Escolha as suas informações

Comissão Europeia propõe cinco novas sanções à Rússia e um renascer da Ucrânia
Mundo 6 min. 04.05.2022
Guerra na Ucrânia

Comissão Europeia propõe cinco novas sanções à Rússia e um renascer da Ucrânia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considera que é preciso aumentar a pressão contra a Rússia.
Guerra na Ucrânia

Comissão Europeia propõe cinco novas sanções à Rússia e um renascer da Ucrânia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considera que é preciso aumentar a pressão contra a Rússia.
Foto: Philipp von Ditfurth/dpa
Mundo 6 min. 04.05.2022
Guerra na Ucrânia

Comissão Europeia propõe cinco novas sanções à Rússia e um renascer da Ucrânia

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Ursula von der Leyen anunciou embargo ao petróleo russo e corte de todo o sistema financeiro do SWIFT, medidas contra indivíduos que participaram nos massacres na Ucrânia e exclusão das emissões de todos os órgãos de informação oficiais russos no território da UE. E quer ajudar a Ucrânia a renascer das cinzas.

Na sessão planária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, já se esperava que a presidente da Comissão Europeia anunciasse esta quarta-feira o tão falado embargo ao petróleo russo. 

Na abertura da sessão, Ursula von der Leyen começou por recordar que na próxima semana se comemora o Dia da Europa e que por isso é apropriado falar do futuro da União. Esse futuro não existirá sem se resolver a situação na Ucrânia, explicou: “O futuro da nossa União também é escrito na Ucrânia”.


Vladimir Putin
Putin diz a Macron que ocidente deve deixar de fornecer armas à Ucrânia
O presidente francês Emmanuel Macron realizou uma chamada de duas horas com o presidente russo, esta terça-feira. Papa Francisco quer reunião com líder russo para tentar intermediar o fim da guerra.

E, por isso, considerou von der Leyen, é preciso aumentar a pressão contra a Rússia, ou seja, avançar com mais um pacote de sanções, o sexto, que a presidente da Comissão propôs, com cinco partes. Tendo deixado para o fim, na sua apresentação, a que tem sido mais discutida nas últimas semanas e considerada a mais eficaz para desarmar Putin: o embargo total ao petróleo russo.

1. “Nós sabemos quem vocês são”, avisa Ursula aos responsáveis dos massacres

Em primeiro lugar, serão acrescentados à lista de personalidades que não podem fazer transações ou possuir bens na UE os militares de alta patente e os indivíduos que cometeram crimes de guerra. Von der Leyen especificou os autores das atrocidades em Bucha e os responsáveis pelo cerco de Mariupol.

“Isto envia uma mensagem muito forte aos perpetradores do Kremlin: nós sabemos quem vocês são. Nós vamos fazer-vos pagar. Vocês não vão ficar impunes nisto”, sublinhou, garantindo que os autores dos crimes de guerra serão levados a tribunal.

2. Sberbank e sistema financeiro fora do SWIFT

Depois de muita pressão de eurodeputados e de várias entidades, von der Leyen anunciou que também o Sberbank – o maior banco russo, equivalente a 37% de todo o sistema bancário do país – passará a estar excluído do sistema internacional de transação SWIFT. 

O Sberbank tinha ficado fora da lista inicial de sanções a bancos porque é através desta entidade que são feitos os pagamentos pelas importações de combustível russo. 

Além do gigante bancário que agora passará a estar excluído do SWIFT, também o resto da banca russa ficará excluída. “Isto solidifica o isolamento total do setor financeiro russo do sistema global”. Com esta medida, Ursula von der Leyen entende que se atinge “a capacidade de Putin de causar destruição”.

3. Tirar do ar europeu a propaganda do Kremlin

Cortar a voz de Putin é outra das sanções que von der Leyen apresentou. Os três maiores operadores russos serão banidos de todos os suportes na UE, quer através de canais televisivos ou impressos ou das plataformas de media sociais. “São microfones de Putin e não lhe vamos dar o nosso palco”, explicou.

4. Não mais consultores europeus para Putin

Von der Leyen não lhes chamou exatamente espiões, mas os serviços de consultoria, e “spin doctors”, ou relações públicas do Kremlin com sede nos países da UE vão deixar de poder prestar serviços à Rússia.

5. Finalmente, o embargo ao petróleo

Já era esperado desde a passada semana, foi alvo de várias reuniões de discussão - desde os diplomatas sedeados em Bruxelas ao Conselho de Energia da semana passada, às reuniões de Ministros de Negócios Estrangeiros e entre os telefonemas com as várias capitais europeias. Era também um pedido expresso do Parlamento Europeu. 


Militares ucranianos andam num tanque, numa estrada na periferia de Kryvyi Rih, na Ucrânia.
Rússia avisa que entrega de armas a Kiev ameaça a segurança na Europa
A Rússia avisou esta quinta-feira que o fornecimento de armamento à Ucrânia ameaça a segurança na Europa.

Esta quarta-feira, Ursula von der Leyen quebrou o último tabu das sanções contra a Rússia e anunciou “banir todo o petróleo russo”. Não imediato, mas por fases, para não destruir a economia europeia, o que também não serviria a Ucrânia, explicou. 

A discussão começou num encontro informal de líderes europeus em Versalhes, a 10 e 11 de março, em que, disse a presidente da Comissão, “combinámos terminar a dependência da UE dos combustíveis fósseis russos”. 

No quinto pacote de sanções foi banido o carvão e a comissão espera até ao fim do ano deixar de importar dois terços do gás russo. O agora anunciado embargo será a “todo o petróleo, crude ou refinado, quer chegue por mar ou via pipeline”. Mas, acrescentou a líder do executivo europeu, será feito “de forma ordenada, para permitir encontrar alternativas e não causar disrupção no mercado global”.

Em seis meses deixará de ser importado crude e até ao fim de 2022 todos os produtos de petróleo russo serão banidos. “Pretendemos maximizar a pressão sobre a Rússia e minimizar os danos colaterais para a UE e para a Ucrânia”.

Como esta notícia chegará ao Kremlin é uma das questões para as próximas horas, uma vez que em retaliação à ajuda da UE à Ucrânia, Putin cortou o fornecimento de gás à Polónia e à Bulgária de um momento para o outro.

Também se sabe que a Hungria e a Eslováquia dependem a 100% do petróleo russo, através do mais longo pipeline do mundo, e por isso von der Leyen salientou que esta medida vai atingir os países de maneira diferente. Na semana passada, a comissária europeia da Energia esteve novamente em Washington e com diversos parceiros internacionais para procurar novos contratos de petróleo.

“Com todos estes passos estamos a limitar a possibilidade de a economia russa se diversificar e modernizar. Putin quer varrer a Ucrânia do mapa e não vai conseguir. É o seu próprio país, a Rússia, que Putin está a afundar”, considerou von der Leyen.

A ajuda à Ucrânia e o depois da guerra

Por causa da guerra, o Produto Interno Bruto da Ucrânia vai cair entre 35% e 50%, disse von der Leyen. E o FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que só para as contas correntes e manter o país a funcionar, a Ucrânia vai precisar de 5 mil milhões de euros por mês a partir de maio. “Temos que apoiá-los, mas sabemos que não podemos fazê-lo sozinhos e os EUA também vão participar neste esforço”.


Rússia corta fornecimento de gás à Bulgária e Polónia a partir desta quarta-feira
As informações mais recentes sobre a guerra nas últimas horas.

Num segundo momento, disse, é preciso a reestruturação monumental da Ucrânia. “A destruição é avassaladora. É preciso reconstruir tudo: hospitais, casas, escolas, pontes, estradas, fábricas, teatros”. Durante os tempos de guerra é difícil calcular, mas os economistas avaliam a reconstrução da Ucrânia em muitos milhares de milhões de euros. “Com o nosso apoio e de outras instituições financeiras a nível global, a Ucrânia pode reconstruir-se para as próximas gerações”. 

Com esta lógica, Ursula von der Leyen propôs que se comece a trabalhar “num ambicioso pacote de recuperação para os nossos amigos ucranianos”. Esse pacote de recuperação, “se o fizermos bem”, poderá levar a “um investimento massivo e construir as fundações para os objetivos a longo prazo”. 

Os fundos europeus seriam usados com os princípios do mecanismo do Estado de direito, ou seja, “com garantias anti corrupção, beneficiando o povo russo e aumentando radicalmente a capacidade produtiva da Ucrânia”, disse. E neste caminho, finalmente, salientou Ursula von der Leyen – que entregou em Kiev, há um mês, o dossier com as perguntas da candidatura da Ucrânia à EU –, “levar a Ucrânia a integrar a União Europeia”.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

À uma da manhã desta terça-feira, foi anunciado o acordo que horas antes parecia impossível. Segundo von der Leyen, 90% do petróleo russo não entrará nos portos europeus até ao fim do ano.