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Coronavírus de Wuhan vai tornar-se global
Mundo 3 min. 23.01.2020 Do nosso arquivo online

Coronavírus de Wuhan vai tornar-se global

Coronavírus de Wuhan vai tornar-se global

AFP
Mundo 3 min. 23.01.2020 Do nosso arquivo online

Coronavírus de Wuhan vai tornar-se global

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
No Fórum Económico Mundial, especialista inglês alerta para iminência de pandemia.

Numa sessão especial em Davos sobre o coronavírus chinês, Jeremy Farrar, um dos maiores especialistas mundiais em doenças virais, disse que o surto já não é só uma questão chinesa e que os bloqueios a cinco cidades recentemente instituídos “podem dar algum tempo, uma ou duas semanas, mas dificilmente irão impedir o vírus de se propagar”. “Vai ser necessário tomar medidas sérias de saúde pública”, avançou .

Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust - um centro pioneiro na pesquisa sobre doenças virais - sustentou que embora ainda não se saiba muito sobre o período de incubação e de infeção, já é claro que o vírus passou a barreira das espécies :“Quando um vírus se espalha facilmente entre pessoas, torna-se muito complicado controlá-lo”.

Farrar acredita que o 2019-CoV é parecido com o do SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que entre 2002 e 2003 provocou a morte a mais de 800 pessoas. É de contágio mais fácil (através de tosse e espirros) mas, em compensação, terá uma taxa de mortalidade mais baixa (a do SARS era de 10%).

 A facilidade de propagação fez com que este especialista alertasse: “Podemos contar com muito mais casos na China e no resto do mundo”. “Isto vai ser um assunto global. Isto vai afetar-nos a todos”, garantiu.

 Farrar recomendou a todos os que pudessem que fizessem a vacina da gripe (o usual surto de cada Inverno está a percorrer a Europa) porque vai ser importante para os técnicos de saúde ter menos casos para identificar os sintomas e perceber se é uma gripe vulgar ou um coronavírus. Isto seria uma boa ajuda na luta que se avizinha das instituições públicas contra esta nova estirpe de coronavírus.

Para evitar a infeção com o coronavírus de Wuhan, Farrar explicou que lavar as mãos continua a ser uma precaução muito importante, bem como evitar cumprimentos sociais.  Não permanecer em sítios públicos apinhados poderá ser outra solução. Em outros momentos em que o mundo enfrentou epidemias

fechar as escolas foi segundo este especialista, uma medida eficaz de travar o avanço dos contágios.

Richard Hatchett, director da Coalition for Epidemic Preparedness and Innovations (Coligação para Prevenção e Inovação em Epidemias) anunciou três novas parcerias para desenvolver uma vacina contra o coronavírus de Wuhan. As vacinas, no entanto, não deverão estar prontas antes do verão. E toda a pesquisa para as produzir irá avançar rapidamente, mesmo havendo ainda uma grande incerteza sobre esta estirpe nova.

A resposta a uma provável epidemia de um vírus de gripe foi definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos maiores desafios para 2020. No seu site, a OMS especifica que “uma pandemia de um novo vírus, altamente contagioso, por vias aéreas – muito provavelmente uma estirpe de gripe – para a qual a maior parte das pessoas não tem imunidade, é inevitável. Não é uma questão de se isso vai acontecer, mas de quando. E quando atacar, vai espalhar-se depressa, potencialmente ameaçando milhões de vidas”.

“É preciso ter uma resposta calma e moderada mas também temos que reagir com muita seriedade”, disse Farrar aos jornalistas. “Quando vemos um vírus passar dos animais para os humanos, a preocupação é normal. O mundo tem estado a preparar-se para algo assim desde a epidemia de SARS”, considerou.

“Temos esperança de conseguir desenvolver as vacinas muito depressa e o mais cedo possível começar a testar em humanos”, disse Richard Hatchett.

 


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