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Como um supermercado da Nestlé degradou a saúde das crianças numa zona da Amazónia
Mundo 2 min. 27.05.2021 Do nosso arquivo online

Como um supermercado da Nestlé degradou a saúde das crianças numa zona da Amazónia

Como um supermercado da Nestlé degradou a saúde das crianças numa zona da Amazónia

Mundo 2 min. 27.05.2021 Do nosso arquivo online

Como um supermercado da Nestlé degradou a saúde das crianças numa zona da Amazónia

As crianças de uma zona remota do Brasil estão a combater a obesidade e a diabetes depois da introdução de alimentos processados na região há alguns anos através de um supermercado dentro de um barco que visitava semanalmente a aldeia.

As crianças que vivem numa parte remota da Amazónia começaram a lutar contra a obesidade e a diabetes após a introdução de alimentos na região através de um 'supermercado flutuante' da Nestlé há alguns anos, revela um documentário da BBC.

"O que estão a dar de comer aos nossos filhos?" vai ser transmitido esta quinta-feira pelo canal britânico, um documentário em que o médico Chris van Tulleken consome alimentos processados durante quatro semanas para ver o impacto que têm sobre o corpo. Como resultado, não só ganha peso, como se torna preguiçoso, ansioso e viciado neste tipo de comida.

Mas o médico viaja também para Muaná, um município localizado no estado do Pará, no norte do Brasil, para ver como a chegada de alimentos industriais afetou a população desta área remota, cuja dieta era tradicionalmente composta por produtos minimamente processados.

É ali que dá a conhecer Lizete do Carmo Tenório Novaes, uma mulher que combate a obesidade infantil na região, que lhe diz que este problema está a tornar-se cada vez mais comum. 

Já a diretora da escola local, Paula Costa Fehera, revela que tem havido "um aumento da diabetes infantil, obesidade infantil e colesterol elevado em crianças com apenas sete anos", acrescentando que os hábitos alimentares "mudaram muito nos últimos 15 anos, com muito mais produtos industriais do aqueles que tínhamos antes", relata o Daily Mail

O supermercado flutuante

Um dos pontos de viragem, de acordo com o diretora, foi um barco que trazia um supermercado dentro e que vendia 'junk food', gerido pela Nestlé entre 2010 e 2017. O barco vinha uma vez por semana e oferecia preços mais baratos do que o mercado local. "Devido à novidade de ficar aberto até tarde, atraiu crianças, jovens que iam dar um passeio de barco e acabavam por comprar coisas", relatou.

Graciliano Silva Ramo, que dirigia o barco, diz que quando ouviu falar pela primeira vez da proposta de um supermercado flutuante - que oferecia cerca de 400 produtos, desde comida para bebé a chocolate e gelado - inscreveu-se imediatamente e sentiu-se "orgulhoso" de estar a entregar comida mais barata a uma zona pobre. Contudo, cedo percebeu que estava a encorajar uma dieta pobre entre a população local que estava a causar problemas de saúde, especialmente entre as crianças. "Eles não estavam a comer alimentos saudáveis, o que estava a causar todo o tipo de doenças, tais como problemas de estômago e cáries dentárias", afirmou.

Pela sua parte, a Nestlé disse à BBC que o seu projeto visava "expandir o acesso a alimentos e bebidas e promover projetos de desenvolvimento social em comunidades remotas".

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