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Condutor de Trier condenado a prisão perpétua e tratamento psiquiátrico
Mundo 3 min. 16.08.2022
Justiça

Condutor de Trier condenado a prisão perpétua e tratamento psiquiátrico

Justiça

Condutor de Trier condenado a prisão perpétua e tratamento psiquiátrico

Chris Karaba
Mundo 3 min. 16.08.2022
Justiça

Condutor de Trier condenado a prisão perpétua e tratamento psiquiátrico

Redação
Redação
Em dezembro de 2020, um homem avançou com um carro por uma zona pedestre da cidade alemã, matando cinco pessoas e ferindo mais de uma dezena. Um ano depois do processo judicial é conhecida a sentença.

O julgamento do atropelamento em Trier que fez cinco mortos e mais de uma dezena de feridos, em dezembro de 2020, chegou ao fim, esta terça-feira, com o o condutor do carro a ser condenado a prisão perpétua por múltiplos homicídios e por tentativa de homicídio. 

Segundo a agência de notícias alemã, DPA, o tribunal de Trier considerou que a culpabilidade do arguido foi particularmente grave e ordenou também que este fosse colocado num hospital psiquiátrico fechado, como fora pedido pelo Ministério Público durante o processo.

O tribunal considerou como provado que o condutor de 52 anos avançou pela zona pedestre no seu seu SUV, no dia um de dezembro de 2020, para matar ou ferir o maior número possível de pessoas.

Cinco pessoas morreram

Um bebé de nove semanas e o seu pai (de 45 anos) e três mulheres de 73, 52 e 25 anos de idade foram as vítimas mortais daquele fatídico dia que levou o trauma à cidade alemã, vizinha do Luxemburgo. Houve também mais de uma dezena de feridos, entre os quais um luxemburguês, e cerca de 300 testemunhas oculares. 

O Ministério Público acusou o alemão de cinco homicídios e de tentativa de assassinato em 18 outros casos, além de ser o causador de lesões corporais graves.


Condutor que matou cinco pessoas em Trier poderá ficar em ala psiquiátrica
O homem que em dezembro de 2020 avançou com o seu carro em alta velocidade numa rua pedestre da cidade alemã enfrenta a possibilidade de ser condenado a prisão perpétua.

O coletivo de juízes, presidido por Petra Schmitz, atendeu às reivindicações do Ministério Público, no veredicto, que tinha pedido a prisão perpétua para o condutor, face à gravidade dos acontecimentos, mas que tinha solicitado igualmente que o acusado fosse colocado num hospital psiquiátrico, face à sua doença mental.   

A maioria dos advogados das vítimas também se manifestou a favor da prisão perpétua e da colocação do homem numa ala psiquiátrica. Enquanto, a defesa do arguido tinha tentado que este fosse apenas sentenciado ao internamento psiquiátrico.

Esquizofrenia paranoide com delírios bizarros

De acordo com o relatório de um perito em psiquiatria, o condutor agora condenado sofre de esquizofrenia paranoica com delírios bizarros. Ou seja,  continua o relatório, a sua imputabilidade criminal é menor, mas mesmo assim é considerado perigoso para as outras pessoas. 

O perito tinha relatado que o acusado se via como vítima de "uma conspiração em grande escala do Estado" e que se sentia perseguido, incomodado e observado. O condutor alegou não ter qualquer recordação do momento em que cometeu o crime. 

De acordo com a acusação, na altura do crime, o homem estava desempregado, não tinha endereço fixo e sentia-se frustrado pelas suas circunstâncias pessoais.  

Durante as etapas do julgamento, o condutor de 52 anos permaneceu em silêncio. 

Entre o alívio e o trauma

Os sobreviventes e os familiares estão aliviados porque o processo chega ao fim quase um ano depois do seu início, afirmou à DPA Bernd Steinmetz, da Fundação para a Assistência a Catástrofes e que acompanhou este caso traumático para toda a comunidade.

Nos mais de 40 dias de processo judicial, que começou a 19 de agosto de 2021, foram ouvidas dezenas de testemunhas que falaram de experiências traumáticas. Muitos descreveram como o homem deliberadamente se aproximou de suas vítimas com o carro, batendo, ferindo e matando pessoas. 


Sobre as ruas de Trier abateu-se uma infinita tristeza
"Cinco mortos e 14 feridos não são só números", diz uma mulher no Hauptmarkt. "São uma dor tão forte que cala tudo à volta." Retrato de uma cidade que saiu à rua para prestar tributo às suas vítimas. E que depois mergulhou no silêncio.

As testemunhas ouvidas também relataram o quanto a experiência ainda pesava sobre elas, continuando a lembrarem-se das imagens e dos gritos das vítimas.

De acordo com o Ministério Público, quando a sentença for efetivada, o internamento numa enfermaria psiquiátrica será o primeiro passo a ser dado e será aplicado indefinidamente. 

Se após nova avaliação psiquiátrica, ao fim de cinco ou 25 anos, o homem for considerado culpado, então seguir-se-á o cumprimento do resto da pena num sistema prisional normal.

No caso de prisão perpétua, após 15 anos, a câmara de execução de sentenças examinará se é ou não justificável manter ou suspender a pena de prisão perpétua. Na maioria dos casos, no entanto, ela não é suspensa. 

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