do país teve números extremamente baixos e, em muitos Estados, zero", sublinhou a especialista.

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