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Conversações entre Ucrânia e Rússia terminam sem acordo de cessar-fogo imediato
Mundo 5 min. 10.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Conversações entre Ucrânia e Rússia terminam sem acordo de cessar-fogo imediato

Reunião entre os ministros dos Negócios Estrageiros russo e ucraniano.
Guerra na Ucrânia

Conversações entre Ucrânia e Rússia terminam sem acordo de cessar-fogo imediato

Reunião entre os ministros dos Negócios Estrageiros russo e ucraniano.
Foto: AFP
Mundo 5 min. 10.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Conversações entre Ucrânia e Rússia terminam sem acordo de cessar-fogo imediato

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A primeira reunião de alto nível diplomático desde a invasão russa realizou-se esta quinta-feira, na Turquia, mas não foram alcançados progressos nas negociações. Rússia mantém ofensiva e Ucrânia rejeita "rendição".

O primeiro encontro de alto nível entre a Ucrânia e a Rússia, desde a invasão russa, terminou sem um cessar-fogo imediato e sem grandes progressos no entendimento entre as partes envolvidas no conflito. 

O encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros ucraniano e russo ocorreu esta manhã na Turquia, sob mediação do ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Çavusoglu, e durou cerca de hora e meia. 

A reunião realizou-se um dia depois de as forças russas terem sido acusadas pelas autoridades ucranianas de bombardear um hospital pediátrico e uma maternidade em Mariupol, que provocou, pelo menos, três mortos e 17 feridos. 


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No final do encontro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, afirmou que a Rússia disse que continuará a atacar a Ucrânia até que os seus objetivos sejam alcançados.

"A ampla narrativa que me transmitiu é que continuarão a sua agressão até que a Ucrânia satisfaça as suas exigências, e a menor destas exigências é a rendição", disse Kuleba, citado pela Bloomberg.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia referiu também que, durante as conversações, foi  levantada a perspetiva de um cessar-fogo de 24 horas, para "resolver as questões humanitárias mais prementes" no país, mas as partes não chegaram a acordo nesta reunião. "Parece que existem outros decisores para este assunto na Rússia", afirmou Kuleba em conferência de imprensa, citado pela Aljazeera.

O ministro dos Negócios Estrangeiros tinha apresentado as três principais exigências da Ucrânia antes do encontro com Sergei Lavrov, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo. Essas exigências correspondiam a um cessar-fogo, uma melhoria da situação humanitária nas cidades sitiadas e a retirada das forças russas do país. 

No entanto, Lavrov afirmou que a Rússia não tinha planeado discutir um cessar-fogo nas conversações desta quinta-feira remetendo essa questão para as negociações principais, que, segundo afirmou, foram as que tiveram lugar na Bielorrússia. Assim, não se comprometeu com o cumprimento dos corredores humanitários para as cidades ucranianas pedidos pelo seu homólogo, referindo, "que a iniciativa do lado russo de abrir diariamente corredores humanitários continua em vigor", mas apontando que o seu percurso seria determinado por "aqueles que controlam a situação no terreno".

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo insistiu ainda nos motivos da invasão invocados pelo Kremlin, à qual continuou a chamar de "operação militar especial", como a desmilitarização e "desnazificação" da Ucrânia. 


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"Queremos uma Ucrânia amigável e desmilitarizada, uma Ucrânia em que não haja risco de criação de outro Estado nazi, uma Ucrânia onde não haja proibição da língua russa, da cultura russa", afirmou citado por aquela agência do notícias. 

Para Kiev, o facto de a Rússia manter os ataques até que as suas exigências sejam atendidas é visto como um pedido de rendição que a Ucrânia não aceita.

"A narrativa ampla que [Lavrov] me transmitiu é que [a Rússia] vai continuar os ataques até que a Ucrânia atenda às suas exigências. E essa exigência é uma rendição. Isso não é aceitável", disse Kuleba, assegurando que a Ucrânia, apesar de estar disponível para procurar soluções, "é forte e está a lutar" e não se vai render.

Sobre um encontro entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Sergei Lavrov disse que Rússia está aberta a conversações sérias entre os dois presidentes "mas esses contactos devem ter valor acrescentado".

Ministro russo deixa avisos à União Europeia e acusações aos EUA

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo deixou igualmente  avisos aos países que estão a fornecer armas à Ucrânia para combater a Rússia de que serão responsabilizados pelas suas ações, que considerou perigosas, refere a Lusa.


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"Os colegas estrangeiros, incluindo a UE, agem perigosamente entregando armas mortíferas à Ucrânia", disse Lavrov, citado pela agência turca Anadolu. O ministro aludiu também ao recrutamento de "mercenários" estrangeiros. "Estes países estão a criar um perigo colossal, inclusive para eles próprios", acrescentou, mas sem ameaçar com retaliações os países ocidentais, segundo a agência francesa AFP.

Já os EUA foram visados diretamente com acusações de fomentarem o fabrico de armas biológicas a partir da Ucrânia, com Lavrov a citar, segundo a AFP, "factos absolutamente escandalosos sobre o que o Pentágono está a fazer nos laboratórios biológicos criados com o seu dinheiro" e a acusar Washington de utilizar "território ucraniano para realizar experiências com agentes patogénicos que podem depois ser utilizados para criar armas biológicas". 

A Rússia já tinha acusado os Estados Unidos em 2018 de conduzir secretamente experiências biológicas num laboratório na Geórgia, outra antiga república soviética que, tal como a Ucrânia, tem ambições de se juntar à NATO e à UE.  Tanto os EUA como a Ucrânia negaram a existência de laboratórios para produzir armas biológicas no país.


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A reunião desta quinta-feira entre os ministros dos Negócios Estrangeiros foi a primeira de alto nível desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, a 24 de fevereiro. 

Até agora, as três rondas anteriores de conversações de nível inferior na Bielorrússia entre funcionários russos e ucranianos produziram poucos resultados para além das tentativas de estabelecer alguns corredores humanitários para os civis apanhados nos combates, que as autoridades ucranianas acusaram as forças russas de violar.

Com mais de 2 milhões de ucranianos a fugir para países vizinhos em busca de segurança, a invasão russa da Ucrânia já desencadeou uma catástrofe humanitária a uma escala nunca vista na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

(Com agências)

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