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Congressista lusodescendente relata a tensão vivida no ataque ao Capitólio
Mundo 3 1 5 min. 08.01.2021 Do nosso arquivo online

Congressista lusodescendente relata a tensão vivida no ataque ao Capitólio

Manifestantes invadem capitólio

Congressista lusodescendente relata a tensão vivida no ataque ao Capitólio

Manifestantes invadem capitólio
AFP
Mundo 3 1 5 min. 08.01.2021 Do nosso arquivo online

Congressista lusodescendente relata a tensão vivida no ataque ao Capitólio

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Jim Costa conta o que se passou na Câmara de Representantes durante a invasão pró-Trump. Ao Contacto, o senador Marc Pacheco condena o sucedido.

Jim Costa, congressista democrata da Califórnia, encontrava-se no Capitólio na sessão de certificação dos votos das eleições presidenciais dos EUA, para formalizar a vitória do presidente eleito, Joe Biden, quando os apoiantes de Donald Trump invadiram o edifício, numa quarta-feira negra para a história dos EUA. Dos confrontos na “casa da democracia” resultaram cinco mortos, 14 polícias feridos, dois em estado grave.

“Hoje foi um dia histórico, mas não pela razão que eu desejei”, foi o dia em que “um grupo de traidores invadiu o Capitólio”, tentando “impedir a vontade dos eleitores dos EUA” declarou Jim Costa, numa conferência de imprensa via zoom a partir do seu gabinete em Washington, ao lado do Capitólio, horas depois dos confrontos.

Legenda. Jim Costa é o congressista que está sentado nas escadas (ao centro na foto) com a mão no corrimão.

Cerca de uma hora após o início da sessão, e já sabendo que uma multidão pro-Trump estava lá fora, o congressista contou que se aperceberam que o Capitol estava a ser invadido. “Começamos a ouvir os protestantes a abrir portas e a polícia pediu para nos deitarmos no chão”, contou Jim Costa, nascido nos EUA, país para onde os seus avós açorianos emigraram no início do século XX.

Depressa os invasores chegaram à ala da Câmara dos Representantes onde decorria a ratificação dos votos do Colégio Eleitoral, a última etapa de certificação do resultado das eleições, realizada pelo Congresso, antes da tomada de posse de posse do novo presidente dos EUA.

Aos congressistas presentes a polícia pediu para retirar as “máscaras anti-gás que temos sob os assentos” da sala e preparem-se para as colocar, caso fosse necessário. Estas máscaras foram colocadas nas cadeiras da Câmara dos Representante no Capitólio após o 11 de setembro como explicou Costa.

De máscara na mão, uns congressistas deitaram-se no chão, outros sentaram-se aguardando as ordens da polícia, como mostram as imagens captadas pelos repórteres fotográficos que se encontravam a acompanhar os trabalhos daquele dia.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

( Declarações de Jim Costa na CBS47)

Alguns polícias dentro da Câmara dos Representantes empunharam as suas armas em direção às portas da sala onde do outro lado os manifestantes se preparavam para entrar, tentando passar pelos guardas que também protegiam a sala a partir do exterior.

“Ficámos ali na sala durante uns 10 a 15 minutos até a polícia conseguir escoltar-nos para um local seguro”, recorda este lusodescendente eleito pela Califórnia, no vídeo da conferência de imprensa publicado pelo site de notícias da Fresno Bee e numa reportagem da CBS47.


EUA. Manifestantes pró-Trump invadem capitólio
Sessão no Congresso foi suspensa por questões de segurança.

A fotografia dos congressistas a aguardar a evacuação com Jim Costa de máscara de proteção na cara e máscara anti-gás na mão, sentado nas escadas tornou-se uma das mais emblemáticas deste acontecimento histórico, bem como a dos polícias de arma apontada às portas fechadas da sala, prontos para intervir caso os invasores entrassem.

"Foi muito triste”, o que se passou, vincou o lusodescendente.

“Não estávamos devidamente preparados e deveríamos estar. Há semanas se sabia que esses manifestantes vinham ao Capitólio”, naquele dia importante para a formalização de Joe Biden como presidente dos EUA.

 “As pessoas têm direito a manifestar-se”, mas tranquilamente, defendeu.

“Agora invadir o Capitólio e trazer as armas para o Capitólio, marchar para o plenário do Senado, e sentar-se na mesa onde o vice-presidente se senta para presidir ao Senado, ou invadir o gabinete do Presidente, tudo isso é traição”, considerou Jim Costa na conferência de imprensa, por zoom. “Este não foi um ato realizado por um patriota. Os patriotas respeitam nosso país e nossos valores democráticos e a capacidade de concordar em discordar”.

“A tentativa de derrubar uma eleição justa e livre que ocorreu há dois meses falhou. E voltaremos à sessão esta noite e vamos certificar o resto dos votos do Colégio Eleitoral que foram enviados por todos os 50 estados”, prometeu o congressista.

Todos os votos foram ratificados e a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais confirmada, e validada pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

Este é o último ato antes da tomada de posse de um novo presidente, desta vez, Joe Biden a 20 de janeiro.


Congresso confirma vitória de Joe Biden como novo Presidente dos EUA
Joe Biden obteve 306 votos do colégio eleitoral. Contagem demorou toda a noite, após invasão do Capitólio.

"Democracia foi mais forte"

“Foi um dia muito triste para os EUA”, considerou ao Contacto Marc Pacheco, senador do Massachusetts, também ele lusodescendente.

Este senador democrata encontrava-se em Boston onde participou pela manhã, numa cerimónia estatal. Durante a tarde seguiu atentamente e "preocupado" o incidente no Capitólio, em Washington.

“Os manifestantes pro-Trump invadiram o Capitólio para tentar impedir a formalização da vitória de Joe Biden como presidente, mas não conseguiram. A de democracia foi mais forte”, vincou este senador com raízes no norte de Portugal confessando ter ficado “preocupado com a segurança” dos congressistas, alguns dos quais conhece bem. 

“Felizmente ficaram todos bem e o Congresso terminou a validação dos votos e confirmou a vitória de Joe Biden como presidente. Tudo realizado de forma democrática”, frisou este senador dos EUA, lamentando, no entanto, as “vítimas do ataque ao Capitólio”.

Afastamento de Trump

Donald Trump é acusado pelos democratas de ter instigado os acontecimentos no Capitólio e são muitas as vozes que exigem o seu afastamento imediato da presidência, nomeadamente da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.


Morte de polícia eleva para cinco vítimas fatais na invasão do Capitólio
"O agente da Polícia do Capitólio Brian D. Sicknick morreu devido a ferimentos sofridos durante o serviço" no ataque ao Congresso, disse um porta-voz da força de segurança em comunicado.

Uma destituição presidencial possível através do recurso à 25.ª Emenda da Constituição evocada pelo vice-presidente dos EUA. Caso Mike Pence não utilize este recurso e assuma a presidência interina, nestas duas últimas semanas, antes da tomada de posse de Joe Biden, Pelosi já anunciou que o Congresso abrirá um processo de ‘impeachment’, pela “insurreição armada” do presidente cessante contra o país. 

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