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Como é que os oligarcas russos escondem a sua riqueza?
Mundo 5 min. 15.06.2022
Guerra na Ucrânia

Como é que os oligarcas russos escondem a sua riqueza?

Em maio, Itália confiscou um suposto iate de Putin, avaliado em 650 milhões de euros
Guerra na Ucrânia

Como é que os oligarcas russos escondem a sua riqueza?

Em maio, Itália confiscou um suposto iate de Putin, avaliado em 650 milhões de euros
Foto: AFP
Mundo 5 min. 15.06.2022
Guerra na Ucrânia

Como é que os oligarcas russos escondem a sua riqueza?

DPA
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Os iates de luxo, as mansões e os jatos privados são "relativamente fáceis de apreender". O problema está nas somas de dinheiro escondidas em empresas.

Há muito que os iates de luxo são a forma mais popular para os multimilionários russos exibirem a sua riqueza. Afinal, nem toda a gente pode comprar um clube de futebol de topo, como fez Roman Abramovich com o Chelsea. E com estes símbolos de estatuto flutuantes, muitas vezes construídos em estaleiros navais alemães, os super-ricos podem competir em tamanho, luxo e ostentação. 

Um barco com seis convés e uma piscina? Nada que não possa ser ultrapassado por um com oito convés, dois heliportos em vez de um, e a estética de um tanque-cruzador (veículo militar desenvolvido pelas forças britânicas entre guerras).


 O bilionário russo e dono do clube inglês de futebol Chelsea, Roman Abramovich.
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Estrangular financeiramente o grande círculo de bilionários próximo do Kremlin: a resposta ocidental à invasão da Ucrânia é congelar as contas bancárias, moradias e navios de luxo dos oligarcas russos.

Mas com as sanções do Ocidente contra a elite russa depois da invasão russa da Ucrânia, os barcos - alguns dos quais custaram centenas de milhões de euros - tornaram-se um aparente alvo fácil, até porque passam muito tempo atracados em portos ou à espera de manutenção em estaleiros navais. 

Por isso, vários iates de luxo foram rapidamente apreendidos em Espanha e Itália, entre outros países, ao passo que outros foram desviados para países como a Turquia, onde os seus donos inicialmente achavam que estariam a salvo das sanções. 

Mas, mesmo nas ilhas Fiji, depois de um confronto legal, as autoridades norte-americanas confiscaram o iate "Amadea", de 150 metros, que tinha sido visto anteriormente no México e que estava atribuído ao multimilionário russo Suleiman Kerimov.

Propriedade dos iates nem sempre é clara

"Atribuído" é a palavra-chave neste caso visto que a propriedade dos bens dos multimilionários russos quase nunca é óbvia. Por exemplo, a empresa Millemarin Investment Ltd. está registada como a dona do "Amadea", que custou mais de 300 milhões de euros, e há declarações contraditórias sobre quem está por trás da empresa. Os advogados da Millemarin dizem que o barco pertence a Edouard Khudainatov, que não está abrangido pelas sanções.


Boeing da Aeroflot
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Outro exemplo é a TUI, gigante alemã das áreas do turismo e navegação. O acionista principal foi durante muito tempo o magnata do aço Alexei Mordashov. Desta forma a União Europeia (UE) colocou o oligarca, considerado leal ao Kremlin, na lista de indivíduos afetados pelas sanções no final de fevereiro. Mas, nessa altura, Mordashov já se tinha retirado do círculo de proprietários da empresa. Agora, cerca de 30% das ações estão entregues a uma empresa de investimento chamada Ondero, cuja "acionista principal" é Marina Mordashova, a mulher do ex-dono. O oligarca descreveu as sanções contra o magnata como incompreensíveis.

Exemplos destes são ilustrativos das muitas tentativas de fechar o cerco aos multimilionários russos. "As elites e os oligarcas russos estão provavelmente entre os melhores do mundo a esconder a sua riqueza", disse um alto funcionário do Tesouro dos EUA, que tem um papel crucial na implementação das sanções ocidentais, ao jornal The Washington Post. Os iates de luxo, as mansões e os jatos privados são "relativamente fáceis de apreender", disse. O problema é conseguir verificar as grandes somas de dinheiro das empresas, onde se escondem os verdadeiros bens dos oligarcas.

UE propõe criminalizar violação das sanções

De acordo com dados do final de maio, os bens de oligarcas russos no valor de quase 10 mil milhões de euros foram congelados na UE desde o início da guerra, a 24 de fevereiro. A Comissão Europeia propôs igualmente que a evasão às sanções fosse criminalizada em todo o bloco, o que facilitaria o processo de expropriação de todos os que violassem as interdições.


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Tendo em conta a destruição que as tropas russas estão a infligir na Ucrânia diariamente, crescem os apelos para que os bens confiscados dos oligarcas russos sejam usados para financiar a reconstrução do país. 

Recentemente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o ministro da Justiça alemão Marco Buschmann mostraram-se abertos a essa possibilidade. Contudo, o político do FDP deixou a salvaguarda de que, a ser aplicada a medida, teria de ser provado em tribunal que os suspeitos estiveram ligados a crimes de guerra ou outras ilegalidades em contexto de conflito. 

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