Escolha as suas informações

Comissão responde à escalada da guerra com mais sanções a Moscovo
Mundo 4 min. 28.09.2022
Oitavo pacote

Comissão responde à escalada da guerra com mais sanções a Moscovo

Oitavo pacote

Comissão responde à escalada da guerra com mais sanções a Moscovo

Foto: AFP
Mundo 4 min. 28.09.2022
Oitavo pacote

Comissão responde à escalada da guerra com mais sanções a Moscovo

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Ursula von der Leyen diz que a UE está “determinada a fazer o Kremlin pagar” pela mobilização geral, pelo referendo fantoche e pela ameaça nuclear que Putin lançou.

Ursula von der Leyen e o representante da diplomacia europeia, Josep Borrell, apresentaram na tarde desta quarta-feira o oitavo pacote de sanções contra a Rússia em resposta à escalada da guerra contra a Ucrânia nos últimos dias. A presidente da Comissão considerou que perante as ações recentes de Putin, está na hora de subir a parada. “Estamos determinados a fazer o Kremlin pagar por esta nova escalada”, disse esta quarta-feira, numa declaração anunciada em cima da hora.

“O referendo fantoche organizado nos territórios ocupados são uma tentativa de se apoderarem de território e de mudar fronteiras pela força. A mobilização e a ameaça de Putin de usar armas nucleares são passos decisivos no caminho da escalada”, considerou. Von der Leyen reiterou ainda a posição da Comissão de não aceitar “o referendo fraudulento, nem qualquer anexaçao de território da Ucrânia”.

O pacote apresentado hoje, o oitavo desde que começou a invasão da Ucrânia por tropas russas, será, disse, de “sanções muito duras contra a Rússia”.

 Importação/exportação. Mais bens banidos 

Segundo Von der Leyen, a nova lista de produtos proibidos de importar nos países da UE - que foi já apresentada para os governos assinarem - irá fazer uma mossa de 7 mil milhões de euros às receitas russas. “Com isto isolamos a economia russa ainda mais”, disse.

Ao mesmo tempo, será acrescentada a lista de produtos proibidos de serem exportados da UE para a Rússia, com o objetivo de privar o complexo militar russo de tecnologias-chave. Por exemplo, itens para a aviação ou componentes electrónicos e algumas substâncias químicas. Esta proibição irá “enfraquecer a capacidade russa para se modernizar”, sustentou a presidente do executivo europeu.

 Cidadãos europeus não podem administrar empresas estatais russas

O argumento para proibir cidadãos europeus de participar nas administrações e nos quadros dirigentes de empresas estatais russas é o de que “a Rússia não deve beneficiar do ‘know how’ europeu”. A medida segue-se à descoberta escandalosa de que o antigo chanceler alemão Gerard Schroder – considerado um moço de recados do Putin no Ocidente – faz parte do conselho de administração de companhias russas de energia, incluindo a Nord Stream, mesmo depois de declarada a guerra. No entanto, Ursula von der Leyen não se referiu ao controverso ex-líder social democrata alemão. 

O fornecimento de serviços à Rússia por parte de indivíduos e empresas europeias – que já fazia parte da lista de sanções em vigor – vai ser alargado, segundo a proposta da Comissão que os governos europeus vão discutir.

Petróleo russo: um teto para os preços

Além da proibição de importar por via marítima petróleo russo – que entra em vigor a partir de dia 5 de dezembro - vão ser tomadas novas medidas, em coordenação com a decisão recente do G7 (os países com as sete economias mais avançadas). Trata-se de introduzir um limite no preço do petróleo que a Rússia vende para países terceiros. 

“Sabemos que alguns países em desenvolvimento ainda precisam de petróelo russo”, disse a presidente da Comissão, salientando que para não encher os cofres russos, o petróleo tem que ser vendido, mas a baixos preços. “Este teto irá reduzir as receitas russas por um lado, e manter os mercados estáveis por outro”, defendeu.

Evitar a evasão de sanções

Quem possibilitar que as sanções em vigor na UE contra a Rússia sejam contornadas será também alvo de penalizações, avisou Von der Leyen. O exemplo que deu de uma atividade abrangida por est alçada é a de comprar produtos na UE que fazem parte da lista de exportações proibidas para a Rússia, vendê-los num país terceiro de onde serão vendidos para a Rússia.

Cresce a lista negra de 1.330 indivíduos e entidades

A proposta da Comissão desta quarta-feira é a de acrescentar novos nomes à lista negra europeia. Neste momento, já são mais de 1.300 as pessoas e entidades banidas, incluindo decisores-chave da estrutura do Kremlin, oligarcas, militares seniores, propagandistas responsáveis “por minar a integridade territorial da Ucrânia”, disse aos jornalistas Josep Borrell.

Mas em resposta direta à escalada russa, no novo anexo incluem-se “pessoas que estão a incentivar ou a beneficiar da invasão da Ucrânia”, mas de forma mais específica relacionada com as recentes iniciativas de Vladimir Putin. No setor militar, serão acrescentadas as altas patentes que participam no recrutamento de 300 mil militares na Rússia. Além disso, as autoridades russas nas regiões anexadas farão parte da lista, incluindo os que organizaram o referendo sobre a anexação na região do Donbass. Os que propagam falsas narrativas e os que lucram a contornar as sanções europeias estão também na lista de persona non grata.

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas